Geórgia – Viajando de bicicleta por este pequeno e milenar país da Eurasia. Terra de bons vinhos, bonitas paisagens e um idioma único. (For other languages, please use website or browser translator).

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A Geórgia foi nosso próximo país depois de quase 90 dias viajando pela Turquia. Entramos então em um país com língua, alfabeto e religião diferentes do anterior. Não sabíamos direito o que haveria pela frente, mas estávamos animados.

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Não pedalamos muito em território Georgiano, apenas cerca de 300 km. Também não visitamos a região considerada a mais bonita do pais, o Norte, mas mesmo assim passamos um bom tempo no país (20 dias), principalmente na capital Tbilisi, resolvendo burocracias de visto para o Iran e fazendo um check-up na bicicleta. Com todo este tempo em um país pequeno, pudemos conhecer um pouco mais da cultura e até aprender algumas palavras, antes impronunciáveis neste idioma tão pitoresco.

A fronteira costeira entre a Turquia e Georgia tem um grande tráfego de pessoas e caminhões, mas é bem estruturada e nossa entrada foi razoavelmente rápida e tranquila. Logo depois da fronteira as estradas ficam mais estreitas, os acostamentos desaparecem e a qualidade do asfalto não é tão boa quanto na Turquia, mas não nos sentimos ameaçados pedalando pelas estradas Georgianas.

Nossa primeira parada foi a cidade litorânea de Batumi. A Georgia apresenta preços de hospedagem razoavelmente em conta, mesmo em cidades mais turísticas como Batumi, onde ficamos em um Guest House sob o comando de uma família georgiana muito simpática.
Ficamos 3 noites em Batumi, para descansarmos, conhecermos a cidade e reencontrarmos nosso amigo Isra (@isra.coifman ). De lá a ideia era seguirmos juntos até Tbilisi, onde então tomaríamos rumos diferentes novamente, nós sentido Iran e o Isra sentido Azerbaijão.

O país apresenta praias banhadas pelo Mar Negro e ao invés de areia, o solo é pedras arredondadas, como na foto, em Batumi.
Apesar do friozinho no começo da primavera por aqui, demos uma volta na praia, mas não entramos na água.

Batumi é uma cidade costeira georgiana, próxima a divisa com a Turquia, apresenta seu charme e lugares bonitos para visitar.
Ela é uma mescla do antigo, com arquitetura que remete a ex-urss e do moderno, com áreas reconstruídas e prédios com aspecto tecnológico. A cidade é pequena e em um dia inteiro caminhando foi possível conhecer os principais lugares turísticos e detalhes que deixam esta cidade com um charme especial.

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Ali e Nino, é um conto familiar de amantes que acabam em circunstâncias trágicas que os mantêm afastados. Ao contrário das famílias em guerra (como em Romeu e Julieta), no caso de Ali e Nino, foi a primeira Guerra Mundial. Ali, um muçulmano do Azerbaijão, se apaixona pela princesa da Geórgia, Nino, mas infelizmente, depois que eles finalmente conseguem se unir, a guerra chega em casa e Ali é morto. O autor do romance é desconhecido, creditado ao apelido Kurban Said. Mas apesar das origens desconhecidas, o título tornou-se um clássico literário na área e é considerado o romance nacional do Azerbaijão.
Foi esse famoso amor que inspirou a artista georgiana Tamara Kvesitadze a criar sua monumental escultura em movimento em 2010. A obra de arte gigante de metal, também conhecida como a “Estátua do Amor”, consiste em duas figuras um tanto transparentes feitas de segmentos empilhados. Todos os dias, às 19 horas, as duas figuras deslizam uma na direção da outra, eventualmente se fundindo à medida que seus segmentos se cruzam, nunca realmente se conectando.

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A Torre Alfabética (georgiana: ანბანის კოშკი) é uma estrutura de 130 metros de altura em Batumi, na Geórgia. A torre simboliza a singularidade do alfabeto georgiano e das pessoas. A estrutura combina o design do DNA, em seu padrão familiar de dupla hélice. Duas bandas em hélice sobem a torre com 33 letras do alfabeto georgiano, cada uma com 4 metros de altura e feitas de alumínio.
No meio do edifício há um poço do elevador exposto que leva ao topo do edifício, na coroa da estrutura, onde está localizada uma bola de prata colossal.

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De Batumi, novamente na companhia do amigo Isra Coifman, seguimos sentido norte, nos mantendo na região costeira. Era um dia frio e de garoa, e paramos em um pequeno mercadinho de beira de estrada e fomos repor uns mantimentos. O Isra desceu e foi comprar uma cervejinha (Aliás os preços das cervejas são ótimos na Georgia), ele voltou com uma garrafa e eu fui buscar outra. Lá no mercadinho conhecemos o simpático sr Kivi , que estava super animado com viajantes brasileiros por lá e começou a encher nossos copos com vinho artesanal local e um destilado típico georgiano (Chacha). Pelas nossas caras de alegria na foto não preciso nem mencionar como as bicicletas seguiram bambaleando o resto do percurso, hehehehe 🍻.

Nosso primeiro acampamento selvagem na Georgia foi em uma praia no vilarejo de Kobuleti. Foi um dia nublado com períodos de chuva, mas não tão frio. Ao lado da estrada avistamos uma área gramada com algumas árvores, de frente para o mar e com um “caminhão home” estacionado. Não pensamos duas vezes, demos meia volta e fomos até lá.
O lugar era bem tranquilo e logo depois que montamos acampamento começou o maior temporal, foi o timing perfeito. No dia seguinte a chuva continuou com alguns períodos de sol, e decidimos ficar mais uma noite por ali. Conhecemos então os pilotos do “caminhão home”, um simpático casal de suiços que estão viajando a um tempão ( @4xtremes ). No final da tarde começou a chover mais forte e os ventos ficaram muito loucos. Nesta hora a barraca do nosso amigo @isra.coifman decidiu decolar. Mas depois de amarrar as cordinhas nas árvores ao lado e colocar umas pedras nas pontas, ela resolveu ficar mais tranquila no chão. Fomos pegos de surpresa por esta ventania, não esperávamos.

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Muitas vezes estamos acampando e isto inclue resolver burocracias.
Já que ficamos dois dias acampando no mesmo lugar devido as chuvas, resolvemos aproveitar nossa barraca de camping e fazer nossas fotos para o pedido de visto do Iran. Nosso “estúdio fotográfico” não era dos melhores, mas até que as fotos deram certo e dias depois serviram para nosso visto iraniano.

Depois dos dias acampados, desviamos da estrada principal e fomos por uma pequena estrada em meio a uma zona rural. O asfalto, quando presente, apresentava buracos que formavam pequenas lagoas, mas nem ligamos muito pra isso, pois tudo ao redor era bonito e tranquilo. Começamos então a nos afastar da costa e seguirmos sentido leste, sentido Tbilisi.

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Era final de tarde próximo ao vilarejo de Vazisubani e procurávamos um lugar para acampar. Foi então que passamos ao lado de uma enorme área gramada com um campo de futebol, a grama estava perfeitamente cortada pelos animais que pastavam por ali durante o dia e não haviam holofotes, o que significa que durante a noite ninguém iria aparecer por ali pra jogar futebol. O lugar era perfeito para acampar.
O sol no final da tarde e início da manhã aqueceram a barraca. Durante a noite em uma saída para um xixi, o céu estava estrelado, lindo, mas o frio desanimava a tentativa de uma fotografia hehehe.

O começo da primavera na Georgia nos alegrou quando conseguimos voltar a pedalar com menos camadas de roupas, os dias ficando mais longos e por vezes até com sol forte, nem muito quente, nem muito frio, mas a temperatura perfeita. O inverno por estes lados do mundo é longo e severo e já estávamos cansados dele.
A Georgia é um país pequeno e não é populoso, apresenta áreas rurais tranquilas e um relevo montanhoso com algumas montanhas com pico nevado ao fundo da paisagem, dando um charme todo especial. Mal sabíamos o que nos esperaria semanas adiante na Armênia, onde a primavera ainda estava com clima de inverno.

Hospedagens solidárias como warmshowers e couchsurfing são mais difíceis e escassaz nessas áreas do mundo. Uma coisa muito comum são hospedagens nas casas de família, que transfomam seus lares em hospedarias com custo melhor que em hoteis. O mais legal deste tipo de hospedagem, é a possibilidade de imersão cultural maior, uma vez que há interação com a família que gerencia o lugar, afinal, eles moram alí também. Na cidade de Kutaisi alugamos um quarto em uma destas hospedagens e foi divertida a interação com a dona da casa. Ela era uma senhora divertida e preparou um saboroso café da manhã para nós na manhã seguinte, com comidas típicas.

A Georgia tem estradas que passam por regiões montanhosas cheias de beleza, natureza, pequenos vilarejos e muitos rios.
Próximo ao vilarejo de Ubisa, nosso amigo Isra encontrou um lugar bem bacana para acamparmos ao lado de um rio. O cubo traseiro da nossa bicicleta (shimano), que não estava nem com 2 mil km começou a apresentar problemas e travar, o que nos atrasou bastante neste dia. Mas chegando lá conseguimos ver a barraquinha do Isra e fomos acampar com ele. Esta era a visão da estrada que tínhamos do local. Se já era difícil ver as barracas durante o dia, a noite ficamos invisíveis alí.

Após o vilarejo de Ubisa, o Isra seguiu na frente pois demoramos um pouco mais para começarmos o dia. Neste dia pegamos longas subidas, o que forçava ainda mais o cubo traseiro da bicicleta, que já estava apresentando problemas ha alguns dias, mas estávamos tentando chegar em Tbilisi para consertá-lo. Infelizmente ele não aguentou a subida e terminou de quebrar completamente. Não conseguíamos mais pedalar, o jeito foi pedir carona.
Perguntamos a um caminhoneiro se ele estava indo sentido Tbilisi e se poderia nos levar naquela direção. Neste dia conhecemos o Sr. Nadari, que estava indo sentido Yerevan, capital da Armênia, mas passaria por Tbilisi e topou nos dar carona.
Amarrei bem a bicicleta na carroceria e seguimos viagem. O que não esperávamos é que o caminhão começaria a dar problemas também. A carona foi de cerca de 180 km, com várias paradas para consertar o caminhão. No começo da viagem o sr Nadari estava mais sério, mas conforme fui ajudando ele nas paradas e demos um chaveirinho do Brasil para ele de presente, ele foi ficando mais alegrinho um pouco.
No final da tarde ele nos deixou a 20 km de Tbilisi e seguiu seu caminho sentido Armênia. Foi uma aventura este dia.

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Depois de descermos do caminhão avistei uma florestinha ao lado da estrada e decidimos acampar por ali e no outro dia ver como faríamos para chegar até o centro da capital Tbilisi. O lugar era bem tranquilo e ficamos protegidos dos fortes ventos em meio as árvores.

Prendi a catraca aos raios da roda traseira utilizando braçadeiras e arames, na tentativa de fazer os 20 quilômetros até nossa hospedagem em Tbilisi. A gambiarra no cubo traseiro durou 12 km e os outros 8 km até nossa hospedagem na cidade de Tbilisi foram empurrando a bicicleta e para nossa surpresa, chegando lá percebo um rasgo na parede lateral do pneu dianteiro, que estourou cerca de 1 minuto depois desta foto. Consertamos depois o pneu colocando “Patches” colados interno e externamente.

Nos hopedamos em um Airbnb em Tbilisi, junto com o amigo @isra.coifman . A idéia era ficar 1 semana na capital da Georgia resolvendo problemas com a bicicleta, vistos para outros países e pendências. Mas 1 semana foi curto para tanta coisa e tivemos que extender por mais alguns dias para conhecermos melhor a cidade. Eu ainda tive a ideia de re-pintar a bicicleta e como o tempo mudou, acabei fazendo isso dentro da casa e tudo ficou a maior bagunça.

Aproveitei a semana parado em Tbilisi para desmontar a bicicleta inteira, fazer uma manutenção completa e re-pintá-la, o que deu a maior trabalheira pois os dias que eram para ser de sol viraram chuva e tive que fazer limpeza, raspagem da tinta e nova pintura toda dentro da casa, deixando a maior bagunça, mas o resultado final até que ficou apresentável. A pintura antiga estava toda descascada e muitas partes do quadro da bike, que é de chromoly, estavam com pontos de ferrugem. Troquei alguns cabos e fiz limpeza das peças e reengraxamento da mesa de direção.

Depois de resolver a burocracia do visto para o Irã e a manutenção e pintura da bicicleta, finalmente ficamos um tempo livre para passear e aproveitar melhor a cidade.

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Kartlis Deda (A mãe da Georgia) , Tbilisi, Georgia.
Georgiano: ქართლის დედა; É um monumento na capital da Geórgia, Tbilisi.
A estátua foi erguida no topo da colina de Sololaki em 1958, o ano em que Tbilisi celebrou seu 1500º aniversário. O proeminente escultor georgiano Elguja Amashukeli desenhou a figura de alumínio de vinte metros de uma mulher em traje nacional georgiano. Ela simboliza o caráter nacional georgiano: em sua mão esquerda ela segura uma taça de vinho para saudar aqueles que vêm como amigos, e em sua mão direita é uma espada para aqueles que vêm como inimigos.

A história de Tbilisi se inicia por volta do século V. Durante os 1 500 anos de história, Tbilisi foi um importante centro cultural, político e econômico na região do Cáucaso. A cidade estava no cruzamento de importantes rotas comerciais e era frequentemente ocupada por inimigos. De 1918 a 1921, tornou-se a capital da República Democrática da Geórgia, e mais tarde, a capital da República Socialista Soviética da Geórgia. Desde 1991, ano em que a Geórgia tornou-se independente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), é a capital da Geórgia independente.
Gostamos de passear por esta cidade cheia de história, que mescla o antigo e o moderno, apresentando lugares interessantes para visitar e boa culinária.

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Catedral Ortodoxa “Sameba”. Conhecida oficialmente como a Catedral da Santíssima Trindade de Tbilsi (em georgiano , ტაძარი წმინდა სამების საკათედრო ტაძარი Tbilisis ts’minda samebis sak’atedro t’adzari ) é a principal catedral da Igreja Ortodoxa Georgiana localizada em Tbilisi, capital da Geórgia. Construída entre 1995 e 2004, é a terceira catedral ortodoxa mais alta do mundo. Sameba é uma síntese dos estilos tradicionais dominantes na arquitectura religiosa georgiana em vários estágios da história e possui algumas nuances bizantinas .

Na Georgia são muito comuns hospedagens informais com bom custo. Depois que nosso amigo Isra saiu de Tbilisi, nós ainda ficamos por mais alguns dias para conhecermos melhor a cidade e encontramos um lugar perto de onde estávamos. Era uma casa de família, na qual eles alugam um dos quartos para hospedes e o restante da casa é compartilhado com a família, são os famosos homestays. A família era muito hospitaleira e atenciosa (Sra Gayana, Sr Gurdji e o filho Guiórgui). Foi uma experiência divertida este tipo de hospedagem, ao mesmo tempo que conseguimos conhecer melhor o estilo de vida das pessoas deste lugar e o melhor de tudo foi deixarem a gente guardar a bicicleta no quarto conosco, estávamos com o coração apertado em deixá-la na rua. Warmshowers e Couchsurfing são menos disponíveis por estes lados. No dia de nossa partida, ganhei um “São Gabriel”  para me proteger, de presente de despedida da família do Homestay 😊.

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De Tbilisi começamos a seguir sentido sul para a Armênia. A Georgia é o país que tem o título da produtora de vinhos mais antigos do mundo e produz vinhos saborosos de ótima qualidade. Apresenta algumas rotas dos vinhos como esta sinalizada na placa. Mas este dia acabamos seguindo pela rodovia principal pois o desvio seria muito grande e a estrada de terra estava terrível por causa das chuvas nos dias anteriores.

Como queríamos acampar mais cedo para reparar algumas coisas na nossa barraca de camping, cerca de 25 km após Tbilisi avistamos uma florestinha no alto de uma colina bem próximo a rodovia. Entramos por uma estrada paralela que estava bloqueado para carros (o que é perfeito) e logo chegamos no lugar. Levamos a bike e as bagagens para cima da colina e lá no meio da florestinha ficamos bem escondidos e tranquilos. Aproveitamos para tapar alguns pequenos furos na barraca e reimpermeabilizá-la com um spray que compramos em Tbilisi.
Esta foi nossa última noite na Georgia, antes de entrarmos na Armênia.

No outro dia pela manhã, tomamos nosso café da manhã, desmontamos acampamento e seguimos por cerca de 40km até a fronteira com a Armênia, onde então nos despedimos da Georgia. Para nossa alegria, ainda pegamos um trecho de pequenas e calmas estradas paralelas e rurais. Não pedalamos o suficiente para conhecermos tão bem o país e sentimos falta de uma maior interação com a população local, mas conseguimos perceber que é um país seguro, com muitas natureza e lugares interessantes para pedalar e acampar.

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Nakhwamdis Georgia! Bye bye

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