Pensamentos do primeiro dia de viagem…

Relembrando pensamentos do primeiro dia de viagem….

7:00h da manhã – “BIP,BIP,BIP” o despertador tocou, os olhos abriram rapidamente, afinal mal tinham fechados na noite anterior de tanta ansiedade para o que viria acontecer. Os olhos arregalados o coração acelerado, mas com movimentos vagarosos, como se quisesse aproveitar aquele momento na cama até o último segundo possível. Observo os movimentos de Thiago que rapidamente se levantava e começava a organizar suas coisas pessoais nos alforjes destinados a seus pertences. Levanto-me vagarosamente com uma sensação um pouco vazia, não sabia se era essa sensação que eu deveria ter naquele dia, achava que eu estaria eufórica, animada, mas até aquele momento eu estava simplesmente como se estivesse em um estado de transe meio que anestesiada. Coloquei minhas últimas peças de roupas no meu alforje e levei-o até a bicicleta para que Thiago pudesse fixa-lo.
Quando observo a bicicleta pronta, com todos os alforjes fixados e o Thiago falando “Bora, vamos lá, Chegou a hora!” meu coração disparou e então caiu minha ficha de que tinha chegado o grande dia, o primeiro dia da nossa cicloviagem de volta ao mundo.
Começamos empurrando a bike da área de serviço da casa de meu cunhado, cada passo que eu dava parecia difícil sentia as pernas pesadas e trêmulas, o ar parecia que estava espesso, e precisava fazer força para que entrassem por minhas narinas e chegassem aos meus pulmões.
Saímos pelo portão da garagem, colocamos a bicicleta que carinhosamente apelidamos de “Minhoca” na rua e nos preparamos para subir nela, nesse momento meu coração já estava a mil, o batimento acelerado era possível sentir com um simples toque no meu pulso. Subimos na bicicleta, pegamos impulso e os pés fixaram no pedal, e com as forças de nossas pernas a bicicleta começou a se movimentar, lentamente a roda foi girando e fomos pegando velocidade.
Os pensamentos nessa hora estavam à milhão, pensava sobre tudo o que se possa imaginar, “Como estariam meus familiares?”, “Quando iria encontrá-los novamente?”,“Como seria meus próximos dias?” “Será que eu estou levando muita coisa?” “ou será que estou levando pouca coisa?”, sentia nesse momento, que faltava algo, ‘Mas o que? O que faltava?” Eu já tinha feito e refeito check-list de tudo que eu queria e estava levando. Depois de muito pensar eu percebia que eu não tinha esquecido nada, era somente uma sensação estranha que estava sentindo.
Não sei como descrever tantas emoções que senti naqueles primeiros metros até chegarmos no estacionamento do Hospital de Câncer de Barretos, unidade de Jales. Era uma mistura de ansiedade, felicidade, medo e saudade. Medo do desconhecido, afinal assustava não saber o que eu poderia encontrar pelo caminho, ao mesmo tempo esse medo tornava-se curiosidade e ansiedade. Ansiedade para descobrir como seria o caminho, o que podemos encontrar? Podem ser coisas boas, “Quero logo vivenciá-las! Que pessoas nós iremos conhecer? Podem ser pessoas boas, “Quero logo encontrá-las”! O que nos espera? Não sei! “Mas, quero logo descobrir” e esse não saber que desperta uma sensação de adrenalina e felicidade que é até viciante. Acho que essas sensações seria a composição do que eu chamo hoje de liberdade.
Ainda no caminho para o estacionamento do Hospital, nos deparamos com nossas primeiras dificuldades com a Minhoca. Era a primeira vez que viajávamos com ela totalmente carregada e ela estava muito pesada, estava com aproximadamente 60 quilos. Thiago apresentava dificuldades para manter o controle do guidão afinal a dianteira também apresentava muito peso (30 kg). E quando fomos subir o viaduto que levava até o hospital sentimos muita dificuldade para pedalar, pois como estávamos indo devagar o guidão ficava muito instável e Thiago não conseguia mantê-lo reto, então tivemos que descer e empurrar logo de início. Isso atingiu em cheio minhas emoções e os pensamentos começaram a surgir como tiroteio mais uma vez “Será que daremos conta?” “Quantas subidas como essa enfrentaremos?” “Quantas subidas piores que essas vamos ter pela frente? ” “Nossa! Já estou cansada! “Será que vou aguentar viajar 4 anos assim?” “Meu Deus o que eu estou fazendo?”
Mas enquanto esse turbilhão de pensamentos dominou minha cabeça, uma brisa passou pelo meu rosto ao subir novamente na bicicleta e os pensamentos mudaram de foco, “Nossa que vento gostoso” “Acho que é por isso que eu quero viajar de bike, para sentir esse vento e essa sensação de liberdade que a bicicleta me proporciona”.
Quando terminamos de descer o pontilhão avistamos as primeiras pessoas nos esperando no estacionamento do hospital, amigos e familiares estavam lá para nos desejar uma boa viagem e nem preciso dizer que nesse momento foi uma injeção de ânimo e de boas energias que foram importantíssimas para nós! Cada abraço nos transbordou de felicidade e cada palavra de apoio nos tocaram e ficaram inseridas em nossos corações como uma tatuagem as quais relembramos sempre que necessário durante nossa viagem.

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