Sudeste Asiático de bicicleta. Trecho 3- Camboja. Um país de rica história, problemas sócio-econômicos, o maior complexo de templos do mundo e que está se recuperando do legado de um regime político totalitário que assolou o país . (For other languages, please use the browser or internet translator)

IMG_20191107_160637_571

Para chegar ao Camboja, cruzamos do Laos para a Tailândia, percorremos um trecho em terras tailandesas e depois entramos no país por uma fronteira chamada Chong Chom e saindo em direção a Tailândia novamente por Poipet. Os trechos da Tailândia vamos postar em conjunto para facilitar a organização do Blog.

trechocambodia

Percorremos cerca de 350 km no país e visitamos a cidade de Siem Reap, onde fica o maior complexo de templos religiosos do mundo e queríamos muito conhecer. O Camboja é um país grande e com muitos lugares diferentes a visitar, mas ao mesmo tempo muito pobre e com problemas sociais resultantes de guerras e governos anteriores que assolaram o país. Sabendo disto e ainda com muitos quilômetros pela frente para atravessar a Tailândia e Malasia até a cidade de Kuala Lumpur, onde nos programamos para pegarmos um vôo no final de Dezembro, decidimos pedalar um pouco menos por lá e fazer tudo com mais calma.

cambodia1

Entramos no Camboja pela fronteira Chong Chom (Tailandia) – Osmach (Camboja). O visto poder ser obtido na hora e apesar da taxa oficial ser de 30 USD por pessoa, nos pediram 35 USD. Provavelmente há alguma “taxa” especial embutida aí, mas achamos melhor pagar sem perguntar nada. Voltamos a pedalar do lado direito da pista e as estradas principais estavam em condições boas. A vegetação e infra-estrutura do país nos lembrou o Laos. Nosso rumo foi a cidade de Siem Reap.

IMG_20191105_082737_143

E a felicidade continua. No Camboja também encontramos nosso “combustível” predileto do Sudeste Asiático, o caldo de cana. Normalmente estávamos pedalando entre 60 e 80 km por dia pois os países são predominantemente planos, mas o clima quente e úmido é um pouco cansativo e o caldo de cana é perfeito para isso. Além de natural, é barato, super energético e refrescante (eles colocam gelo).

IMG_20191105_083308_503

Completamos 23 mil km pedalamos próximos a cidade de Along Veng, em um estrada rural super calma no interior do país.

IMG_20191105_084801_947

O Sudeste Asiático tem muitas comidas de rua e estrada, abundantes, saborosas e com preço barato. O que temos feito é comprado pão e frutas para o café da manhã e alguma coisa simples para cozinharmos a noite, durante o dia estamos comendo fora na estradas e cidades. Neste dia após o vilarejo de Anlong Veng vimos um pequenino restaurante muito simples ao lado da estrada. Havia carne de porco e frango misturados a uma sopa com macarrão (noodles) e temperos. Comemos os dois e tomamos 2 refrigerantes e a conta ficou algo em torno de 4 USD. A família vivia no fundo do restaurante e enquanto comíamos passavam galinhas, gatos e cachorros em meio as mesas e a criançada brincava por alí também, tudo muito simples e tranquilo.

Uma história estranha, nossa tentativa frustrada de dormir em um templo no Camboja.
Ouvimos e lemos muitas histórias de cicloviajantes que dormiram em templos budistas no sudeste asiático e decidimos tentar no Camboja, mas infelizmente tivemos azar, podemos dizer. Na cidade de Anlong Veng ficamos em um pequeno hotel, então o caminho até Siem Reap decidimos fazer em 2 dias e no vilarejo de Sre Noy tentamos dormir em um templo budista que havíamos visto pelo GPS.
Chegando lá o templo parecia um pouco abandonado, com muita sujeira em volta e algumas pessoas que pareciam viver ali junto aos monges, inclusive vimos uma mulher se banhar ali enquanto um monge meditava. Achamos tudo muito estranho, mas como não conhecemos muito bem os costumes budistas e o país tem suas dificuldades de um país pobre que sofreu muito com um regime totalitário e guerras recentes, entendemos que tudo faz parte de um contexto e decidimos ficar por ali e tentar nossa primeira vez acampando em um templo budista.
Fiz sinais com as mão de “dormir” para o monge responsável e ele disse que poderíamos ficar ali sem problemas. Me banhei com a água de umas grandes tinas e pudemos usar um banheiro próximo também. Okay, apesar do movimento de pessoas ali, tudo parecia tranquilo. No final da tarde 2 policiais vieram checar nossos passaportes. Com o cair da noite mais e mais crianças chegavam e alguns homens ficavam parados ali nos encarando, deixando a Flávia desconfortável. Foi então que um garoto vestido como monge me chamou para ver o celular dele e neste momento percebi que havia algo errado por ali mesmo, na tela do celular uma video chamada com um homem mostrando o pênis. Apesar de estar tentando ser um cara mais tranquilo durante a viagem, quando algo me tira do sério, meu lado estivador nada gentil reaparece, nesse momento fechei a cara e mandei o garoto “tomar no meio do olho do  dele”. Já estávamos desconfortáveis alí com aquela galera em volta e esta foi a gota d’água. Colocamos tudo de volta na bike, ligamos as luzes e já de noite partimos para um Guest-House que havia ali perto. Vamos tentar novamente adiante, mas em outro país.

IMG_20191105_121201_303

O Camboja não tem tantos postos de combustíveis estruturados e muitas pessoas utilizam motinhos para o deslocamento. É muito comum encontrar vendas como esta pelas cidades, vilarejos e estradas. No começo não sabíamos se era algum suco ou whisky barato, hehehehe, mas logo descobrimos que se trata de gasolina.

As marcas do passado.
O Camboja até hoje sofre com o resultado de guerras nos países vizinhos e um regime totalitário que assolou o país durante 4 anos até 1979 e que manteve uma guerrilha ativa até 1990. Problemas sócio-econômicos, estruturais e educacionais são perceptíveis neste país de natureza tropical exuberante e riqueza histórico arqueológica. Um dos legados destas guerras e conflitos na região é a quantidade de minas terrestres e explosivos não detonados, conhecidos pela sigla inglesa UXO (problema presente no Laos também). As áreas mais problemáticas estão nas regiões fronteiriças com a Tailândia, justamente pelas quais passamos, por isso deixamos a opção acampamento selvagem totalmente fora de cogitação neste país. Visitamos próximo a cidade de Siem Reap um museu dedicado ao assunto, criado por um dos maiores especialistas do país neste assunto. O dinheiro arrecadado no museu ajuda adultos e crianças vítimas destes explosivos, alguns deles vivem no fundo do museu e outros inclusive trabalham no museu. Ao mesmo tempo que nos entristecemos visitando o lugar, conhecendo melhor as estatísticas e esta triste realidade do país, ficamos contentes em ver o trabalho que este local e os responsável prestam a comunidade Cambojana.
Só para constar, a maioria das vítimas destes explosivos são civis (crianças), com cerca de 40 mil amputações. Um dos índices mais altos do mundo. Estima-se que ainda existam entre 5 a 6 milhões de explosivos não detonados pelo país.

O incrível professor.
Fomos até a cidade de Siem Reap no Camboja para visitarmos o histórico templo de Angkor Wat. Pelo aplicativo AirBnb encontrei um quarto na casa de uma família, com bom preço e muitas referências positivas. Mas sabíamos que nos aguardava mais uma experiência social inesquecível.
O Sr. Siv e Sra Pisey, com seus 5 filhos formam uma bela família. Ela cuida da casa, dos filhos, da arrumação dos quartos para os hóspedes e de um pequeno mercado que fica no andar térreo da casa. Ele é motorista de Tuk Tuk durante o dia e todos os dias de semana ministra aulas de inglês gratuitamente das 17 as 19 horas para crianças da região. O dinheiro do AirBnb ajuda nas despesas da casa. Pude ver o trabalho social incrível que eles fazem e além disso conversamos sobre o país deles, tiramos dúvidas e fizemos várias refeições junto a toda família. Adoramos esta experiência de hospedagem paga com direito a imersão cultural. O país ainda é muito carente de educação e professores como o Sr Siv são verdadeiros heróis.

Tem uns morcegos bem grandes por aqui e algumas rãs e sapinhos por todos os lados, um país bem tropical (Seam Reap, Camboja).

Um vídeo que mostra um pouco de nossas andanças pela cidade cambojana de Siem Reap e o contato com a cultura local através da família do Sr. Siv, que ensina inglês gratuitamente para crianças da comunidade. Siem Reap é uma cidade turística no noroeste do Camboja, é a porta de entrada para as ruínas de Angkor, sede do reino do Khmer entre os séculos 9 e 15. O enorme complexo de edifícios de pedra de Angkor inclui o preservado Angkor Wat, o templo principal, que é representado na bandeira do país. Faces gigantes e misteriosas estão esculpidas no templo de Bayon, em Angkor Thom. Percebemos na cidade uma pequena porção central com alguma infra-estrutura mais preparada para o turísmo, porém a maior parte da cidade ainda é muito simples, com ruas de terra e sinais de muita pobreza.

Angkor Wat em um dia?
O complexo de templos de Angkor Wat é o maior do mundo, com numerosos templos cheios de detalhes e história, conectados por caminhos asfaltados e bem sinalizados.
Ficamos hospedados próximo a bilheteria. A nossa dúvida era em quanto tempo fazer o passeio pelo local. Fomos até a bilheteria e os valores são altos para nosso orçamento: 37 USD para 1 dia, 62 USD para 3 e 72 USD para 1 semana. (Estes valores são por pessoa)
Apesar do preço, estávamos alí e não queríamos deixar de conhecer esta maravilha da humanidade. Como não somos especialistas em arqueologia, nem historiadores e sabemos que depois de uns 4 ou 5 templos tudo poderia ficar muito parecido para nós, decidimos comprar a entrada para 1 dia e nos dedicarmos aos templos principais.
Como estávamos de bicicleta, economizamos com tuk-tuk ou ônibus, e pedalamos até lá e por todos os caminhos que conectam os templos. Levamos em nossas mochilas água e biscoitos para economizarmos com alimentação lá e passamos o dia todo no local. Foi ótimo ter ido de bicicleta. Visitamos uns 6 templos principais e foi o suficiente para nós, valeu muito a pena, além dos templos serem lindos, os caminhos que os conectam são uma delícia para percorrer de bicicleta. Ficamos das 8 da manhã até cerca de 4 da tarde e foi o suficiente, voltamos para casa com as pernas doendo e muito felizes. 😊

Angkor Wat (/ ˌæŋkɔːr ˈwɒt /; Khmer: អង្គរវត្ត, “Cidade / capital dos templos”) é um complexo de templos no Camboja e é o maior monumento religioso do mundo, em um local medindo 162,6 hectares (1.626.000 m2; 402 acres) . Originalmente construído como um templo hindu dedicado ao deus Vishnu pelo Império Khmer, foi gradualmente transformado em templo budista no final do século XII.
Um dos primeiros visitantes ocidentais ao templo foi António da Madalena, um frade português que visitou em 1586 e disse que “é de uma construção tão extraordinária que não é possível descrevê-lo com uma caneta, principalmente porque não é como nenhum outro. edifício no mundo. Possui torres, decoração e todos os refinamentos que o gênio humano pode conceber. ”
Angkor, na província de Siem Reap, no norte do Camboja, é um dos sítios arqueológicos mais importantes do sudeste da Ásia. Consiste em dezenas de templos, estruturas hidráulicas (bacias, diques, reservatórios, canais), bem como rotas de comunicação. Por vários séculos, Angkor, foi o centro do Reino Khmer. Com monumentos impressionantes, vários planos urbanos antigos diferentes e grandes reservatórios de água, o local é uma concentração única de características que testemunham uma civilização excepcional. Templos como Angkor Wat, Bayon, Preah Khan e Ta Prohm, exemplos da arquitetura Khmer, estão intimamente ligados ao seu contexto geográfico, além de serem imbuídos de significado simbólico. A arquitetura e o layout das capitais sucessivas testemunham um alto nível de ordem social e classificação no Império Khmer. Angkor é, portanto, um importante local que exemplifica valores culturais, religiosos e simbólicos, além de conter alto significado arquitetônico, arqueológico e artístico.

cambodia12

De Siem Reap miramos a Tailândia novamente e decidimos fazer o trajeto de aproximadamente 150 km até a fronteira em dois dias, o percurso é bem plano. Mantivemos a rotina do caldo de cana e almoços nas barraquinhas das estradas.

cambodia13

Hospedagens de baixo custo no Camboja.
Por diversos motivos decidimos não acampar no Camboja e buscávamos hospedagens simples com baixo custo, o lado bom é poder ajudar o comércio local e ter mais conforto como uma cama e um banho no final de um dia por terras tão tropicais. Neste dia entre a cidade de Siem Reap e a fronteira com a Tailândia, depois de cerca de 80 km paramos em um pequeno vilarejo (Kum Rohal) e encontramos uma hospedagem. Eles costumam cobrar entre 6 a 8 USD o quarto com ventilador.

No nosso último dia no país chegamos a cidade fronteiriça de Poipet. Situada na fronteira com a Tailândia, em uma das principais rotas sentido Bangkok, é uma cidade bem movimentada. Há Cassinos e outras coisas que deixam tudo muito agitado por lá, um pouco bagunçado pra falar a verdade. Os hoteis costumam ter preços acimas da média e tivemos que garimpar bastante até encontrarmos uma hospedagem mais simples, na qual pagamos cerca de 8 dólares o quarto. A família que administrava o hotel era simpática e atenciosa e passamos uma noite tranquila.

IMG_20191105_215620_289

Nossa pedalada pela Camboja não foi tão extensa, mas foi intensa. Pudemos sentir a hospitalidade do povo, mas ao mesmo tempo muitos problemas sociais e estruturais resultantes de governos prejudiciais anteriores. Desejamos a este povo alegre um futuro cada vez melhor e que o país finalmente melhore, principalmente para a classe mais pobre, que é a maioria da população. Aprendemos muito e repensamos muitas coisas sobre a vida e humanidade enquanto viajamos de bicicleta por estas terras de cultura milenar, natureza exuberante e clima tropical.

សូមអរគុណប្រទេសកម្ពុជា

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.