Pandemia, longa pausa e replanejamento.(For other languages, please use the internet or browser translator)

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A nossa espera por uma melhora no cenário mundial devido a pandemia pelo novo Corona Virus (COVID-19) depois de mais de 40 dias parados na Nova Zelândia não sinalizava uma melhora.

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Nossos planos seriam voar da Nova Zelândia para os Estados Unidos no final de Março, e de lá ir sentido sul voltando para casa, com cerca de 1 ano de viagem pela frente e aproximadamente 12 mil quilômetros por vir.

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Porém, depois de mais de 40 dias parados na Nova Zelândia, na casa dos amigos brasileiros Felipe e Marina, que moram em Auckland, começamos a ficar desconfortáveis. Eles sempre foram muito hospitaleiros conosco, mas antes do Lockdown o combinado era ficarmos 5 dias e não 40. Após este tempo todo já sentíamos a ansiedade de tanto tempo parados e muitas incertezas com relação ao futuro de nossa viagem, mais do que o habitual, e estávamos preocupados por estarmos tirando a privacidade e liberdade deles na casa, ainda mais em tempos de confinamento por tanto tempo, quase o tempo todo juntos na casa.

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Foi então que surgiu um vôo de repatriação para o Brasil para o dia primeiro de Maio. Já com visto emergencial e nesta situação de incertezas, a Flávia decidiu que seria melhor irmos para nossa terra natal, mais próximos de nossos familiares nesses tempos difíceis e então aguardarmos por lá. Como em um casamento, uma pessoa tem sempre a razão e a outra é o marido (brincadeiras a parte), enviamos nossos documentos e reservamos nossos lugares no vôo.

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Dia 1 de Maio pela manhã nos despedimos dos amigos queridos Felipe e Marina, que nos acolheram por tanto tempo na casa deles na Nova Zelândia ( somos eternamente gratos a estes queridos ) e pegamos uma carona com o Felipe até o aeroporto.

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O vôo foi estranho, foi algo tão súbito e inesperado, uma pandemia mundial, o mundo de cabeça pra baixo e muitos pensamentos na cabeça durante o trajeto. Cerca de 24 horas depois, chegamos em solo brasileiro. Foi estranho, o que levamos mais de 2 anos e meio de bicicleta, em cerca de 1 dia fizemos de avião.

Os planos a princípio seriam esperar até Julho no Brasil e se a situação mundial melhorasse com relação a pandemia e viagens internacionais, comprarmos uma passagem de São Paulo aos Estados Unidos e continuar com o trajeto planejado. Mas como em toda longa viagem de bicicleta e na vida em geral, muitas vezes as coisas não saem como planejado.

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No começo de Julho, já há 2 meses vivendo em uma casa em Taubaté, que pertence a Flávia e desalugou, por sorte, cerca de 1 mês antes de nosso retorno para o Brasil, começamos a criar apego pela casa e pelas muitas plantas que adquirimos (um mini jardim botânico praticamente).

Nestes 2 meses reformamos a casa toda por nós mesmos e deixamos ela um “cantinho” muito acolhedor para passarmos os tempos de quarentena durante a pandemia. Recebemos queridos amigos viajantes de bicicleta e até a visita de beija-flores. Tudo isto foi muito bom para distrair nossa mente. Mas Julho chegou e a situação no mundo continuava muito incerta, principalmente para viagens internacionais. Os vôos estavam escassos e caros, o dinheiro brasileiro havia se desvalorizado, os EUA não estavam aceitando viajantes vindos do Brasil, uma vez que era um país em época de pico da doença. Começamos a ver outras possibilidades, mas muitas fronteiras entre os países ainda estavam fechadas e os vôos inexistentes, raros ou muito caros. Além disso ainda não havia uma vacina, um tratamento efetivo comprovado cientificamente e a doença continuava a se espalhar e fazer vítimas.

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Com tudo isto, nos sentíamos desconfortáveis em continuar viajando, com o risco de nos contaminarmos ou carrearmos a doença para outras pessoas. Outro ponto que pesava muito para nós era a interação social. Uma das coisas que mais valorizávamos na nossa viagem e que era um dos pilares dela, era nosso relacionamento com a população local e o acolhimento, tudo isto agora seria muito difícil devido a pandemia e continuar viajando sem isto deixou nossa viagem sem muito sentido.

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Pensamos bastante e decidimos, com dor no coração, reduzirmos nossa viagem em cerca de 1 ano (12000 km) e fazermos o último trecho dela somente no Brasil mesmo. Partindo no final de Julho de Taubaté para a cidade de Jales, onde iniciamos nossa volta ao mundo 3 anos atrás. Esta longa viagem nos ensinou muitas coisas e algumas delas foram: “não se pode ter tudo”, “o melhor não é chegar, mas aproveitar o caminho” e “as vezes o melhor caminho é desviar”.

Precisávamos destes últimos  km pedalados da cidade de Taubaté até Jales, foram muito simbólicos para nós terminarmos a viagem pedalando. Isto fechou este ciclo de muitos aprendizados para a vida e ajudou a digerirmos tantas emoções da viagem e colocarmos nossas idéias em ordem.

“Mas esperar até quando? Por quantos meses mais?” Depois de 3 anos viajando e mais de 28 mil quilômetros, acho que foi uma decisão acertada em meio a esta confusão que estava o mundo devido a pandemia. A maioria dos viajantes de longa distância que conhecemos durante o caminho já haviam terminado suas viagens antes do planejado e retornado para casa pelos mesmos motivos que nós. Alguns poucos guerreiros ainda insistiam em tentar continuar viajando e esperavam em vários lugares pelo mundo, o momento certo para recomeçarem. Estávamos felizes já pelos muitos quilômetros, aprendizados, momentos intensos e experiências de vida que tivemos nestes 3 anos pelo mundo de bicicleta e também conformados. Decidimos que estava na hora de encerrar este ciclo da melhor maneira possível, pedalando. Temos outros planos além de viajar de bicicleta e acho que chegou o momento de começarmos a focar em novos projetos.

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O cenário ainda era muito incerto em relação a pandemia, seguimos principalmente por estradas pequenas e rurais, evitando lugares turísticos, aglomerações e tentando acampar selvagem o máximo possível. Desde que eu, Thiago, cheguei ao Brasil ainda não havia visto meu pai e irmão que moram na região de Jales. Não tínhamos carro, nossas carteiras de motorista estavam vencidas e ir em um ônibus cheio de gente até lá não seria a melhor opção. O ponto final: o estacionamento do Hospital de Câncer de Barretos (atualmente Hospital de Amor), filial localizada na cidade de Jales.

Que venham nossos últimos quilômetros pedalados nesta intensa volta ao mundo de bicicleta. O que será que nos espera nestes quilômetros finais pelo nosso querido Brasil? Bom, este assunto ficará para um próximo post.

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