Sudeste Asiático de bicicleta. Trecho 2- Sul do Laos: Bela natureza, final das buzinadas e o “oi” mais simpático da região “Sabaidiiii!” . (For other languages, please use the browser or internet translator)

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Com o nosso visto Vietnamita de 30 dias chegando ao final e o preço para extensão fora do nosso orçamento, entramos no Laos por uma pequena fronteira de montanha, vindos da cidade de Vinh, no Vietnã. O Laos nos surpreendeu em muitos sentidos, é um dos países mais pobres dos seus vizinhos, mas apresenta uma natureza bela e exuberante, um povo simpático e sorridente, o “oi” mais bonito da região (“sabaidí”) além do tráfego nas estradas que diminue muito e das buzinadas, muito comuns no Vietnã, que desapareceram (não preciso nem dizer que adoramos isso).

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Viajamos a região sul do país, percorrendo cerca de 430 km, passando por pequenos vilarejos, um parque nacional e margeando o rio Mekong. Não chegamos a ir até o extremo sul e entrar pelo Camboja por alí, preferímos entrar na Tailândia na região de Savannakhet e depois cruzarmos para o Camboja por uma fronteira mais próxima a cidade de Siem Reap, onde fica o turístico templo cambojano de Angkor Wat.

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No sudeste asiático o Budismo é a religião predominante na maioria dos países e no Laos os mini templos em meio a natureza continuam, algumas vezes com algumas oferendas ao redor ou incensos queimados.

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Nossa primeira parada no Laos foi em um pequenino vilarejo. Depois de cruzar umas montanhas do Vietnam pra cá, chegamos famintos. Encontramos uma hospedaria simples (70000 kip = aprox 8 USD) tomamos banho e fomos buscar um lugar para comer. Achamos um restaurante bem simples onde ninguém falava inglês, mas por meio de mímicas e “aponta daqui e dalí” fomos servidos com uns espetinhos de uma carninha bem temperada, que deveria ser comida com folhas de plantas (não temos nem ideia que plantas eram) e uma saladinha caprichada na pimenta (o beiço chegava a inchar). Nos lembramos um pouco dos costumes dos indígenas do Brasil, onde se comem muitas coisas sobre folhas de plantas (bananeiras) e inclusive se comem algumas folhas de certas plantas selvagens também.

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Desde que iniciamos nossa viagem em 2017 fizemos muitos acampamentos selvagens, principalmente na região da Patagônia e depois dos Balkans até a Ásia Central. O Sudeste Asiático foi eleito o lugar para uma pausa dos selvagens por alguns motivos. Primeiro, porque as hospedagens tem preços favoráveis, os preços oscilam entre 6 a 10 dólares por quarto por noite, com ar condicionado, wifi e lugar seguro para deixarmos nossa bicicleta. Segundo, a natureza é exuberantemente tropical por aqui, o que significa muitos lugares com mata fechada , áreas alagadiças ou grama muito alta, incluindo cobras, escorpiões, aranhas, formigueiros e outras coisas que podem atrapalhar. Terceiro, no final do dia estamos ensopados com o calor e umidades que faz por aqui e a possibilidade de um banho faz toda diferença. Quarto, países como Vietnam e Tailândia são bem povoados e legalmente é proibido acampar selvagem e Quinto e mais importante, países como o Laos e Cambodia ainda tem muitos explosivos não detonados expalhados pelo seu território, então é bom saber muito bem onde espetar a barraca. Por todos estes motivos, associados a uma vontade de dar uma pausa nas acampadas na nossa passagem pelo Sudeste Asiático, nossa barraca permanece guardada. Mas confesso que sentimos falta de acampar selvagem, mas ao mesmo tempo estamos gostando de ter uma cama e um lugar seguro todos os dias.

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Decidimos manter nossos chapéus vietnamitas presos aos capacetes e seguir vestindo-os por todas nossas andanças pelo sudeste asiático. Eles não são muito aerodinâmicos para ventos dianteiros (parece que nossas cabeças vão decolar), mas fazem uma super sombra nos nossos rostos, o mais importante para o sol forte que faz por estes lados, além do visual que fica divertido, hehehe.

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O Laos é muito verde. Chegamos no final da temporada de chuvas e início do outono, com as paisagens completamente tomadas por um verde incrível por todos os lados. (Região sul do Laos, Ban Na Hin).

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Depois de umas descidas íngrimes que pegamos no Laos, acho que chegou a hora de trocar as pastilhas do freio traseiro, já estava “comendo” o metal.

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Uma coisa que achamos interessante no Laos foi a presença algumas vezes de árvores gigantescas se destacando em uma paisagem forrada de plantas mais baixas. Veja como somos minúsculos perto desta belezura desta gigantona aí. Esta estrada foi no caminho para a caverna de Kong Lor, no sul do país.

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Parada para lanchinho e “esfriar o carburador” (estrada para Kong Lor, Sul do Laos).

Tentamos visitar sempre que possível um Parque Nacional em cada país e no sul do Laos fomos até o Parque Nacional Phou Hin Poun para visitar a caverna de Konglor. O passeio é muito interessante. Por cerca de 7 USD por pessoa, pudemos conhecer de barco esta caverna que une 2 vilarejos, 2 de cada lado. A caverna é gigantesca em comprimento e tamanho das galerias e cortada por um rio que passa dentro dela. Não conseguimos filmar muito o passeio dentro da caverna pois a única luz era a de nossas lanternas de cabeça, a câmera não conseguia captar o que víamos com nossos olhos. Fora da caverna a natureza exuberante do Laos fez seu show. Aproveitamos ainda para nadar um pouco e nos refrescarmos.

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Arrozais. Eles estão por todos os lados no Sudeste Asiático (região de Kong Lor Cave, sul do Laos).

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Existem pequenas vendinhas nos lugares mais escondidos no sudeste asiático, então achar o que comer não é um problema. Nas pequenas vendinhas nas estradas as vezes compramos bananas, caldo de cana, amendoins ou biscoitos. Um cacho de bananas normalmente ficava entre 0,25 a 0,6 dólares e o caldo de cana 0,6 dólares um copão.

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Como estamos gastando com hospedagem por estes lados, estamos tentando economizar com alimentação, comendo menos fora. O quarto das hospedagens viraram nossas casas por um dia. Lavamos e secamos as roupas no banheiros e cozinhamos, preparamos café e tudo mais no quarto. Sempre tomando cuidado para não sujar ou estragar nada. (Ban Khounkeo, Laos).

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Outra coisa que gostamos aqui no Laos é que tem muitas borboletas pelos caminhos enquanto pedalamos, e elas passam em bandos tirando finas, isso quando não trombam na nossa cara. Bom, até agora não engoli nenhuma pelo menos, hehehehe. Depois da Ásia Central, o Sudeste Asiático seria nosso descanso de muitas coisas, inclusive das subidas, porém o relevo do Laos apresenta algumas subidas, poucos trechos mas quando existem são bem inclinadaos e não estávamos esperando. A altitude não é muita, mas algumas vezes os trechos chegavam a 20% de inclinação e empurramos bastante a bicicleta. Com o calor e umidade chegávamos ensopados no final das subidas, mas para nossa alegria o cenário ao redor e a descida que vinha depois faziam valer a pena.

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Café gelado no sudeste asiático.
Esta é outra bomba energética que adoramos por aqui. Um café adoçado com leite condensado em meio a gelo moído. Além de refrescante, dá mais ânimo após um copão destes.

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Os templos budistas são muito bonitos e cheios de detalhes esculpidos e pintados minuciosamente. Sempre que vemos algum do lado da estrada passamos devagarzinho para contemplar e olha que são muitos por aqui. Este ficava próximo ao vilarejo de Vieng Kham, no sul do Laos.

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Pensem num “lagartixão”. No sudeste asiático é comum encontrar essas lagartixas coloridas chamadas Tokay, principalmente nos vilarejos no interior do Laos. Elas fazem um barulho muito engraçado a noite e demoramos para descobrir que eram essas lagartixonas que “berravam”.
Esta espécie ocorre no nordeste da Índia, Butão, Nepal e Bangladesh, em todo o sudeste da Ásia, incluindo Filipinas e Indonésia, e no oeste da Nova Guiné, na Melanésia. Seu habitat nativo é a floresta tropical, onde vive em árvores e falésias, e também se adapta frequentemente às habitações humanas rurais, paredes e tetos móveis à noite em busca de presas de insetos. O Tokay é uma lagartixa grande, com até 30 cm de comprimento.
Infelizmente em algumas áreas a população vem diminuindo devido a captura. Tem pessoas que “pensam” que elas tem poderes sobrenaturais e afrodisíacos.

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Uma coisa que temos feito nas hospedagens no sudeste asiático é, sempre que possível, colocarmos a “Minhoca” no quarto conosco. Os países são super seguros por aqui, mas em todo o caso preferímos ela pertinho de nós para dormirmos todos juntos.
Este foi um quarto bem simples que alugamos por uma noite no vilarejo de Vieng Kham, sul do Laos. Pagamos 6 dólares o quarto, com ventilador. A noite faz calor, mas como é outono, somente com ventilador dá pra dormir confortavelmente.

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Kip.
Este é o nome do dinheiro do Laos. Na época que passamos pelo Laos ( Outubro de 2019 ), 1 dolar americano comprava 8700 kips aproximadamente.
O idioma do Laos é escrito com um alfabeto todo desenhado, praticamente o mesmo da vizinha Tailândia.

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No sudeste asiático são comuns hospedagens assim. Cada um aluga sua “mini casinha” por uma noite. (Vilarejo de Ban Kham Keo, sul do Laos).

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Uma das comidas que comemos mais no Sudeste Asiático são as sopas de noodles, com nomes diferentes dependendo do país, mas presentes em todos praticamente. É uma sopa com macarrão, temperos, verduras e algum tipo de carne. Os preços giram em torno de 1,5 a 2 dólares e ficamos satisfeitos após uma pratada.

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As 11:30 da manhã normalmente ainda estamos pedalando e sempre passamos em frente a alguma escola. Este é o horário de saída dos alunos para o almoço. Paramos em um mercadinho na frente de uma destas escolas nas proximidades da cidade de Thakhek e fiz esta foto. Duas coisas chamam a atenção aqui. Eles utilizam muito mais as bicicletas no Laos, diferentemente do Vietnam, onde as crianças e adolescentes saem com suas motinhas elétricas e assim como na maioria dos países do sudeste asiático, a galera se preocupa muito com a radiação solar por aqui e as pessoas se cobrem bastante e usam sombrinhas desde jovens.

Thakhek ( Lao : ທ່າ ແຂກ) é uma cidade no centro-sul do Laos, capital da província de Khammouane. Localizada ao longo do rio Mekong, em frente à cidade tailandesa de Nakhon Phanom, tem cerca de 70.000 habitantes.
A cidade tem várias casas que datam da época da colonização francesa. O Wat de Sikhottabong, localizado na margem do Mekong a seis quilômetros ao sul da cidade, abriga uma stupa de 30 metros de altura construida no início do XIX século.
A cidade nos surpreendeu. A cidade é estruturada e bem cuidada. Demos sorte e chegamos em um dia de festividades, com uma competição de tradicionais barcos a remo no rio Mekong. Passeamos pelo centro, tomamos caldo de cana e visitamos um mercado de rua cheio de vida e comidas estranhas. Havia a possibilidade de cruzar para a Tailândia já nesta cidade, mas decidimos ficar um pouco mais no país e descer mais ao sul.

No Laos aproveitamos a oportunidade de provar o churrasquinho asiático, que tem um jeito bem diferente de preparar do que estamos acostumados no Brasil. Primeiro colocamos em uma bandeja os tipos de carnes que queremos (pegamos carne de gado, miudos de frango e alguns frutos do mar), depois o garçon prepara uma fogueirinha na mesa e coloca uma grelha diferente com uma área onde vai água onde são cozidas verduras e o restante do preparo é com a gente. Valeu a diversão e ficou gostoso.

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Templos budistas estão por todos os lados no Laos, mesmo nos vilarejos pequeninos encontramos alguns templos bem bonitos. Este foi no caminho entre Thakhek e Savannakhet, próximo ao vilarejo de Keng Kabao.

 

Pedalamos algum tempo ao lado do rio Mekong, no Laos. Estradinhas pequenas, a maioria das vezes com asfalto e pouco movimento, passando por diversos pequenos vilarejos e por vezes até com uma área de descanso como esta, onde fizemos um lanchinho da tarde antes de terminarmos o dia.

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A casa da “soneca”
No sudeste Asiático é comum encontrar estas casinhas onde as pessoas fazem suas refeições e depois tiram uma soneca. Normalmente ficam na frente das casas e estabelecimentos comerciais próximos as estradas. Esta da foto ficava ao lado da casa da família que cuidava de um pequeno hotel na estrada próxima ao vilarejo de Ban Keng Kabao, onde passamos uma noite.

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As casas altas.
O sudeste asiático tem grandes áreas de relevo plano que ficam bem alagadiças nas épocas chuvosas. No Laos há muitas destas casas elevadas do chão por pilares. Na época seca, as famílias utilizam esta área para estacionar veículos, se reunirem, criar animais, colocar redes, etc… Estas casas também são muito presentes nos outros países vizinhos.

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Em um de nossos trechos finais no Laos (antes da cidade de Savannakhet), decidimos aproveitar a oportunidade da temporada mais seca, saindo um pouco das estradas com asfalto e nos aventurarmos pelas trilhas e estradas alternativas que o GPS nos mostrava (utilizamos o aplicativo OsmAnd+ no celular). Foi um longo dia percorrendo cerca de 60 km de trilhas e pequenas estradas de terra, com trechos arenosos, esburacados, atravessando rios e pontes meio despedaçadas. Ficamos cansados mas valeu a aventura do dia. A natureza ficou ainda mais exuberante indo por estas pequenas estradas, passando algumas vezes por pequeninos vilarejos, quase sem movimento, com exceção de alguns moradores locais em suas motos ou tratores. Creio que na época de chuvas, monções, muitos destes trechos ficam intranspassáveis.

Antes de chegarmos a cidade de Savannakhet fizemos um desvio para visitar uma antiga e importante Pagoda.
That Ing Hang é um importante local de culto, não apenas para os budistas do Laos, mas também para os budistas tailandeses que vivem no norte da Tailândia. A torre do século XVI tem cerca de 9 metros de altura e acredita-se que abriga um dos ossos de Buda.
No caminho há muitas barraquinhas vendendo oferendas feitas com flores de Lotus e folhas de bananeiras.

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“Não pode bicicleta na ponte”. Com esta frase fomos surpreendidos depois de passar a aduana do Laos sentido Tailândia, antes de cruzarmos uma das Pontes de Amizade entre os dois países. Esta ponte ficava na cidade de Savannakhet, nosso último lugar de pernoite no Laos. A ponte cruza o rio Mekong e chega a cidade de Mukdahan na Tailândia. Como já havíamos estampado a saída do Laos nos nossos passaportes, ficamos quase 1 hora ali tentando resolver a situação, pois bicicletas e pedestres não podem trafegar pela ponte. Há um ônibus que faz este pequeno trajeto e que a princípio não queria levar a bicicleta por ser muito grande, mas depois que dividimos o quadro em 2 partes e retiramos as bagagens, o motorista percebeu que ela ficava compacta e aceitou colocá-la no porta malas. Benditos acopladores de quadro. Pagamos cerca de 2 dolares por pessoa e a travessia de ônibus levou uns 5 minutos. Chegamos na Tailândia, remontamos a bike e seguimos para cruzar a aduana do país. Mostramos nosso certificado internacional de vacinação da Febre Amarela e como brasileiros não precisam de visto para a Tailândia por 90 dias, rapidamente cruzamos a fronteira.

Gostamos bastante do estilo tranquilo do Laos para viajar de bicicleta, uma população simples e hospitaleira, vilarejos em meio a belas paisagens de natureza tropical e preços muito amistosos para nossas economias. Esperamos que o país melhore do ponto de vista econômico e infra-estrutural para que sua população tenha melhor qualidade de vida e um futuro mais promissor.

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