Turquia de bicicleta – Parte 1: Fronteira com a Bulgária (Malko Turnovo) a Istambul [A região da Trácia]. (For other languages, please use the browser or internet translator)

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A Turquia foi um dos países em que mais tempo ficamos, praticamente 3 meses pedalando de norte a sul e leste a oeste, fugindo do frio extremo nos Balkas e também na região da Georgia e Armênia, nossos próximos países. Mesmo assim o inverno turco não foi fácil de encarar, mas as belezas do país e hospitalidade do povo tão amável que vive por lá, deixou tudo melhor.

Dividímos a nossos posts sobre a Turquia em várias partes, pois são muitas histórias para contar e lugares interessantes que cruzamos.

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Pedalamos quase 3000 quilômetros neste país de belas paisagens, rico passado histórico e povo acolhedor.

Vamos começar pelo trecho entre a fronteira com a Bulgária, mais precisamente entre as cidades de Malko Turnovo e Kirklareli, até a capital turca, Istambul, onde fizemos uma parada estratégica após cerca de 230 quilômetros pedalados neste país. Não foi a toa que fizemos este roteiro passando pela cidade de Kirklareli. Logo antes de entrarmos na Turquia, fomos contactados através do Instagram por um casal de Turcos, Erdinç e Sirin, que também gostam de viajar de bicicleta. Para nossa surpresa e felicidade fomos convidados para o casamento deles, que aconteceria lá.

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Dinheiro Turco, Lira, cheio de “bigodudos” estampados. 

Para chegarmos no prazo, tivemos que encarar esta pequena fronteira montanhosa entre a Bulgária e Turquia, com temperaturas de – 5C lá em cima e uma nevasca caindo. Na subida conseguimos ir bem, sem sentir tanto frio, mas quando paramos para esperar a fiscalização de fronteira, nosso suor logo congelou e quase viramos duas pedras de gelo, batíamos os dentes e tremíamos mais que máquina de lavar com pé quebrado, esperando nossos passaportes. O fiscal Búlgaro olhou para nós e disse em inglês: “Vocês são heróis mesmo hein! Ta um pouco frio para subir de bicicleta aqui”. Demos um sorriso congelado, agarramos nossos passaportes com as mãos trêmulas e entramos na Turquia.

Logo após isso começou uma longa e congelante descida. O sol surgiu e a altimetria menor fez a temperatura aumentar e nos sentimos mais confortáveis. Até a bicicleta melhorou, pois a mistura de barro congelado estava emperrando os cabos de marcha e freios e uma das nossas garrafinhas de água rachou com a água congelada por dentro.

No caminho já sentimos a hospitalidade do povo turco, que acenava para nós em seus carros e tratores. Sentimos também uma melhora na qualidade das estradas e da infra-estrutura do país.

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A cidade de Kirklareli é uma cidade de médio porte e chegando por lá, logo nos dirigimos a uma loja de telefonia movel para comprarmos um simcard local. Compramos um chip da empresa TurkCell e contactamos os noivos. Logo eles viaram ao nosso encontro. Conhecemos então pessoalmente os simpáticos Erdinç e Sirin, que estavam tão felizes quanto nós em conhecermos uns aos outros. O casamento seria celebrado em Kirklareli, porém nós ficaríamos hospedados em um alojamento para viajantes de bicicleta em outra cidade, Luleburgaz, onde mora a família do Erdinç. Então, eles colocaram nossa bicicleta em uma van e nos levaram até lá.

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Em Luleburgaz ficamos hospedados em uma “Clube da Bicicleta”, um lugar muito bonito e bem estruturado, que conta também com alojamentos, cozinha, banheiros e máquina de lavar. Depois de passarmos nossa primeira noite na Turquia lá, os noivos vieram na manhã seguinte nos buscar e nos levar de volta a cidade de Kirklarei, para as festividades do casamento.

Como não tínhamos todas as peças de roupas adequadas ao evento, os noivos nos emprestaram as deles. Foi um casamento lindo e muito diferente para nós. Além disso ainda conhecemos as famílias dos dois, experimentamos muitas comidas deliciosas e arriscamos uns “passinhos” das danças típicas turcas. No final do casamento eles nos levaram de volta para Luleburgaz e como estava tarde, dormimos na casa do pais do Erdinç e voltamos para a “Academia da Bicicleta” na manhã seguinte.

A academia da bicicleta”@luleburgazbicycleacademy . Trata-se de um complexo que promove o uso da bicicleta e recebe viajantes de bicicleta, tudo através de um projeto da prefeitura. O lugar é muito bonito e bem estruturado e fomos recebidos calorosamente pelo Atıf e Inanç, que são voluntários lá. Logo depois chegou o Ricardo, do que faz uma longa ciclo-viagem com o nome “The Bamboo Trip” , e passamos dias divertidos.  Conseguimos descansar, lavar nossas roupas, passear um pouco pela cidade, fazer amizades, solucionar algumas dúvidas e nos programarmos melhor para o nosso trajeto pela Turquia.

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As estradas na Turquia nos surpreenderam. As vias menores são normalmente asfaltadas e as vias maiores tem acostamento, o que facilitou muito nossa vida, principalmente nesta região próxima a Istambul, onde o tráfego é o mais intenso do país.

De Luleburgaz seguimos até a cidade de Çorlu, onde fomos recebidos pelo Melih (através do Warmshowers) e sua família. Passamos momentos divertidos e de muita comilança com eles. O Melih já havia feito muitas viagens de bicicleta e entende muito de mecânica de bikes, tanto que hoje começou a produzir as primeiras bicicletas de cicloturismo de marca turca (@satraicycle ). A sr Fatma, mãe do Melih, ensinou muitas receitas para a Flavinha e só falava em turco com ela, e a Flavinha acabou aprendendo um pouco da língua turca por osmose mesmo hehehe. Enquanto eu ficava na bicicletaria com o Melih, a Flavinha ajudava a Sra Fatma na cozinha ou nas compras pela cidade.  Na nossa última noite por lá o Ricardo Martins ,do @thebambootrip, apareceu por lá também e deixou a mesa de jantar mais animada ainda, teve até leitura da borra de café com muitas risadas.

Entrar em Istambul pedalando não é fácil, mas nosso plano de entrar pouco a pouco estava dando certo e estava sendo menos estressante. O trânsito ia ficando mais intenso a medida que nos aproximávamos da capital turca. Depois de Çorlu, paramos em uma cidade de nome complicado chamada Büyükçekmece. Lá encontramos um clube de ciclismo e o pessoal que estava por lá conseguiu falar com um casal de turcos muito especial, que recebem ciclistas atraves do Warmshowers. Apesar de eles estarem super atarefados, eles nos levaram para a casa deles e cuidaram de nós como dois filhos por 2 dias. Eles eram muito divertidos. Burğa é professor de inglês e muito hospitaleiro, Dilara é professora de turco, divertida e cozinha muito bem. Resumindo, passamos 2 dias incríveis de muita comilança e boas conversas com estes turcos incríveis.

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Depois de Büyükçekmece, fomos em direção a Avcilar e completamos 14000 km pedalados.

Em Avcilar, já na região metropolitana de Istanbul,  fomos recebidos pelo simpático casal Ismail e Zahida (warmshowers) . Eles adoram receber viajantes na casa deles e prepararam uma tipica mesa de jantar turca quando chegamos. Eles inclusive já visitaram o Brasil e gostaram bastante. Adoramos ficar na casas de pessoas pelos caminhos pois ajuda muito na imersão cultural. Eles nos levaram para passear, nos apresentaram seus amigos e fomos inclusive ao trabalho do Ismail conhecer seus amigos.

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O Ismail e a Zahida além de muito atenciosos, foram muito hospitaleiros a pacientes conosco. Nossa parada em Avcilar foi estratégica, pois estávamos próximos do natal e nesta época do ano vem a maior saudades da família e dos amigos. Então nos programamos antes de entrarmos na Turquia, fizemos diversas contas e decidimos comprar passagens de avião de Istambul para São Paulo, fazer uma surpresa de natal e ano novo para as famílias e depois voltarmos para Istambul e continuarmos nossa viagem. Ou seja, como chegamos antes do nosso vôo em Avcilar , que fica próximo ao aeroporto, ficamos quase 10 dias hospedados na casa do Ismail e Zahida e para irmos para o Brasil, deixamos a bicicleta e quase todas nossas bagagens lá. Viva a hospitalidade turca e este casal tão hospitaleiro que nos aguentou por tanto tempo, hehehehe.

Enquanto ficamos em Avcilar aproveitamos para descansar, nos programarmos para a pausa no Brasil e roteiro depois da volta para a Turquia. Fomos passear e conhecer melhor a região e confraternizar com nossos anfitriões e seus amigos. Completamos 500 dias de viagem no dia 12 de Dezembro e também comemoramos com eles.

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O Ismail é professor de inglês e tivemos a honra de conversar com crianças em uma escola, contarmos um pouco da nossa viagem, respondermos as perguntas feitas em inglês por elas e passarmos algo de positivo neste momento tão importante na formação desta nova geração. Foi muito bom ver aqueles olhinhos cheios de vida e inocência em nossa direção, muitas vezes nos tornamos adultos e perdemos um pouco disso. Falando com estas crianças conseguimos recuperar as crianças que temos dentro de nós, elas tem muito a nos ensinar também. Na hora de dar um recado a elas, falamos: “Passamos por muitos lugares neste mundo e conhecemos muitas pessoas, todas elas boas. As pessoas tem diferentes religiões, tons de pele, aparência e classe econômica, mas são todas iguais e todas devem ser respeitadas e tratadas igualmente.”

Avcilar é conectada a zona metropolitana de Istambul. Com um cartão de transporte público, bastava colocar dinheiro nele e poderíamos utilizar ônibus, metrô e bondes. Foi o que fizemos e em cerca de 40 minutos estávamos no centro antigo de Istambul, aproveitando o tempo antes de voarmos para o Brasil para visitarmos essa cidade histórica e cheia de vida. Visitamos os principais pontos turísticos e saímos a noite com outros ciclo-viajantes que conhecemos por lá.

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Istambul (em turcoİstanbul), a antiga Bizâncio e Constantinopla (nome ainda usado em várias línguas, como no grego ΚωνσταντινούπολιςKonstantinúpolis), é a maior cidade da Turquia e a quarta maior do mundo, rivalizando com Londrescomo a mais populosa da Europa, com 15 029 231 habitantes na sua área metropolitana (2017).[3] A grande maioria da população é muçulmana, mas também há um grande número de laicos e uma ínfima minoria de cristãos e judeus.

É a capital da área metropolitana (büyükşehir) e da província de Istambul, a qual faz parte da região de Mármara. No passado foi a capital administrativa da Província de Istambul, na chamada Rumélia ou Trácia Oriental. Foi denominada Bizâncio até 330 d.C., e Constantinopla até 1453, nome bastante difundido no Ocidente até 1930. Durante o período otomano, os turcos chamavam-na de Istambul, nome oficialmente adotado em 28 de março de 1930.

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Foi a capital do Império Romano do Oriente e do Império Otomano até 1923, cujo governante máximo, o sultão, foi durante séculos reconhecido como califa, o chefe supremo de todos os muçulmanos, o que fazia da cidade uma das mais importantes de todo o Islão. Atualmente, embora a capital do país seja Ancara, Istambul continua a ser o principal polo industrial, comercial, cultural e universitário (aí estão sediadas mais de uma dezena de universidades) do país. É a sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, sede da Igreja Ortodoxa.

A cidade ocupa ambas as margens do estreito do Bósforo e do norte do mar de Mármara, os quais separam a Ásia da Europa no sentido norte-sul, uma situação que faz de Istambul a única cidade que ocupa dois continentes. A parte central da parte europeia é por sua vez dividida pelo estuário do Corno de Ouro. É usual dizer-se que a cidade tem dois ou três centros, conforme se considere ou não que na parte asiática também existe um centro. No lado europeu há duas zonas com mais destaque em termos de movimento de pessoas e património cultural: o mais antigo, onde se situava o núcleo da antiga Bizâncio e Constantinopla, correspondente ao atual distrito de Fatih, fica a sul do Corno de Ouro, enquanto que Beyoğlu, a antiga Pera e onde se situava o bairro europeu medieval de Gálata, fica a norte. O centro da parte asiática tem contornos menos precisos, e ocupa parte dos distritos de Üsküdar e Kadıköy. Algumas zonas históricas da parte europeia de Istambul foram declaradas Património Mundial pela UNESCO em 1985. Em 2010, a cidade foi a Capital Europeia da Cultura. Devido à sua dimensão e importância, Istambul é considerada uma megacidade e uma cidade global.

Como Istambul é uma cidade gigante, com tráfego intenso e por vezes um pouco desorganizado, consideramos a capital “não amiga da bicicleta” e fizemos todos os deslocamentos a pé e com transporte público.

Chegou então a data do nosso vôo para o Brasil e estávamos ansiosos em rever nossas famílias e amigos. Tudo foi uma grande surpresa, pois nenhuma das famílias ou amigos sabiam desta nossa visita. Depois de um longo vôo, chegamos no aeroporto internacional de São Paulo no final da tarde do dia 20 de dezembro de 2018, pegamos um ônibus para a região mais central da cidade e então começaram as surpresas. Foi tudo muito emocionante para todos. O vídeo abaixo mostra um pouco como foi esta surpresa.

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Esta viagem surpresa para o Brasil abalou um pouco nosso orçamento apertado, mas valeu muito a pena, foi muito rever tanta gente querida por nós e matar um pouco as saudades de todos.  Com as baterias emocionais recarregadas, voltamos para a estrada no começo de Janeiro de 2019, depois de cerca de 20 dias no Brasil, aterrisando em Istambul de volta e iniciando nosso trecho asiático.

Este primeiro trecho de Turquia não foi tão bonito de paisagens, uma vez que é uma parte muito urbanizada e modernizada do país, mas a medida que fomos indo rumo ao sul e interior do país, as paisagens foram ficando mais interessantes e pudemos experimentar também a vivência dos pequenos vilarejos.

Continuação na Parte 2.

 

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