Turquia de bicicleta – Parte 2: De Istambul a Capadócia. (For other languages, please use the browser or internet translator)

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Depois de nossa visitar surpresa ao Brasil, regressamos a Istambul, pegamos nossas coisas que estavam na casa dos warmshowers Ismail e Zahida, encontramos pessoalmente e finalmente com o amigo brasileiro e cicloviajante Isra Coifman (LifeLapse), para o qual trouxemos algumas guloseimas e encomendas do Brasil.

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Neste Post de número 2 da Turquia, vamos falar sobre o caminho que fizemos da capital turca até a bela e pitoresca região da Capadócia. Este trecho foi mais longo que o primeiro e percorremos cerca de 1400 km de Istambul até a pequena cidade de Göreme, mais especificamente. Fizemos este trajeto um pouco mais longo, pois escolhemos a Turquia para passarmos o inverno e ao mesmo tempo visitarmos lugares interessantes que haveriam pelo caminho, desfrutando da grande hospitalidade das pessoas neste país e da tranquilidade em acampar selvagem. Este trecho todos pedalamos juntos, nós e o amigo Isra Coifman.

Bom, começando então esta parte por Istambul, o amigo Isra nos acompanhou até a casa de outro simpático e hospitaleiro casal de cicloviajantes turcos, o Marco e a Bashak (700binkm), que também são warmshowers. Lá fomos surpreendidos por uma recepção com muito carinho, cervejinhas e delícias da culinária turca, preparadas pela Bashak. Conhecemos também o simpático casal de cicloviajantes Dori e Alan (@singeronabike ), um casal de turcos, Hazar e Tuna, que viajam de kombi (@gezginkafalar) e nos divertimos com nossos anfitriões.

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Aproveitamos os dias na casa dos nossos anfitriões para os últimos ajustes e manutenção na bicicleta antes de voltarmos para a estrada.

O trânsito em Istambul é pesado e nada amigável para bicicletas, ainda mais bicicletas pesadas. Decidimos então deixar a capital pegando um ferry boat na estação Pendik, que nos levou até o outro lado do Mar de Mármara. Desembarcamos na cidade de Yalova, bem mais tranquila para pedalarmos e seguirmos viagem.

Na cidade de Yalova, enquanto aguardávamos a chegada do nosso warmshowers, fomos surpreendidos pelo simpático Mohtazar, um iraquiano que estava vivendo na Turquia e nos vendo ali parados com as bicicletas e cara de perdidos, logo veio ao nosso encontro com frutas para nos oferecer. A hospitalidade sempre muito presente nesses lados do nosso planeta.

A parte mais interessante da viagem para nós são nossos encontros com outras pessoas pelo caminho e é sem dúvida o que mais nos enriquece. Na cidade de Yalova, Turquia, fomos hospedados pelo divertido Uğur e foi mais uma grande experiência cultural para nós. Ele é da etnia Curda e com isso aprendemos mais sobre este povo e sua cultura. Ele fala turco e curdo, que diferente do que pensávamos é uma língua totalmente relacionada com o idioma persa. Ele nos ofereceu sua casa para descansarmos por uma noite, preparou chá e ofereceu diversas delícias culinárias preparadas por ele e sua família, com direito a “jogo da memória” antes de dormirmos. “Sipas Uğur”.

De Yalova seguimos sentido Bursa, mas optamos por estradas menores e margeando quando possível o Mar de Mármara. Continuamos com nossa rotina de procurar áreas de picnic para almoçarmos  quando possível. Na turquia, muitos postos de gasolina tem mesas de picnic, já as estradas pequenas em boas condições não são tão abundantes ou tem extensão curta. As vias maiores tem acostamento, então foi razoavelmente tranquilo viajar de bicicleta por aqui.

As margens do Mar de Mármara e seguindo por estradas menores, próximo ao vilarejo de Altintas, encontramos uma área bem tranquila. Perguntamos a algumas pessoas que cuidavam de oliveiras plantadas por ali e eles disseram que era bem calma acampar neste local. Montamos nosso acampamento e curtimos o final de tarde com uma bela paisagem. Mesmo próximos do mar a noite foi de temperaturas próximas a zero.

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No outro dia cedo, desmontamos acampamento e começamos o dia com uma longa subida, as vezes nos perguntam se empurramos nossa bicicleta durante a viagem.. “Ohhh, muitas vezes”.

Decidimos acampar próximos ao grande lago Ulubat, na Turquia, e aproveitar para visitarmos a histórica, pitoresca e milenar cidade de Gölyazı ou Apollonia. A Flavinha perguntou a algumas mulheres que colhiam azeitonas sobre acampar na região e elas indicaram que fôssemos próximos ao vilarejo de Gölyazı, mais precisamente em um local onde se encontravam vários pescadores. Chegando lá conhecemos duas pessoas muitos hospitaleiras que trabalhavam por lá, um turco e o outro sírio. O lugar tinha uma paisagem muito bonita do lago e montamos nosso acampamento por lá. Para nossa surpresa no comecinho da noite, Ahmed, o sírio, apareceu com três pratos de peixes para nos presentear e estava uma delícia. No outro dia nos despedimos dos amistosos pescadores e seguimos para conhecer o vilarejo histórico.

Acordamos cedos do nosso acampamento selvagem as margens do lago Ulubat e fomos conhecer a pitoresca cidadela Gölyazı, Turquia.
Gölyazı foi fundada pelos gregos antigos, mas os restos do período romano são abundantes. Possivelmente fundada como uma colônia por Mileto, a antiguidade da cidade é apoiada por moedas de 450 ac, que carregam o símbolo âncora de Apolo e que foram atribuídas por alguns estudiosos a este Apolônia. A cidade experimentou prosperidade sob os Attalids durante os tempos helenísticos.
O imperador romano Adriano visitou a cidade e, no período bizantino, pertencia à diocese de Bithinya e Nicomédia. Em 1302 o rei otomano Osman refugou-se no castelo depois da Batalha de Bapheus mas recuou.

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A natureza é sempre surpreendente. Nossa tandem parece enorme, mas ficou pequenina diante desta gigante anciã com seus mais de 750 anos de idade, imponente na entrada do milenar vilarejo de Gölyazı, Turquia.

Chegamos no final de tarde na pequena cidade de Uluabat, ainda próxima ao enorme lago Ulubat. As margens do rio Çapraz Çay encontramos uma área verde e plana, perfeita para colocarmos nossa barraca. O dia todo foi nublado e com garoa fina, mas quando chegamos lá o sol apareceu para nos aquecer e deixar nosso camping mais agradável. Neste lugar só era possível chegar caminhando ou de bicicleta mesmo, o que deixou nossa noite mais tranquila ainda. Conseguimos fazer uma fogueirinha no final de tarde antes de dormirmos.

O inverno além de frio é chuvoso na Turquia, quando não esta nevando. Por isso estamos sempre prestando atenção a lugares cobertos para acampar. Após a cidade de Susurluk avistamos em um posto de gasolina uma pequena construção em forma de caverna. Entramos no restaurante do posto com nosso cartão escrito em turco, perguntando sobre um lugar para acampar e apontamos para a caverninha. Para a nossa alegria a resposta foi positiva. Ali ficamos protegidos da chuva e do vento e tivemos uma noite bem tranquila. Gostamos de passar uma noite na “casa dos Flintstones”, hehehe.

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Nossa barraca de camping pode parecer meio exagerada para apenas 2 pessoas. Levamos uma quickhiker 4 da quechua, com 3,9 kg no total, um quarto para 4 pessoas e um avanço espaçoso. Achamos que vale a pena carregar este peso a mais e podermos desfrutar de conforto e principalmente espaço para cozinhar e fazer nossas coisas quando o tempo está hostil do lado de fora. Outra grande vantagem é que sempre podemos receber visitas na nossa varanda e prepararmos comida juntos. Na noite da “caverna dos Flintstones”, o amigo Isra nos visitou para o jantar 😊.

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No dia seguinte pela manhã o tempo continuou nublado e frio. Por muitos quilômetros e dias o nosso céu ficou assim, carregado de nuvens cinzentas. Mas nada que o bom coração e hospitalidade do povo turco não resolvessem. Entre uma chuvinha e outra o sol apareceu e conseguimos secar nossas coisas e apreciarmos bonitas paisagens também.

Na cidade de Balıkesir, depois de dias chuvosos acampando selvagem, fomos recebidos pelos hospitaleiros turcos Kaya e Suat, que contactamos através do Warmshowers.org . Conseguimos tomar um banho quente, lavar nossas roupas, descansar um pouco, conhecer a cidade e conversar bastante com estes simpáticos amigos. O Suat não falava inglês, mas o Google tradutor deixou tudo mais fácil. Adoramos conhecer estas incríveis pessoas que deixam nossa viagem especial.

Depois de um dia longo de chuvas e subidas, o Isra avistou ao lado da pista um restaurante com uma cobertura enorme e um local interessante para acampar em um dia chuvoso. Chegando mais perto vimos a bicicleta dele parada por lá, entramos, tomamos um chá e pedimos para acampar por alí, apontando a área coberta. Deixaram a gente passar a noite ali e foi muito bom acordar com tudo seco pela manhã.

O dia seguinte não teve paisagens interessantes e o tempo seguia chuvoso. Nas rodovias maiores, muitas vezes pedir para acampar em Postos de gasolina pode ser uma boa, principalmente quando tem uma área gramada favorável. E foi o que fizemos quando encontramos um no final da tarde deste dia.

Os dias estavam muito chuvosos, nossos esquipamentos de camping molhados, nossas roupas não secavam e então decidimos dar uma pausa nas nossas acampadas e procurar um lugar mais quentinho e coberto. Na cidade de Manisa não conseguimos nenhuma hospedagem solidária (warmshowers), então procuramos uma pensão que coubesse no nosso orçamento e rachamos um quarto entre nós três. O preço de um quarto de pensão para 3 pessoas girou em torno de 100 reais com café da manhã. Depois de uma ducha quente, tudo ficou melhor hehehe. Conseguimos secar nossas roupas e no outro dia continuamos viagem rumo a enorme cidade de Izmir.

Nossa panela #seatosummitgear morreu. Adorávamos esta panela, era grande, leve e ficava bem compacta quando dobrada. Depois de 4 anos de uso, sendo o último 1 ano e meio de uso diário e intenso, ela não aguentou e sucumbiu. A tampa, de acrílico, já havia quebrado a muito tempo atrás, mas a panela seguia firme. Foi então que neste dia, lavando a panela, aconteceu o fim dela, a união entre o silicone e o fundo metálico rasgou, descolou e a panela “morreu”. Acabamos comprando uma panela tradicional, com Teflon (a da seatosummit não tinha este revestimento, o que considerávamos um outro ponto negativo). R.I.P. SeaToSummit pan.

No dia seguinte saímos de Manisa sentido Izmir, que estava próxima. Durante nossas andanças pela turquia, esta é uma cena frequente que tem nos deixado muito tristes: muito lixo espalhado por todos os lugares.
Nas grandes cidades e vilarejos, na beira das rodovias e estradas rurais e até mesmo próximo a fontes de água e ao redor de rios temos notado muito lixo espalhado, principalmente plástico, algo que chamou muito nossa atenção. O país tem pessoas muito hospitaleiras e boas e lugares muito bonitos, mas parece que o lixo esta um pouco fora de controle por aqui. Tivemos a mesma sensação na Albânia e em alguns trechos da Grécia. Neste dia paramos em um lugar com uma paisagem bonita, ao lado de uma fonte de água, para fazermos um picnic e a quantidade de lixo jogado por alí era assustadora, tudo espalhado em meio a natureza e a poucos metros de uma enorme lixeira de metal. É algo preocupante. Muitos e muitos lugares que seriam incríveis para fazer um picnic ou acampar selvagem estão com muito lixo espalhados, uma pena.

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Sempre ficamos um pouco tensos antes de entrarmos pedalando em longos túneis, mas desta vez, diferente da Bósnia, a experiencia não foi assustadora. Este túnel localizado no trecho entre Manisa e Izmir (Sabuncubeli tüneli), tem cerca de 4 km de extensão, é muito bem sinalizado, iluminado e apresenta um acostamento por onde pudemos pedalar tranquilamente.

Tivemos a sorte de ser hospedados por uma menina incrível e suas amigas divertidas na cidade de Bornova, que é colada a Izmir. Elas são estudantes de odontologia e moram juntas. A Irem, Izem e Damla foram anfitriãs muito animadas. A Irem, que viaja de bicicleta, ficou sabendo de nossa passagem pela região de Izmir e nos convidou para ficarmos em seu apartamento. Bornova é colada a Izmir e assim escapamos de entrar em Izmir, uma cidade enorme com mais de 2 milhões de habitantes. Visitamos Izmir, mas utilizamos o transporte público e foi bem mais tranquilo. As meninas estudavam durante o dia, mas a noite quando elas voltavam era a maior diversão, com muitos jogos e bate papos.

Izmir é uma grande cidade localizada costa do mar Egeu. Apresenta o trânsito e agitação de toda grande cidade, mas ao mesmo tempo apresenta uma bela orla que gera tranquilidade e bazares coloridos cheios de vida e coisas muito interessantes.

Saindo de Izmir sentido Selçuk (Efesus) preferimos ir por pequenas estradas paralelas por ser bem mais calmo e tranquilo e foi uma ótima opção, mesmo pegando algumas duras subidas pelo caminho. O Isra era mais rápido que nós e em algum momento, em algum cruzamento em meio a pequenos vilarejos nas montanhas, nos perdemos dele e seguimos caminhos diferentes, mas para a felicidade de todos, nós e ele chegamos em lugares seguros e tranquilos para passar a noite e no outro dia nos reencontraríamos ☺.

Através do Warmshowers.org contactamos o Sr. Adnan, que vive em Selçuk, um lugar que queríamos conhecer na Turquia. Chegando lá, para nossa surpresa o Sr Adnan, além de muito hospitaleiro, disponibiliza uma pequena casa, toda com o tema bicicleta, para os cicloviajantes que passam por ali. O Isra chegou no dia seguinte pela manhã e ficamos por 3 noites nessa casa esperando o tempo chuvoso melhorar, aproveitando os intervalos das chuvaradas para conhecer a cidade.

Em Selçuk também comemoramos juntos 1 ano e meio de viagem. Compramos umas cervejinhas no supermercado e preparamos um jantar para nós três.

Visitamos o Museu em Selçuk e aprendemos um pouco sobre a história do Lugar. A Artemis Efésios, a “grande deusa mãe” também mencionada no Novo Testamento (Atos 19), era extremamente popular no mundo antigo, como podemos deduzir do fato de que cópias de sua estátua de culto foram escavadas em muitas partes do mundo relacionadas ao império Romano.
Selçuk, no passado Efesus, foi sede do maior templo de todos relacionada a esta deusa da antiguidade, infelizmente pouco restou hoje em dia. O tempo estava estremamente chuvoso em Selçuk e como já tínhamos em mente visitar outro sítio arqueológico greco-romano mais adiante (Hierápolis de Pamukkale), acabamos não indo as ruínas de Selçuk, mas fomos ao museu arqueológico, que apresenta uma coleção muito interessante de tudo que foi encontrado por lá, incluindo as estátuas da deusa Artemis, que achamos bem exótica.

O tempo finalmente melhorou, nos despedimos do Sr Adnan e seguimos viagem. No caminho para a cidade de Aydın fomos surpreendidos com uma novidade do amigo Isra . Em uma de suas paradas para um café, ele conheceu uma simpática turca chamada Betul e para nossa surpresa ela nos convidou para passarmos uma noite na casa de sua família na cidade de Aydın. Como adoramos estas experiências culturais e humanas que a viagem nos proporciona, ainda mais quando tudo ocorre de maneira tão natural, sem pensar duas vezes, aceitamos o convite. A família da Betul era especial, seus país (Sra Bedrie e Sr Rasul) mesmo não falando inglês se esforçavam para se comunicar conosco (e nós com nosso turco de poucas palavras) e foi tudo muito divertido e aconchegante. Nos sentimos em família em meio a eles. A hospitalidade do povo turco nos surpreendeu todos os dias. A Betul nos levou ainda para um city tour e foi sempre muito atenciosa. Até hoje ainda sinto o sabor das delícias culinárias que a sra Bedrie nos preparou com tanto carinho. Na hora de irmos embora nos despedimos com abraços apertado e ela ainda nos presenteou com uma caixa cheia de comidas gostosas para levarmos. Pessoas incríveis que fazem nossa viagem mais incrível a cada dia e nos ensinam muitas coisas boas.

Dias de sol começaram a ficar um pouco mais constantes, o que ajudava muito a aproveitarmos melhor a vaigem. Uma vez ou outra acabamos pegando uns estradões e aí nem sempre tem paisagens bonitas ou algo muito especial no dia, é apenas um dia de fazer quilômetros e se deslocar do ponto A ao B, muitas vezes sem saber onde vai estar o ponto B. Normalmente tentamos escapar do estradão na hora que procuramos lugar para acampar e neste dia saímos algumas vezes por estradas laterais mas logo voltávamos, pois devido a muitos dias de chuva seguidos, tudo estava muito barrento.

Já havia alguns dias que o cubo traseiro começou a fazer uns “cliques”, depois o rolamento do cassete começou a dar umas travadas que logo passavam. Já imaginei que algo estava errado com o rolamento do cassete. Como a maior cidade, com mais opções de bicicletarias e peças seria Denizli, decidimos arriscar e fomos levando. Neste dia, um dia antes de chegar em Denizli, a 60 quilômetros dela, o cubo morreu, com seus heróicos cerca de 9000 km rodados (eu havia colocado um cubo novo em Marrakech). Em uma tandem de viagem o que mais sofre são as rodas. O cassete girava em falso, pedalávamos e a bicicleta nem saia do lugar. Eu abri o cubo e fui procurar a “causa mortis”, bingo, “Falência de múltiplas pecinhas”, estava detonado o coitado.
O que fazer? Bom, enfiei tudo de volta de qualquer jeito e apertei o máximo que consegui até o rolamento do cassete travar. Beleza, conseguíamos fazer a bicicleta andar novamento pedalando, porém, com o cubo travado enquanto a roda girasse não poderíamos parar de pedalar. Pois é, conseguimos um lugar para acampar em um gramadinho ao lado de um posto de gasolina, já sabendo que o dia seguinte seria longo e ao mesmo tempo estranho…faz parte.

Para nossa sorte o dia seguinte foi de céu aberto e uma longa descida até a cidade de Denizli, apesar de um pneu furado pelo caminho. O cubo traseiro com o cassete travado aguentou o tranco e conseguimos aproveitar belas paisagens pelo caminho, com dinheiro a uma paradinha para um delicioso “pide”, comida típica local.

Na cidade de Denizli fomos recebidos pelo Bahri e sua família. Ele é muito hospitaleiro, educado e adora pedalar também. Sua família foi adorável conosco e ficamos por 2 noites na casa dele. Consegui trocar o cubo traseiro da bicicleta, visitamos a cidade histórica de Pamukkale (com a carona dele) e recarregamos nossas baterias comendo bastante e descansando. Sr Bahri também nos levou para visitar seus amigos no pequenino vilarejo de Yeniköy, localizado nas montanhas próximas a Pamukkale. Lá conhecemos seus amigos, conversamos e bebemos chá em uma típica sala turca.

Gostamos de visitar alguns pontos turísticos em nossa viagem, principalmente os naturais ou histórico-arqueológicos. A cidade de Pamukkales reune os dois.
Pamukkale (“castelo de algodão”, em turco) é um conjunto de piscinas termais de origem calcária que com o passar dos séculos formaram bacias gigantescas de água que descem em cascata numa colina, situado próximo a Denizli, na Turquia. A formação do Pamukkale deve-se aos locais térmicos quentes por baixo do monte que provocam o derrame de carbonato de cálcio, que depois solidifica como mármore travertino. Foi declarado Património Mundial da UNESCOjuntamente com Hierápolis em 1988.
Hierápolis (em grego: Ἱεράπολις; transl.: Hierapolis) foi uma antiga cidade localizada no vale do rio Lico, próxima as cidades de Laodiceia e Colossas, na região clássica da Frígia. Suas ruínas ficam ao lado da cidade de Pamukkale, na Turquia.
No inverno foi tranquilo de visitar pois quase não haviam turistas e para nossa sorte, tivemos um belo dia de sol.

Esperamos a roda traseira da bicicleta ficar pronta para sairmos, então nos atrasamos um pouco e o Isra saiu na frente com a missão de encontrar um lugar para acamparmos. Chegamos na Turquia fugindo do inverno Búlgaro que estava sendo rigoroso, mesmo um pouco menos ao norte, sabíamos que conforme fôssemos avançando para o interior do país, principalmente nas áreas montanhosas, mais cedo ou mais tarde o inverno rigoroso nos pegaria novamente e chegou a vez dele.
O clima no centro da Turquia durante o inverno é instável, principalmente nas áreas mais altas. As temperaturas ficam em torno de 7C durante o dia e entre 0 e -3C a noite, com oscilações imprevisíveis.
Na região de Serinhisar, após um longo dia frio, com ventos e ganho de altitude. No final da tarde chegamos ao local onde Isra já estava nos esperando. No final da tarde a temperatura era de cerca de 3C, com bastante vento, sem previsão de chuva ou nevascas. Colocamos então a barraca em uma área mais protegida do vento. Fizemos nossa rotina de camping e fomos dormir. De madrugada os ventos ficaram fortes e em todas as direções e a barraca chacoalhava como doida, mas não saia voando pois nestas áreas com muito vento sempre prendemos ela bem ao solo e colocamos umas pedras pesadas nas pontas.
Junto com o barulho da ventania havia um barulho que pensamos ser uma tempestade, mas, quentinhos no saco de dormir, não saímos para conferir.
No outro dia pela manhã notamos a barraca meio rebaixada e escura. Para nossa surpresa quando saímos estava tudo coberto com muita neve e ainda caía uma neve flocuda. Pois é, o “invernão” voltou para nos pegar de surpresa.

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Quem diria que depois de uma noite de nevasca e uma manhã fria com neve, a partir das 10 da manhã o céu abriria e sairia um sol forte que deixou o dia lindo para pedalar. Acho que dá pra perceber a felicidade no sorriso. Conseguimos secar nossas coisas, nos aquecermos e cairmos na estrada rumo ao Lago Salda, um lugar muito bonito e conhecido pelos turcos. A idéia foi ficar 2 noites por lá para descansar.

Chegamos no final da tarde as margens do lago Salda. O Isra já havia descolado um lugar bem bacana para acamparmos, uma área de camping municipal gratuita, bem tranquila fora da temporada de verão. O sol no dia seguinte deixou o lugar mais bonito, fizemos amizade com o responsável, Ramazan, com quem joguei gamão e conversamos com a ajuda do Google tradutor. A surpresa maior veio a tarde, quando a família que nos hospedou na cidade de Aydın (Sra Bedrie, Betul e seu irmão) viajou 2 horas de carro para nos visitar, trazer muita comida gostosa e passar o final de tarde conosco. Muita gente boa neste país. Estas surpresas boas dão um sabor especial a viagem.

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A área do lago cobre 4.370 hectares e sua profundidade chega a 196 metros, tornando-se um dos lagos mais profundos da Turquia, se não o mais profundo. Os registros sedimentares do lago mostram mudanças climáticas de alta resolução que estão relacionadas à variabilidade solar durante o último milênio.
Salda é frequentemente citado como parte da Região dos Lagos turcos, que corresponde às terras que se estendem do oeste interior ao sul da Anatólia, especialmente nas províncias dependentes de Isparta e Afyonkarahisar, embora o lago Salda esteja geograficamente separado dos lagos maiores, que são mais para o oeste e, sendo um lago de cratera, é morfologicamente diferente.

Depois de duas noites acampando ao lado do Lago Salda, fomos rumo a outro lago, o Burdur e decidimos acampar por ali pois o lugar é muito bonito. Como havia previsão com possibilidade de chuva procuramos um lugar abrigado. O Isra foi com a Flavinha conversar com um senhor que estava em um parque municipal à beira do lago enquanto eu cuidava das bikes. Com um pouco de insistência e bom papo, o senhor deixou que nós passássemos a noite em uma casinha de madeira bem bonitinha que havia por ali. As 19 horas o local fechou e passamos uma noite tranquila na casinha, com direito a água potável e banheiros 😊.

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Mesmo as pequenas estradas na Turquia nos surpreenderam pela qualidade e muitas delas tem um acostamento amplo. Pouco depois de sairmos da região de Burdur, entramos por uma destas estradas e enfrentamos uma longa subida. Chegamos a um vilarejo a mais de 1300 m de altitude e começou uma nevasca, rapidamente veio uma descida e neve se misturou com chuva. Chegamos na cidade de Isparta com frio e molhados, por sorte com hospedagem garantida na casa de um casal de ciclistas muito divertidos e animados, o Aydın e a Çirdem. Eles nos receberam com muita hospitalidade, sopa e chá quentinhos. Tomamos um banho quente e conseguimos nos reaquecer. Além da comilança e muitas risadas, eles ainda fizeram músicas ao vivo e animaram a noite. Não imaginávamos que um dia frio, chuvoso e cansativo iria terminar tão bem. O Isra saiu mais cedo que nós este dia e como não pegou a nevasca, aproveitou melhor a descida e continuou até o Lago Egirdir, onde esperaria por nós posteriormente.

Da cidade de Isparta até o lago de Eğirdir, onde paramos para encontrar o amigo Isra e acampar, os nossos hospitaleiros anfitriões e o grupo de amigos ciclistas locais nos acompanharam pelo caminho. A turma era animada e na chegada ainda nos presentearam com um lanche da tarde.

Acampar às margens do belo Lago Eğirdir, na porção central da Turquia, foi muito bom. Os dias foram ensolarados, o lugar é lindo e cercado de montanhas nevadas por todos os lados. Completamos também 15000 km pedalados logo antes de chegarmos por lá. Foi um dos lugares que consideramos mais bonitos no país.

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Este conjunto de lagos pelos quais passamos na região entre Denizli e Konya, são originados de crateras vulcânicas muito antigas. As estradas que os margeiam são muito bonitas e os picos nevados nesta época do ano enfeitam mais ainda as paisagens. Saímos do lago Egirdir e percorremos por um tempo uma destas estradas até nos afastarmos dele.

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Chegamos então próximos ao vilarejo de Madenli e montamos nosso acampamento em uma área rural. No final da tarde passou um senhor turco em seu trator e disse em tom assustado: “Napyoson?!” (O que estão fazendo aí ?)… Ele fez então gestos de que dormir alí seria muito frio e ele estava certo. A noite senti meu nariz muito gelado fora do saco de dormir, estendi o braço para fora e o termômetro marcava -3C dentro da barraca. Pela manhã a barraca e a grama estavam todas congeladas.

O sol forte de manhã ajudou a descongelar a barraca e nos aqueceu. Tomamos um café da manhã e partimos. Chegamos no final da tarde próximo ao vilarejo de Hüyük, Turquia. Havia um pequeno restaurante com uma ampla área de picnic em frente a estrada, que estava fechado. Perguntamos para dois senhores que saiam de uma mesquita se poderíamos acampar ali, eles tentaram contato com o dono sem sucesso, mas disseram que não haveria problema. Depois que montamos acampamento e a noite caiu, vieram carros checar o que fazíamos alí, depois apareceu o dono, muito simpático dizendo que não haveria problemas e finalmente antes de dormirmos veio um carro de polícia averiguar. Quando todos se foram e finalmente nos recolhemos em nossas barracas, começou algo estranho. Ouvimos passos sobre as folhas secas próximas as barracas, mas quando o Isra saiu para checar não havia ninguém e estava uma escuridão o local. Depois de 1 hora já caindo no sono ouvimos um barulho muito alto ao lado das barracas, quando saímos, “algo” havia derrubado uma tábua grossa, apoiada na parede, sobre uns vidros quebrados. Não havia vento nenhum e a tabua estava muito bem apoiada antes de “cair”. A noite tive pesadelos com alguém rodeando a barraca e a Flavinha me acordou pois eu estava gritando.
Pela manhã antes de sair, descobrimos que bem ao lado havia um antigo cemitério, tudo muito sinistro.. 😱👻.

Saindo do “acampamento mal-assombrado” continuamos seguindo por estradas calmas. No final de tarde paramos em um posto de gasolina próximo ao vilarejo de Yunuslar. Depois de tomar um chá e jantarmos, perguntamos no restaurante se havia algum lugar ali perto para passarmos a noite. Depois de um tempo quando quase estávamos de saída, o dono do restaurante me levou a um furgão abandonado no estacionamento do posto e perguntou se ali seria um lugar okay para passarmos a noite, pois a previsão do tempo era de vento e frio e seria ruim para acamparmos. Olhamos a van com carinho e aceitamos de primeira, a Flavinha fez uma super limpeza e transformamos a van em um “quarto” aconchegante para passarmos a noite.

A caminho de Konya, logo antes de uma longa subida, paramos em uma área com umas mesas de picnic e fomos surpreendidos com o convite de uns rapazes turcos, que trabalhavam em um restaurante no local, para tomarmos chá e experimentarmos um pouco das delícias que preparavam por alí. Foi a energia que precisávamos para continuarmos pedalando neste dia.

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Normalmente depois de 5 noites acampando selvagem procuramos uma acomodação com cama e chuveiro quente, ou quando vamos visitar alguma cidade grande. Neste dia passamos por Konya depois de vários dias acampando selvagem, principalmente o Isra, precisando descansar um pouco, tomar um banho quente e resolver algumas coisas, decidimos ficar na cidade por 3 noites. O Isra conseguiu um preço imperdível em um quarto de hotel usando AirBnb, no centro da cidade para nós três, algo em torno de 50 reais o quarto por noite, sem dúvidas algo imperdível. Acho que dá pra perceber nossas caras de felizes no quarto (não reparem a bagunça de fundo por favor, hehehe).

A cidade de Konya tem mais de 1 milhão de habitantes e boas lojas de camping e bicicletarias, aproveitamos para fazer uma parada estratégica e comprarmos peças de reposição que precisaríamos futuramente. A “menina dos olhos” de muitos cicloviajantes são os famosos pneus alemães da marca Schwalbe, que possuem proteção anti-furo e nem sempre são fáceis de encontrar. Nosso pneu traseiro (Shwalbe Marathon Plus Tour) já estava com 10 mil km, e apesar de ainda não estar tão gasto, decidimos deixá-lo como emergencial e colocar um par novo de pneus para cruzar a Asia. Nosso Schwalbe dianteiro não apresentava proteção anti-furo e nosso pneu sempre furava. Compramos então um par de Marathon Plus 26×2.0 (pagamos 460 liras turcas o par) e agora é apertar um pouco mais o orçamento até o final do mês. O nosso amigo Isra precisava resolver alguns problemas relacionados a sua barraca de camping. Ele encontrou uma loja bem próximo de onde estávamos hospedados e como adoramos visitar estes lugares (mas temos que ir preparados psicologicamente para não gastar), o acompanhamos. A loja se chamava @galeriguvenlik e apresentava muita coisa boa e grande variedade de equipamentos, mas a maior riqueza desta loja eram as pessoas que trabalhavam lá. Além de nos tratarem com muita hospitalidade e ajudarem o Isra com a barraca dele, ainda nos ofereceram um monte de comidas 😊.

Preferimos as pequenas cidades e vilarejos, tudo é mais calmo e tranquilo e a interação social é mais fácil, mas algumas vezes as grandes cidades estão pelos caminhos e podem ser paradas estratégicas para conseguir peças de reposição para bicicleta ou equipamentos de camping por exemplo. Na cidade de Konya foi assim e como gostamos de turistar um pouquinho, fomos dar uma volta a noite pelo centro da cidade e gostamos bastante. A arquitetura estilo oriente médio, iluminada, deixou tudo muito bonito durante a noite.

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Um dos símbolos da cidade de Konya na Turquia é a imagem do Sufi Derwish girando. A cidade apresenta um belo centro cultural (Mevlana Kultur Merkezi), onde todos os sabados há apresentações gratuítas e como por sorte estávamos por lá no final de semana, fomos conferir essa apresentação que mescla a dança e religião islâmica em um espetáculo muito interessante. É uma forma de meditação fisicamente ativa que se originou entre Sufis, e que ainda é praticada pelos dervixes sufis da ordem Mevlevi e outras ordens como a Rifa’i-Marufi. É uma prática habitual de meditação realizada dentro da Sema, ou cerimônia de adoração, através da qual os dervixes (também chamados semazens, do persa سماعزن) visam alcançar a fonte de toda a perfeição, ou kamal. Isto é procurado através do abandono de seus nafs, egos ou desejos pessoais, ouvindo a música, focando em Deus, e girando o corpo em círculos repetitivos, o que tem sido visto como uma imitação simbólica de planetas no Sistema Solar orbitando o sol.
A Ordem Mawlaw’īyya / Mevlevi (em turco: Mevlevilik ou Mevleviyye Persa: طریقت مولویه) é uma ordem Sufi em Konya (atual Turquia) (capital do sultanato seljúcida da Anatólia) fundada pelos seguidores de Jalal ad-Din Muhammad Balkhi- Rumi.

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Depois de descansarmos e resolvermos nossas coisas em Konya, seguimos nossa viagem rumo a Capadócia. Uma coisa que gostamos bastante viajando de bicicleta pela Turquia é a grande quantidade de mesas de picnic e fontes de água ao longo das rodovias, próximo aos postos de gasolina e até em estradas menores. Facilitava muito nossa vida na hora de fazer aquele lanchinho pelos caminhos.

Depois de um dia de pedal com vários sobes e desces e um céu aberto muito lindo, decidimos começar a procurar um lugar para acampar a partir das 16h. Havia uma saída lateral que levava a um pequeno vilarejo e decidimos sair da estrada principal e seguir até lá para procurar um lugar para acampar. Lá encontramos primeiro com a Sra Mine, que só falava turco. O Isra e a Flavinha tentaram explicar que buscávamos um lugar para acampar, ela pareceu entender mas dizia que era muito frio dormir ali. Quando seguíamos para outro lugar o marido dela, Sr Keskin, veio atrás de nós para nos levar para acampar ao lado da pequena casa deles.
Neste hora começou mais um incrível experiência de nossa viagem. Eles trouxeram um tapete para colocarmos embaixo de nossa barraca e no final da tarde nos convidaram para jantarmos com eles na aconchegante e quentinha casa deles. Foi um jantar bem tradicional, com tudo preparado pela sra Mine sobre o tapete da sala. Mesmo não falando com palavras, conseguíamos nos entender com mímicas e olhares.
Após uma noite silenciosa e tranquila, acordamos com as barracas congeladas e logo fomos acolhidos pelos “vovozinhos” turcos em seu lar novamente, com direito a café da manhã com pão quentinho. Saímos dali com as energias recarregadas e sentimos que também recarregamos as energias destes casal de velhinhos, que vivem neste minúsculo vilarejo no interior da Turquia.

 

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No dia seguinte fomos parados na estrada por um rapaz de carro, ele é um “caçador de cicloviajantes”. Ele trabalha para a Shimano da Turquia e diz que sempre para o carro quando cruza com ciclo turistas pelo caminho, para conversar e dar algum presente. Nós ganhamos óleo para corrente e Buffs. Foi algo inesperado e adoramos 😊.

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Ainda na estrada começamos a reparar em vários “bundudinhos”, pois é, este foi o nome dado carinhosamente pela Flavinha a estes simpáticos bichinhos que viamos ao longo das estradas na porção central da Turquia. Principalmente pela manhã, com a luz do sol, eles estavam as dezenas espalhados nas áreas gramadas ao longo das estradas, mas com a aproximação da nossa “discreta” bicicleta, era aquela correria tipo “salve-se quem puder” e eles logo se escondiam em suas tocas. Conversando com uma senhora turca descobri que se chamam Gelengi por aqui e depois pesquisando na internet aprendi que se tratam de esquilos que habitam o solo, mas ainda chamávamos eles de “bundudinhos” porque achamos que combinava mais, hehehehe.
Viajar de bicicleta facilita este contato com a natureza.

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Neste dia e no seguinte não tivemos belas paisagens ao redor e percorremos estradas mais movimentadas. Acampamos em um posto de gasolina e em um restaurante.

Finalmente estávamos chegando a tão esperada Capadócia e seus balões, que despertavam magia em nossos pensamentos. Chegamos então a Uçhisar, já na Capadócia e conhecemos o Volkan (isso mesmo!), um simpático cicloviajante turco, que com sua família, tem um restaurante em um lugar com um visual incrível na cidade. Ele foi super hospitaleiro e como a maioria dos turcos, nos presenteou com comidas muito saborosas. Ele esta planejando uma longa viagem de bicicleta pela América do Sul e eu falei que com esse nome ele vai ficar famoso por lá 🌋.
No final da tarde ele nos guiou até um lindo lugar para acamparmos e vermos os balões no dia seguinte.

Ahhh os balões… Desde que entramos na Turquia sonhávamos em conhecer este lugar de relevo exótico com a magia dos balões. Os balões são algo que desperta a criança que temos dentro de nós e este foi um momento muito especial de nossa viagem. Depois de enfrentar montanhas e o clima rigoroso do inverno turco na porção central do país, finalmente chegamos na encantadora Capadocia e acompanhados do querido amigo Isra , que deixou tudo mais divertido ainda. Tivemos muita sorte, a partir do momento que entramos nesta região o céu se abriu, o sol apareceu todos os dias e deixou o visual melhor ainda. Conseguimos acampar em um lugar estratégico para ver os balões e foi melhor do que havíamos sonhado, parecíamos crianças deslumbradas com a revoada dos balões ao redor das nossas barracas pela manhã, com esta paisagem incrível de pano de fundo.

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Hmmmmm… acho que entendi porque chamam este lugar de “Love Valley”, hehehe.

Ficamos encantados com a região da Cappadocia, o relevo é todo exótico, trabalhado pelo tempo e pelo clima durante milhares e anos e tudo isso associado a pitorescas residências dos antigos moradores da região, encravadas nas montanhas e cavernas.
A Capadócia (em turco: Kapadokya, em grego: Καππαδοκία; transl.: Kappadokía) é uma região histórica e turística da Anatólia central, na Turquia. A região é habitada há milhares de anos continuamente. Algumas civilizações antigas floresceram aqui, como a dos Hititas, tendo a região sido ocupada e sofrido influências de outras civilizações originárias da Europa e da Ásia Menor, tendo todas elas deixado a suas marcas. Crê-se que o nome Capadócia provém do vocábulo hitita Katpadukya (terra de cavalos de raça). Outras fontes apontam a origem do nome nos persas, que chamaram à região Katpatuka (igualmente “terra de cavalos de raça” ou de “terra de belos cavalos”). No entanto, o termo Katpatuka não é de origem persa, embora Heródoto referisse na sua descrição da conquista da Lídia pelos Hititas que era esse o nome dado à região pelos persas. Os gregos chamavam à região Leucosyri(Λευκόσυροι, sírios brancos).

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Da região de Uçhisar fomos a cidade de Göreme para conhecer o “Museu a céu aberto”, um lugar de visitação gratuita que se trata na verdade de um sítio arqueológico enorme, uma cidade milenar, onde as civilizações antigas escavavam suas casas em montanhas e cavernas. Lá também descansamos em um hostel e fizemos nossa despedida do amigo Isra, que nos acompanhou por tanto tempo na Turquia e foi uma experiência muito boa para nós.

De Göreme nos despedimos também da porção central da Turquia e começamos a seguir sentido norte rumo ao Mar Negro e posteriormente Leste sentido Geórgia, mas vamos contar tudo isso no trecho 3.

Güle Güle…

Trecho 1 <-                                                                                                               ->Trecho 3

[Algumas das fotos deste Post são de autoria do amigo Isra Coifman].

 

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