Iran – Viajando de bicicleta por terras persas. Hospitalidade e história. Trecho 2, Da cidade de Hamedan a Isfahan. (for other languages please use the website or browser translator).

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Na cidade de Hamedan ficamos alguns dias para descansar e organizar algumas coisas burocráticas de nossa viagem, como o visto para o Turcomenistão e a renovação do nosso visto iraniano, que estava para vencer.

 

Nossa parada na cidade de Hamedan foi estratégica, Tehran é muito grande e movimentada e Isfahan ainda estava longe de nós. A cidade é bem estruturada e encontramos as peças de reposição da bicicleta que precisávamos para enfrentar em longo trecho pelo Asia que vem pela frente. Além disso ela apresenta lugares interessantes para visitar e uma rica história.
Hamadã é considerada a mais antiga cidade persa e uma das mais antigas do mundo.
Alguns historiadores creem que Hamadã foi erguida em torno de 3 000 a.C.; uma inscrição do primeiro rei assírio faz com que alguns apontem o ano de 1 100 a.C. como a data da fundação. A cidade sempre esteve no centro da história da Pérsia, em quase todas as suas fases históricas.

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Algumas coincidências na viagem são muito pitorescas. Fomos a polícia na cidade de Hamedan e fizemos o requerimento da renovação do nosso Visto Iraniano. Na saída encontramos um grupo de cicloviajantes franceses que estavam alí pelo mesmo motivo. Enquanto conversava com eles na calçada escutei alguém perguntar: “Thiago?” Olhei para o lado surpreso, afinal quem sabia meu nome ali naquela cidade. Foi então que conhecemos pessoalmente o amistoso Mustafa. O cara tem quase 2 metros de altura e uma cara de sério, mas em poucos minutos de conversa percebemos que ele era super gente boa e tranquilo. Ele sabia meu nome pois estava nos seguindo pelo Instagram e já havíamos conversado por mensagens. Foi uma coincidência muito grande, Hamedan é uma cidade de meio milhão de habitantes. De maneira muito hospitaleira ele nos levou até sua casa, onde conhecemos sua esposa, a Vida, que preparou um delicioso almoço a moda iraniana. Foi uma feliz coincidência este encontro inesperado.

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Abu Ali Huceine ibne Abdala ibne Sina (persa پورسينا Pur-e Sina – “filho de Sina”; Afshana, perto de Bucara, ca. 980 — Hamadan, Irã, 1037), conhecido como Ibn Sīnā ou por seu nome latinizado Avicena, foi um polímata persa que escreveu tratados sobre variado conjunto de assuntos, dos quais aproximadamente 240 chegaram aos nossos dias. Em particular, 150 destes tratados se concentram em filosofia e 40 em medicina.
As suas obras mais famosas são o “Livro da Cura”, uma vasta enciclopédia filosófica e científica, e o “Cânone da Medicina”, que era o texto padrão em muitas universidades medievais, entre elas a Universidade de Montpellier e a Universidade Católica de Leuven, ainda em 1650. Ela apresenta um sistema completo de medicina em acordo com os princípios de Galeno e Hipócrates.
Além do Al-Qanun, Ibn Sina escreveu cerca de 40 trabalhos médicos, a maioria preservados na forma de manuscritos.

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Hamedan tem várias estátuas espalhadas pela cidade, para a diversão dos turistas e suas máquinas fotográficas, hehehe. Lá também encontramos outros cicloviajantes ao acaso, durante nossas andanças. Dois casais de franceses (@dismoi10sacoches and @xavantures) e outro casal, ela italiana e ele australiano (@cyclinghoboz ). Todos muito divertidos e animados.

 

Em uma manhã ensolarada, juntos com o outro casal de cicloviajantes fomos levados pelo Sina (nosso contato de warmshowers na cidade de Hamedan) para conhecermos um lugar histórico, localizado em uma região montanhosa muito bonita na região.
Ganjnameh (Persa: literallyنجنامه literalmente: “Treasure Book”) refere-se a duas inscrições trecíficas de Achaemenid cuneiform. Eles estão localizados 12 km a sudoeste de Hamadan (antiga Ecbatana) no oeste do Irã, em um passo a uma altitude de 2000 metros do outro lado do Monte Alvand.A inscrição no canto superior esquerdo foi criada por ordem do rei aquemênida Dario, o Grande (r. 522–486 aC) e o da direita, do rei Xerxes, o Grande (r. 486–465 aC) .

Conforme havíamos combinado com o warmshowers de Hamedan, Sina, que virou nosso amigo. Fechamos negócio com ele e ele topou nos levar de carro até Tehran e ficarmos hospedados com ele na casa dos irmãos dele. Assim, poderíamos conhecer a capital iraniana sem pedalar até lá (seria um longo desvio) e evitando entrar pedalando lá, que seria muito perigoso devido ao trânsito agressivo e intenso. Nossa visita a enorme e agitada capital iraniana, Tehran, era para ser algo apenas burocrático por conta dos vistos a resolver e um pouco estressante por conta do dia a dia agitado nesta grande cidade. Mas graças aos irmão Abharian ( Sina, Said e Suheil), tudo ficou mais tranquilo e divertido. Eles eram muito hospitaleiros, simpáticos e divertidos. Sina nos ajudou em várias coisas, inclusive fez um city tour conosco e junto com seus irmãos saímos a noite e comemos muito. Foram dias divertidos na presença dos animados “irmãos Abharian”. Demos entrada no visto Turcomeno e pedimos para retirá-lo posteriormente na cidade de Mashhad, onde há um consulado do país.

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Azadi Square (persa: میدان آزادی Meydāne Āzādi), anteriormente conhecida como Praça Shahyad (persa: میدان شهیاد Meydāne Ŝahyād), é uma praça da cidade, principalmente verde em Teerã, Irã. Abriga como sua peça central a Torre Azadi. A torre e a praça foram comissionadas por Mohammad Reza Pahlavi, o último Xá do Irã, para marcar o 2.500º ano da fundação do Estado Imperial do Irã.

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Depois de alguns dias em Tehran, voltamos para Hamedan com o Sina. Antes de sairmos da cidade de Hamedan, trocamos as correntes, pedais e o cassete. Todos já gastos mas ainda funcionantes, porém como os trechos seguintes no Turcomenistão e Uzbequistão seriam longos, bem mais isolados e sem bicicletarias, preferimos não arriscar e substituímos as peças já gastas. De Hamedan a Isfahan foram cerca de 500 km pedalados e é este trecho que vamos detalhar um pouco mais neste Post.

 

No vilarejo de Jowkar, paramos em um parque municipal e fomos perguntar se poderíamos acampar por ali. Lá conhecemos dois simpáticos iranianos. Um deles era o chefe do posto de ambulância ao lado e o outro era o encarregado por cuidar do parque. Eles disseram que não precisaríamos acampar e nos ofereceram um espaço aconchegante dentro de uma pequenina mesquita localizada no fundo do parque. Foi uma noite tranquila e escapamos de uma tempestade que chegou de madrugada.

 

Somos parados muitas vezes nas estradas do Irã, principalmente para tirar fotos e conversar, mas algumas vezes também ganhamos presentes e neste caso o presente que mais gostamos, comida… hehehe.
Este carro passou acenando para nós e poucos metros a frente parou. Logo saiu este rapaz com um saco de nozes para nos presentear. Ficamos muito contentes 😊.

 

Os dias voltaram a ficar longos e ensolarados, voltamos a fazer uma coisa que adoramos…. tirar aquela sonequinha da tarde. Próximo ao horário do almoço procuramos um sombrinha para almoçarmos e nos escondermos um pouco do sol e se encontramos umas árvores e um gramadinho, é soneca na certa até o sol baixar.

 

Era final de tarde e buscávamos um lugar para acampar. Avistamos então uma estradina de terra lateral e nela encontramos um sítio com um belo pomar. Vimos que haviam algumas pessoas por ali e fomos perguntar se poderíamos acampar no pomar. Lá fomos calorosamente recebidos por uma unida e numerosa família iraniana. Divertidos e curiosos, nos enxeram de perguntas, chá e comidas. Havia uma pequena casinha na propriedade e eles disseram para dormirmos lá ao invés de montarmos barraca. Foi uma tarde muito agradável com esta grande família. A Flavinha limpou bem a casinha por dentro, colocamos nossa mosquiteira e passamos uma noite tranquila.

A noite acordei para fazer um xixi e vi que tinha um bichinho ali por perto. Com a lanterna percebemos que era um roedor. Flavinha cutucou o bumbum dela com um gravetinho e ela não gostou não hehehehe.

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Os iranianos adoram fazer picnic e seu principal lazer é se reunir com amigos e familiares em parques para comer, conversar, beber chá e fumar narguile (ou Qeliun, como chamam aqui). Por isso eles tendem a cuidar bem de seus parques municipais, para a nossa alegria, que podemos desfrutar também. São ótimos lugares para comermos, repor nosso de água, usarmos o banheiro e descansarmos um pouco. Normalmente não temos acampado nestes parques pois costumam ser muito movimentados e gostamos de lugares mais discretos e tranquilos para passarmos a noite. Como é o mês do Ramadan, estes parques ficam com bastante movimento até tarde da noite.

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Por volta das 17:00, depois de pedalarmos 92 km, chegamos a uma cidade chamada Durud. Lá havia um parque municipal, bem cuidado e com um belo gramado, mas bem movimentado. Como estávamos cansados para procurar outro lugar mais tranquilo, decidimos perguntar por ali mesmo se seria possível acampar. Conhecemos então 3 simpáticos amigos que tinham lojinhas no local: Mahdi, do qual compramos 2 sorvetes e Mohammad e Ali dos quais compramos uma “rodada” de narguile (qeliun). Perguntamos a eles se seria possível acampar ali no gramado e eles responderam sim, sem problemas. Como nosso dinheiro iraniano estava acabando, o Muhammad trocou 20 USD para nós. Passamos um final de tarde relaxando por ali, sem imaginar a boa surpresa que nos esperava para noite 😊.

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Ainda não havíamos montado nosso acampamento no parque da cidade de Dorud, quando o Mahdi, que havia nos vendido dois sorvetes disse que não precisaríamos dormir por alí e ofereceu um lugar na casa de sua família que estava bem pertinho. Aceitamos sem titubiar. Conversando com ele durante o dia ele tinha um olhar de muita credibilidade e nos passou muita segurança. O parque estava muito movimentado e com muitos olhares curiosos sobre nós, não nos deixando muito a vontade para dormirmos ali. O convite do Mahdi veio no momento perfeito.
Mas o mais perfeito foi o acolhimento que recebemos da família dele. Foram muito hospitaleiros conosco. No outro dia fomos embora depois de almoçarmos com toda a família. Que comida deliciosa e bons momentos.

 

Saímos da cidade de Dorud depois das 15:00h, então decidimos fazer pelo menos uns 30 quilometros e depois começarmos a procurar um lugar para acampar, pois o dia todo seria pedalando com uma subida leve e vento contra. No horizonte vimos uma bela montanha com pico nevado e torcemos para encontramos um lugar perto dela no final do dia, para acamparmos com uma bela paisagem. Conforme fomos nos aproximando do centro do Irã, o clima ficou um pouco mais seco e as paisagens  tomadas por plantações, com menor oferta de árvores e florestas. Como saímos tarde neste dia e pedalamos quase o tempo todo subindo, depois de uns 40 km avistamos umas árvores próximas a rodovia e descemos por uma pequena estrada de terra até lá para vermos melhor o local. Chegando lá conhecemos o Sr. Lowni, que falava um pouco de inglês. Ele contou que aquela era sua propriedade e que não precisariamos montar nossa barraca entre as árvores, pois havia um lugar melhor. Ele ofereceu o terraço de sua casa, que tinha uma vista maravilhosa de toda a região. No final de tarde conhecemos seu filho Siavash, muito simpático, e passamos um bom final de tarde com todos eles. Saímos de Durud com o desejo de acamparmos com vista para a majestosa montanha de Oshtoran Kuh e nosso desejo inconcientemente foi realizado por esta família tão hospitaleira. Do terraço a vista da montanha era perfeita.

 

Na cidade de Aligudarz procuramos uma hospedagem com preço mais barato para ficarmos e encontramos um hotel simple que apelidamos carinhosamente de “Ninho das Pombas”. Por quê?
Pois no banheiro do nosso quarto havia ninhos de pombas, hehehe. Toda as vezes que iámos tomar banho, havia umas penas espalhadas. Eles ficavam escondidos entre o exaustor e o forro do teto. Durante o dia era aquela barulheira de pombos e filhotes. Quando não acampamos em meio a natureza, ela vem até nós, hahaha.

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Os iranianos são um povo incrível. Tem uma rica história, são afetuosos e muito hospitaleiros, mas tem uma coisa que chamou muito nossa atenção por aqui, talvez por diferenças culturais: São extremamente curiosos, muitas vezes levando a situações engraçadas e até folclóricas para nós, hehehe.
Saindo de Aligudarz, fizemos uma parada em um lugar discreto para podermos trocas 2 raios da roda traseira de maneira tranquila. Passados cerca de 2 minutos, um rapaz nos avistou e veio checar o que estávamos fazendo. Ele ficou vendo eu trocar os raios da bicicleta o tempo todo sentado ao meu lado. Ele falava em persa e eu em português, até hoje não sabemos sobre o que conversamos, mas foi engraçado.

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Várias vezes encontramos frutas e legumes que caem de caminhões e estão ótimas para o consumo. Aqui a Flavinha está toda feliz com uma beringela que encontrou no acostamento e que fizemos fritinha com macarrão na nossa próxima parada para almoço.

 

Com um belo dia de sol saímos da rodovia principal por uma pequena estrada paralela para encontrarmos um lugar para acampar. Cruzamos uma pequena ponte e avistamos um lugar perfeito, gramado, ao lado de um riozinho e com muitas árvores ao redor, próximos ao vilareo de Noqan Alya. Durante o dia algumas famílias faziam picnic por ali, mas a noite tudo ficou muito calmo e silencioso e tivemos uma boa noite de sono em um lugar bonito.

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Após 2 dias de pedaladas, acampando selvagem pelo caminho e passando por paisagens bonitas, chegamos a cidade de Isfahan, onde tivemos a sorte de reencontrar um cicloviajante alemão que conhecemos ha um bom tempo atrás na Turquia. O Chris (@bugsinmyfood ) está em uma longa viagem de bicicleta. Ficamos hospedados em lugares diferentes, mas fizemos vários passeios juntos pela cidade.
Haviam warmshowers e couchsurfing disponíveis em Isfahan, mas queríamos mais privacidade por alguns dias. A economia muito abalada no Irã, deixou os preços das hospedagens muito atrativos e acessíveis para os viajantes mais econômicos.

A cidade de Isfahan tem seu charme e muitos pontos interessantes para conhecer. Vamos falar mais dela junto com o trecho 3, último de nossas postagens sobre o roteiro no Irã.

Khoda hafez 🙂

<- trecho 1                                                                                                                           trecho 3 ->

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