Norte da Itália. Pedalando de Como a Gorizia. Mamma Mia!! (For other languages, please use the website or browser translator).

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Entramos na terra da macarronada pela cidade de Como, vindos da Suiça. Depois de cruzarmos um passo de montanha tranquilo (Monte Ceneri), chegamos rapidamente a cidade de Como na Itália, conhecida por suas gravatas. O nosso percurso neste país foi de cerca de 450 km e ficamos na porção norte, seguindo sentido Veneza e depois Gorizia, para entrarmos na Eslovênia.

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A cidade de Como é uma cidade fronteiriça com a Suiça, antiga, bonita e localizada as margens de um belo lago, onde fizemos uma parada para almoçar e apreciar a paisagem. O clima estava bem quente, pois era verão na Europa.

A itália não apresentada uma rede cicloviária rica, porém apresenta muitas estradas rurais, a maioria delas asfaltadas, tranquilas e perfeitas para viajar de bicicleta. Depois do almoço continuamos por estas pequenas estradas sem saber onde iríamos passar a noite ainda. Próximo a cidade de Capiago Intimiano, avistamos ao lado da pista uma saida de terra que seguia entre uma pequena floresta morro acima. Entramos para procurar um local mais escondido para acampar. Na Itália, assim como todos os países da União Europeia, o camping selvagem é proibido, mas é tolerado dependendo do local.

Passamos uma casa onde havia uma torneira ao lado de fora e um gramado bem aconchegante ao lado da garagem, mas como não avistamos ninguém decidimos continuar mata adentro pela estradinha, procurando um lugar longe das casas. No final da trilha havia um apiário e um outro gramado. Enquanto a Flavinha ficou por ali, eu fui até a casa pegar um pouco de água na torneira que havia ao lado de fora. Neste momento enquanto eu enchia um saco estanque com água, ouvi uma voz de uma menina pela janela “Bisogno?!” (Que seria tipo um “Precisa de algo?”). Me aproximei da janela e haviam duas irmãs me olhando com cara de assustadas, me apresentei e como uma delas falava inglês, expliquei melhor que estávamos procurando um lugar para acampar por ali e elas me pediram para esperar enquanto elas telefonavam para os pais.

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Depois de alguns minutos elas abriram a porta e se apresentaram, Olga e Matilde. Elas disseram que os pais delas nos ofereceram o gramado ao lado da garagem da casa deles para colocarmos nossa barraca de camping. Agradeci e voltei para trazer a Flavinha e a bicicleta. Montamos acampamento e logo depois chegaram o pai e a mãe das meninas, um casal italiano muito simpático e que já havia viajado muito quando mais jovens. No final da tarde eles nos convidaram para jantarmos com eles e bebermos vinho. Na nossa primeira noite na terra do “Mamma mia” já experimentamos uma bela pasta, vinho e cultura italianos.

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No dia seguinte, nos despedimos desta família tão simpática e acolhedora e continuamos pelas pequenas estradas rumo ao vilarejo de Curno, onde seríamos hospedados pelo casal Wladimir e Daniela, que contactamos através do Warmshowers. Mesmo estando atarefados cuidando do filho deles, o pequeno Denis de apenas 2 meses, eles nos receberam calorosamente, prepararam uma comilança e nos levaram para passear pela região de Bérgamo. Depois de 2 divertidos com este casal super simpático, partimos sentido Lago D´Iseo, pois queríamos conhecer a ilha lacustre de Monte Isola. Foi então que fomos surpreendidos novamente, a família da Daniela tinha uma casa e um Bed and Breakfast a beira do Lago di Éndine e nos convidaram para pararmos por lá.

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Wladimir nos acompanhou pedalando até o vilarejo onde a família da esposa tem parentes, o vilarejo de Monasterolo del Castello. Lá estava a maior festança italiana, com piscina, mesa cheia de gente, vinho e delícias da culinária local. No final da tarde depois de tomarmos muita cerveja e grappa, a irmã da Daniela e o cunhado, Elena e Michelle, nos convidaram para dormirmos por lá e nos presentearam com um dos quartos do hotel deles.

No outro dia bem cedo fomos sentido ao Lago D´Iseo, que apresenta uma paisagem linda para pedalar e pegamos um ferry que nos levou até a ilha de Monte Isola. Esta é considerada a maior ilha Lacustre da Europa e é ótima para pedalar, pois apresenta apenas pequenas estradinhas asfaltadas que dão a volta na ilha toda e apresentam trânsito de pessoas e pequenas lambretas apenas. Fizemos nosso almoço em uma área de picnic por lá e depois saímos pelo outro lado da ilha onde pegamos outro ferry e saímos do lago. Como neste dia completamos 1 ano de viagem (30 de Julho de 2018), decidimos ficar em um camping as margens do lago para comemorar.

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No camping recebemos um desconto por estarmos de bicicleta e nos divertimos nadando no lago. Nos sentimos diferentes de quando saímos, mais resistentes fisicamente e mentalmente, mais conectados com a natureza e com a nossa essência talvez. Nadamos mais em rios, lagos e mares do que antes, dormimos sob as estrelas e sobre a grama ou terra, vivemos tranquilamente com muito menos coisas materiais do que antes, sabemos identificar cheiros de flores e até de alguns animais por onde passamos, sentimos quando uma chuva se aproxima mesmo quando o céu parece inocente. Olhamos as pessoas com muito menos rótulos e preconceitos. Hoje sabemos realmente o que é sentir frio e calor difíceis de suportar e nos admiramos em ver onde é possível chegar com uma bicicleta, um veículo muito mais simples e sem tanto “glamour” social quanto seus “parentes” mais modernos e motorizados. Não sabemos realmente onde esta viagem vai nos levar, mas aprendemos a aproveitar muito melhor o caminho. E viva o banho quente no fim de um dia frio e uma bebida gelada refrescando um dia quente (no nosso caso uma cervejinha [Thiago] e um chá gelado [Flavinha]).

Desmontamos acampamento no dia seguinte e seguimos sentido Verona, onde queríamos conhecer a casa do Romeu e da Giulietta. No caminho passamos pela bela cidade de Padova e aproveitamos para comprar um pote de sorvete de 1 litro no supermercado e como estava o maior calor, comemos inteiro sem dó nem piedade, hehehe. Conhecemos também o Lago di Garda, que fica pelo caminho, um lugar muito bonito.

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Tentamos warmshowers e couchsurfing em Verona, sem sucesso. Ficamos então em um camping muito bem localizado e cheio de outros cicloviajantes, situado no centro da cidade, com um visual incrível pois ficava no alto. A cidade é bonita e muito interessante para conhecer. Visitamos a casa da Giulietta, que estava cheia de turistas por todos os lados.

Depois de 2 dias em Verona, continuamos por pequenas estradas rurais sentido Veneza.

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Passando pelo pequeno vilarejo de Agugliaro no final da tarde, vimos um parque municipal com um gramado perfeito e mesas de picnic. Perguntamos para algumas moradores locais se haveria algum problema passar uma noite por alí e eles disseram que não. No final da tarde montamos nossa barraca e quando foi lá pela meia noite acordamos achando que estava a maior tempestade, mas na verdade era o sistema de irrigação do gramado. Por sorte não colocamos a barraca em cima em cima de um dos esguichos de água.

Veneza é uma cidade muito turística e com hospedagem cara. Sabendo disso, preferimos ficar em um camping no vilarejo de Fusina, às margens do mediterrâneo, e com um ferry ao lado que vai e volta todos os dias de Veneza. O camping era enorme, muito bem estruturado e bonito. Foi uma ótima opção.

O trânsito de bicicletas e outros veículos por Veneza é praticamente impossível, com exceção de raros veículos locais e claro, barcos e gôndolas. Deixamos a bicicleta no camping e pegamos o ferry boat para conhecer essa pitoresca cidade. A cidade é bem turística, com a Praça de San Marco lindíssima em seu centro histórico. Os canais com as gôndolas passando são um charme a parte, mas os valores cobrados saiam muito do nosso orçamento restrito (30 minutos de passeio custam 80 euros por gôndola). Conseguímos ver caminhando boa parte do que as gôndolas percorrem, então quem sabe numa próxima viagem faremos este passeio. Outro ponto que nos fez perder um pouco a vontade de passear de gôndola foi que se transformou em algo muito comercial e quando os gondoleiros percebiam que nós eramos turistas estilo econômico, logo viravam as costas e passavam outras pessoas na nossa frente.

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Viramos nossa bússola sentido Eslovênia e voltamos pra estrada.

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“Ciao. Da dove vieni?” Com esta pergunta conhecemos o Marco, no pequeno vilarejo de Fossà, interior da Italia, enquanto pegávamos água em uma fonte em uma igreja.
Perguntamos se ele conhecia algum lugar onde poderíamos acampar alí por perto e ele prontamente ligou para o responsável pelo vilarejo e arrumou um lugar super bacana para nós, em um gramado ao lado de uma escola de musica. A noite ele foi até lá e levou duas cervejinhas e fatias de melancia para nós, mais uma pessoa muito boa que conhecemos. Antes de dormirmos e no outro dia depois de acordarmos, ainda tivemos boa musica de fundo vinda da escola.

No final da tarde, passamos por um pequeno vilarejo chamado San Gervasio, notamos que havia um parque que era de responsabilidade de uma agremiação local. Entramos e conhecemos o simpático senhor Roberto. Mesmo com nosso italiano mais ou menos, conseguimos nos comunicar. O sr Roberto foi super hospitaleiro, nos deixou acampar lá, deixou o banheiro aberto para podermos utilizar e ainda nos deu dois sorvetes de presente. A noite tomamos banho de canequinha em uma fonte de água que havia por lá e deixamos nossas roupas para secar na cerca ao lado do parque.

A caminho da nossa última cidade em terras italianas, Gorizia, passamos por diversos vilarejos e ao lado de uma igrejinha em um deles, aproveitamos um gramado para fazermos nossa “ciesta” depois do almoço e logo antes de chegarmos a Gorizia completamos 10000 km pedalados.

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Na cidade italiana de Gorizia, logo na fronteira com a Eslovenia, fomos recebidos pelo cicloviajante e warmshowers Ennio. Ele foi super hospitaleiro e nos fez sentir em casa. Dividimos cervejas, queijos e muitas conversas. Mesmo trabalhando o dia todo, ele arrumou um tempinho para nos mostrar um pouco desta cidade fronteiriça tão rica em histórias e nos levou a uma festa tradicional que acontece nesta época do ano. Mais um amigo que fizemos durante esta viagem tão especial.

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Nosso anfitrião tinha um paredão de treinar escalada em sua casa. Resultado, nós dois aproveitamos um tempo em que estávamos a sós por lá e fomos experimentar. Conclusão, melhor continuarmos só pedalando mesmo, hehehe.

A cidade de Gorizia e toda esta região da Italia tem toda uma história de frontes de batalhas em diversas guerras que passaram por aqui. Visitamos o Museu da Guerra na cidade para entendermos um pouco mais do que se passou por aqui. Viajando entendemos muito melhor o que aprendemos um dia na escola. Achamos tudo interessante, mas ao mesmo tempo triste quando o assunto se trata de guerras.

E assim encerramos nossa passagem por esta terra cheia de comida boa, pessoas hospitaleiras, bons vinhos e ótimas estradas rurais para pedalar.

Ciao adorabile Italia…

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