Iran – Viajando de bicicleta por terras persas. Hospitalidade e história. Trecho 1, da fronteira com a Armênia a cidade de Hamedan. (for other languages please use the website or browser translator).

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O Iran foi um país muito intenso para nós, em todos os sentidos e faremos um post especial sobre este assunto posteriormente (Terceiro Post). Aqui vamos nos ater mais ao roteiro e algumas histórias pelos caminhos.

O país é enorme, com uma variedade de idiomas, culinária e costumes regionais dos quais não fazíamos ideia antes de visitarmos. Existem muitas noticias negativas na midia em geral, o que gera nos estrangeiros receios, medo e insegurança para visitar o Irã. Ficamos quase 2 meses viajando pelo país, pedalamos cerca de 1400 km e outros 1400 km percorremos de ônibus e carro, e uma coisa podemos garantir, pelo menos na nossa experiência, foi um país muito seguro e tranquilo para viajar de bicicleta e principalmente muito hospitaleiro em relação ao visitante estrangeiro em geral.

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Neste Post falaremos sobre o trecho entre a fronteira com a Armênia até a cidade de Hamedan. Pedalamos 700km neste percurso e cruzamos províncias com costumes e até idiomas diferentes.

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Entramos no Iran por uma pequena fronteira no sul da Armênia. Foi tudo muito tranquilo e após cruzarmos um rio que separa os dois países (Armênia e Irã), fomos prontamente comprimentados por um soldado iraniano com um sorriso no rosto nos vendo entrar de bicicleta: “Welcome to Iran”. Um país totalmente diferente e desconhecido por nós, mas sentimos logo na entrada que seria mais uma aventura surpreendente.

Saímos da Armênia com a sensação de que as montanhas haviam terminado, mas logo percebemos que esta parte do Irã (Azerbaijão Oriental) ainda apresentam um relevo bem montanhoso. O treinamento que tivemos na Armênia foi muito bom para isso. Apesar de mais difícil, o relevo montanhoso apresenta belas paisagens.

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Os primeiros quilômetros foram margeando o rio Aras,  que divide o Irã e Armênia e depois faz fronteira com o Naquichevão (uma república autônoma do Azerbaijão).

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O povo iraniano tem um hábito muito bacana, fazer picnic. Principalmente na Sexta-feira que seria como o nosso Domingo para eles, é muito comum ver dezenas de famílias e amigos fazendo picnics em parques, áreas gramadas ou próximos a rios e lagos. Estas áreas são perfeitas para acampar nos outros dias, quando tudo fica mais calmo e na nossa primeira noite no Irã, acampamos tranquilos em uma destas áreas ao lado do rio Aras, próximo a cidade de Siahrud. Escolhemos um lugar mais escondido da visão dos carros que passavam pela estrada e também sem acesso para veículos, mas mesmo assim escutamos alguns “Hello” até o começo do anoitecer, hehehehe.

Algumas das belas paisagens na primavera Iraniana, Província do Azerbaijão oriental. Com o final do inverno tudo ficou verdinho, florido, mas as montanhas ao ainda apresentam belos picos nevados. No Irã há montanhas enormes com até mais de 5000 metros de altura enfeitando o fundo das paisagens.

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Por todos os campos por onde passamos avistamos os pastores e seus rebanhos de ovelhas. Quando acampamos selvagem, as vezes somos cumprimentados por alguns deles passando.

(Acampamento próximo a cidade de Hadi Shahr, proovíncia do Azerbaijão Oriental)

Mudamos um pouco nossos hábitos de vestir para seguirmos as regras no Iran, afinal “Em Roma, faça como os Romanos”. A Flavinha passou a usar o véu ou algumas vezes um Buff para cobrir os cabelos, camisa longa e com mangas compridas e sempre uma calça. Eu, Thiago, estou sempre usando calças compridas. Também tenho usado mangas compridas, mas neste caso é para proteger do sol, que é forte por aqui, mesmo na primavera.
Ambos já nos acostumamos e nos sentimos confortáveis assim. Algumas vezes, quando não tem ninguém por perto da barraca, a Flavinha tira o véo, mas se algum homem se aproxima, é aquela correria para recolocar.

Paramos na cidade de Marand por um dia para descansarmos. Passeando pela cidade na compania de simpáticos iranianos, descobrimos coisas interessantes sobre a história desta milenar cidade. A história da cidade remonta à era pré-islâmica. Dois historiadores europeus descreveram as lendas locais que colocaram o local do enterro da esposa de Noé em Marand. Ambos os autores sustentaram que o nome da cidade significa “a mãe está aqui”, referindo-se à esposa de Noé. Lá, fomos recepcionados pelo Yashar, que faz parte da comunidade @warmshowers_org . Ele nos ajudou a comprarmos um chip de celular e nos apresentou seus amigos, com quem conversamos e passeamos pela cidade. Ele não podia hospedar viajantes em sua casa, mas nos ajudou a encontrar um lugar bem econômico e tranquilo para passarmos a noite.

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Enquanto caminhávamos pelas ruas de Marand fomos abordados por um simpático rapaz, que nos perguntou de onde somos e se poderíamos conversar um pouco com sua turma do curso de Inglês. Nossas experiências conversando em escolas sempre foram muito boas e aceitamos o convite. No final da tarde entramos na aula de inglês de uma turma de jovens muito animados e curiosos, o professor muito hospitaleiro nos deu as boas vindas. Não somos nativos em língua inglesa mas nos viramos bem com o idioma. No Irã, principalmente em cidades menores, os estudantes de língua inglesa nem sempre tem a oportunidade de encontrar estrangeiros para treinarem conversação e esta foi uma oportunidade para eles, que estavam muito animados. Novamente foi uma experiência muito interessante para ambas as partes. Nós pudemos tirar várias dúvidas deles sobre o Brazil e nossa viagem, assim como perguntamos várias coisas sobre o Irã, costumes e cultura locais.

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As estradas no Iran sempre apresentam vendedores de guloseimas saudáveis deliciosas pelos caminhos. São produtos locais com ótimos preços, qualidade e sabor. Na maioria das vezes são frutas secas (figos, damascos e tâmaras), nozes e mel. Sempre que podemos fazemos uma parada para repor nosso estoque energético nestas vendas.

Neste dia, decidimos parar cerca de uns 40 quilômetros antes de Tabriz próximo a um pequeno vilarejo chamado Sahlan, já era uma área bem urbanizada em sem lugares interessantes para acampar. Mas mesmo assim avistamos uma área rural lateral a rodovia, que já estava com muito movimento, e empurramos a bicicleta até lá. Conseguimos montar a barraca e passar uma noite tranquila.

Tabriz (em persa: تبریز, em azeri Təbriz; em armênio/arménio: Թավրիզ) é a capital e a maior cidade da província do Azerbaijão Oriental, no Irão. Localiza-se nas proximidades do lago Úrmia. É a maior cidade do noroeste do Irã, com cerca de 1.500.000 habitantes. Apesar da cidade ser grande, foi tranquilo entrar pedalando na sexta-feira (dia de descanso dos islâmicos). A cidade tem lugares bonitos e interessantes para conhecer, assim como uma história muito rica. Ficamos por 3 noites para passear, descansar e nos planejarmos melhor para os dias seguintes.

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Na cidade de Tabriz ficamos em um hotel mais simples e com custo que encaixava nas nossas economias. No Irã os Hoteis normalmente não apresentam preços baratos, mas procurando bem é possível encontrar hospedagens e pensões mais simples com preços mais em conta, por volta até de cerca de 9 USD por noite em um quarto de casal com banheiro dentro. A baguncinha básica de ciclo-viajantes faz parte.

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Na cidade também encontramos @davidpiule1,um ciclo viajante Catalão de Mataró, com uma incrível história de vida. Passeamos pela cidade juntos e viajamos alguns dias juntos também depois de Tabriz.

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Passeando pelo antigo Bazar de Tabriz, o acaso nos levou a conhecer mais um incrível personagem de nossa viagem, o Sr. Arshang. Em meio ao labirinto do Bazar, reparei nesse senhor que nos olhava conversando e decidi perguntá-lo um lugar bom para comer algo típico por ali. Foi então que ele nos perguntou de onde somos, se apresentou e pediu que nós o acompanhássemos. Ele nos levou então a um pequeno restaurante muito típico, frequentado apenas por locais, escondido em um cantinho do Bazar. La fomos recepcionados por outros senhores, amigos dele, que eram os donos do restaurante. Ele pediu pratos típicos para nós e com um inglês impecável nos contou sua história de vida e explicou vários assuntos de seu país, mas o mais legal era que entre um assunto e outro, ele parava e fazia um número de mágica para nós. Ele fez questão de pagar a conta e nos acompanhar até a saída do Bazar, onde fez mais uma mágica na rua e se despediu de nós e como num passe de mágica, sumiu também. Foi tudo muito autêntico e divertido, nunca vamos nos esquecer.

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(centro de Tabriz)

“Are you tourists?” Esta é uma pergunta comum que recebíamos no Irã, sempre acompanhada de um sorriso e logo depois de um “Welcome to Iran”. O povo iraniano foi muito hospitaleiro conosco.

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Nossa saída da cidade de Tabriz foi animada, na companhia do casal de cicloviajantes iranianos em sua tandem (@hossein.tabriz.bicycle ) e do catalão @davidpiule1 . Depois de cerca de 10 km, os simpáticos iranianos voltaram e nós 3 seguimos viagem rumo sul.

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Pouco tempo depois de entrarmos no Irã começou o Ramadã, período em que os muçulmanos fazem jejum enquanto há luz do sol. Como somos turistas e estamos viajando, podemos comer e beber água durante o dia sem problemas, mas mesmo assim sempre que possível preferímos ser discretos e não comermos na frente deles. No horário do almoço saímos por alguma pequena via paralela, encostamos a bicicleta em algum lugar e fazemos nosso picnic mais discretamente.

Nem sempre é fácil encontrar o lugar ideal para acampar. Como gostamos de lugares mais escondidos e longe de cidades ou rodovias, saímos por umas pequenas estradas paralelas para encontrar um cantinho mais confortável. As vezes cruzamos uns riozinhos, o que é bom pois água não vai faltar. Após Tabriz nossa primeira parada e camping selvagem, na companhia do Catalão David, foi próximo a um pequeno vilarejo chamado Khaneghah. O único barulho a noite foi dos grilos e dos trens que passavam.

Na cidade de Maragheh fomos recebidos pelo simpático casal Nima e Habibeh (@snowydays.ir ), que também viajam bastante de bicicleta e participam do @warmshowers_org . Eles foram muito hospitaleiros e amistosos, nos prepararam deliciosas comidas, passearam conosco pela cidade, nos ajudaram a comprar algumas peças para a bicicleta e fizeram um divertido passeio pela natureza com direito a picnic. No final ainda fizeram um “filtro dos sonhos” artesanal e nos presentearam. Vamos pendurá-lo dentro da barraca para dormirmos melhor ainda.

Maragha, também chamada de Maragheh(em persa: مراغه) é uma cidade e a capital da província de Maragha, localizada no Irã. Segundo o censo de 2006, tem uma população de 146.405 habitantes e o idioma mais falado é a língua azeri.
Passeamos um pouco pela cidade e conhecemos um pouco das belezas e história locais.

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(Bazaar verde de Maragheh)

Quando se fala em Irã no Brasil, uma das primeiras coisas que vêem a cabeça de muita gente é “deserto”. Lá vimos que o país é enorme a apresenta todos os tipos de climas, relevos e vegetações, inclusive áreas mais desérticas no centro do país, mas isto não foi o que mais vimos. Vimos muitas áreas verdes, pomares, rios, montanhas nevadas e na primavera belos campos floridos. Grande parte deste “verde” que víamos enquanto pedalávamos vai parar nas feiras dos vilarejos e cidades, tudo muito fresco e saudável. Os iranianos consomem muitas saladas e ervas, que dão um sabor especial aos pratos.

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Vimos muitos destes carros pelo Irã. Muitos deles passavam por nós e curiosos diminuiam a velocidade para nos observar e muitas vezes dar uma buzinadinha acompanhada de um “hello”. O Paykan (persa: پيکان, que significa Flecha) foi o primeiro automóvel fabricado no Irã produzido pelo Irã Khodro (anteriormente chamado de “Iran National”) entre 1967 e 2005. O carro era muito popular no Irã desde sua introdução até a sua descontinuação. Foi muitas vezes coloquialmente referido como a carruagem iraniana.

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E assim, saindo da cidade de Maragheh com rumos diferentes, nos despedimos de mais um cicloviajantes que dividiu conosco momentos de nossa viagem. @davidpiule1 , Catalão, seguiu sentido Tehran e nós continuamos sentido sul para Hamedan.

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O Irã apresenta estradas menores que podem ser uma boa opção para escapar das rodovias mais movimentadas. Muitas destas estradinhas tem bom asfalto e belas paisagens rurais. Neste dia paramos para almoço, sentamos no chão perto da bicicleta e um senhor camponês veio com um pano e fez questão que sentássemos em seu gramado para almoçarmos.

No final da tarde, depois de passarmos pela cidade de Miandoab, o céu escureceu devido a uma forte tempestade que se aproximava. Ao longe vimos o galpão de uma fábrica em meio as pastagens e seguimos o mais rápido para aquela direção. O portão estava aberto, entramos e nos refugiamos em uma área coberto logo que a tempestade começou. Logo depois um rapaz passou nos olhando e nos chamou para tomarmos chá na cozinha. O rapaz era um dos donos da fábrica de farinha, que era chefiada por ele e seus irmãos. Depois de poucos minutos já estávamos rodeados pelos curiosos funcionários. Com muita hospitalidade eles nos convidaram para dormirmos na empresa, que possuia banheiros com duchas quentes e uma cozinha que pudemos usar. O nome da empresa segundo os donos era “Felicidade” em persa, e foi uma felicidade para nós escaparmos da tempestade e dormirmos tranquilos em um lugar tão amistoso.

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Levamos uma mosquiteira conosco há muito tempo, e depois de quase de 5 meses de inverno rigoroso deste a Bulgária até a Armênia não havíamos usado, pois acho que os mosquitos estavam morrendo de frio como nós hehehehe. Mas agora que as temperaturas estão subindo novamente aqui no Irã, os pernilongos voltaram e voltamos a utilizar a mosquiteira. Consideramos um item interessante em levar em uma viagem longa de bicicleta.

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A segunda maior utilidade do footprint da barraca é virar uma cobertura de emergência para proteger de uma tempestade no meio da estrada. Ficamos cerca de 1 hora esperando a tempestade passar para seguirmos rumo a Shahin Dej.

Logo após um dia de tempestades que intermitentes, paramos em um posto de gasolina e perguntamos se haveria um lugar onde poderíamos descansar um pouco ou colocar nossa barraca de camping para passarmos a noite. Os donos do posto nos levaram então a uma sala de reza feminina, que não estava em uso ainda e disse que poderíamos ficar ali sem problemas. O lugar foi perfeito para nós, era confortável, seguro, com banheiro ao lado e eles ainda colocaram um aquecedor elétrico dentro da salinha para ficarmos quentinhos. A noite a tempestade continuou, mais uma vez a hospitalidade das pessoas nos ajudou muito ☺.

Escolhemos normalmente estradas menores, que passam por vilarejos e cidades onde turistas não são muito comuns. Então quando passamos, com uma bicicleta dupla toda cheia de bagagens, é aquela animação local e quando paramos em algum mercado para fazer compras normalmente em poucos minutos já estamos cercados de pessoas…. hehehe…

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Com os dias mais longos e quentes na primavera, voltamos a fazer mais paradinhas, como para tomar um sorvete ou sentar, papear e beber um café. Depois de quase 5 meses enfrentando climas frios e dias mais curtos, estávamos sentindo muita falta destas paradas estratégicas.

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No meio da tarde, próximo ao vilarejo de Sanjud, completamos 18000 km pedalados e paramos para tirar uma foto.

Logo após a cidade de Sanjud começamos a procurar um lugar para acampar e passamos em frente a um restaurante. O lugar todo era uma pequena vila de pessoas de etnia Curda, muito simpáticos e hospitaleiros. Depois do almoço nem precisamos comentar que buscávamos um lugar para dormir, eles mesmos ofereceram que dormíssemos no restaurante no final do expediente a noite. Passamos a tarde tranquilos por alí e a noite também foi bem sussegada e eles ligaram o aquecedor para ficarmos quentinhos. O único susto foi quando de repente, lá pela meia noite, ouvimos eles abrirem a porta do restaurante e chegou um outro rapaz para dormir lá também, um caroneiro meio perdido hehehe.

O Irã, no momento em que estávamos por lá, apresentava preços bem acessíveis para hospedagens mais simples. O caminho foi bonito e tranquilo até a cidade de Takab, onde ficamos em um pequeno hotel somente descansando as pernas das pedaladas e as costas dos acampamentos selvagens pelo caminho. Depois de 5 minutos no quarto, já havíamos favelizado tudo hehehe. A maior desvantagem em ficar em hospedagens pagas é que perdemos o contato com as pessoas locais quando estamos na casa de alguém ou até acampando selvagem, mas as vezes sentimos um pouco a falta de privacidade e quando queremos ficar mais quietinhos é uma boa opção.

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Este é o tipo de pão que mais encontramos por todos os lados no Irã e com preço muito bom. Depois que a massa passa por uma máquina, ela sai bem fininha, é colocada rapidamente no forno e em poucos segundos esta pronto. Ele fica quebradiço quando seco, mas basta umidecê-lo um pouco que ele volta a ficar macio.

Após um longo dia de sol e sobes e desces ( esta parte do Irã é montanhosa, Província do Curdistã) e paradas para picnics pelos caminhos, chegamos próximo a um rio (Ghezel Ozan). De um lado um pequeno vilarejo (Salvatabad) e do outro lado uma grande área verde e enorme pomar de macieiras, todas floridas. Fomos nos embrenhando até lá e foi um lugar perfeito para passarmos uma tarde e noite bem tranquilos.

Vimos pelo mapa que haveria um rio e uma ponte, possivelmente interessante para acampar e pedalamos sentido nosso próximo lugar de acampada, próximo ao vilarejo de Konamar. Mas quando chegamos lá que vimos realmente o quão alta e gigantesca era a ponte. Fizemos uma volta no final da ponte e entramos por uma pequena estrada de terra até chegarmos próximo do rio. Escolhemos o lugar de mais difícil acesso, o que favoreceria uma noite tranquila, sem outros visitantes. O lugar foi muito bom para acampar. No final da tarde nos escondemos do sol sob a sombra dos pilares da ponte e a noite colocamos a barraca mais afastada um pouco, a Flavinha estava com medo que pudesse cair um carro da ponte…Vai saber né… Arrumamos até um tapetinho para colocar na porta da barraca. O por e nascer do sol foram muito bonitos e com belas paisagens.

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Em alguns restaurantes, principalmente em cidades menores, é comum ver este modelo mais tradicional de restaurante, onde as pessoas se sentam nestes tablados cobertos por tapetes e almofadas, tudo criando um ambiente muito aconchegante. Paramos neste para almoçar e descansar um pouco antes de continuarmos.

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No final da tarde chegamos em um parque na pequenina cidade de Gol Tappeh, Iran, e em poucos minutos a “Minhoca” já estava cercada de crianças super empolgadas e curiosas com nossa presença por alí. Era divertido ver o brilho nos olhos deles.

Junto com a criançada estava o Sr. Javad, na companhia do jovem Daniel, seu filho. Com a ajuda de algumas palavras que aprendemos e do Google tradutor conseguimos conversar um pouco e em poucos minutos ele já ofereceu sua casa para passarmos a noite, mal sabíamos que uma maravilhosa noite nos esperava. Chegando a casa deles fomos recebidos por sua família com muito carinho. Apelidamos sua esposa de “Mama” Leila, pois ela cuidou de nós com uma mãe. Lá tomamos banho quente, lavamos nossa roupa, o sr Javad fez Kebab para nós e sua esposa preparou deliciosas comidas e chás. Na hora de dormir fizeram questão de oferecer o quarto deles para nós. O café da manhã fizemos todos juntos no outro dia e então nos despedimos desta incrível família que nos acolheu por 1 dia. Essas pessoas incríveis sempre gravando momentos inesquecíveis da viagem em nossas mentes.

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De Gol Tappeh até Hamedan, o trecho foi predominantemente plano e descida, com paisagens de montanhas ao fundo.

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Logo antes de chegarmos a cidade de Hamedan, contactamos através do @warmshowers_org o simpático Sina. Ele estava começando a viajar de bicicleta e disse que não poderia nos hospedar em sua casa mas se ofereceu para ajudar com o que fosse preciso e ele realmente nos ajudou, e muito. Ele conseguiu um hotel com preço bom para nós dois, nos levou em pontos turísticos da cidade e nos ajudou com manutenção que precisamos fazer na bicicleta. Como ele sabia que precisaríamos ir a Tehran resolver o visto com o Turcomenistão, acabamos fazendo negócio e por um preço camarada, ele nos levou a Tehran no seu carro e ficamos hospedados na casa dos irmãos dele. Ele falava muito bem o inglês e facilitou muito nossa comunicação. Pudemos conversar sobre os mais variados assuntos e tirar muitas dúvidas. No final de alguns dias juntos já estávamos amigos e foi muito legal conhecer este simpático iraniano, seus irmãos e amigos.

A cidade de Hamedan foi uma parada estratégica para nós. Tudo que aconteceu por lá e o desenrolar de nossa viagem pelo Irã será contado no Post seguinte, o trecho 2 de nossas pedaladas em terras persas.

trecho 2 ->

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