Sudeste Asiático de bicicleta. Trecho 4 – Tailândia, segunda parte. Povo alegre, culinária saborosa, belas praias e boa infra-estrutura. Sawadee kaaaaa! . (For other languages, please use the browser or internet translator)

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Nosso primeiro trecho em território tailandês foi relativamente curto e rápido e conforme contamos no Post dedicado a ele, ficamos com “gostinho de quero mais” [ link para o primeiro trecho ].

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A segunda vez que entramos no país, percorremos uma distância de quase 1300 km por mais de 1 mês e pudemos realmente conhecer melhor o país, seu povo, belezas e particularidades, com uma imersão cultural muito maior. Nesta segunda parte entramos vindos do Camboja pela fronteira em Poipet e seguimos sentido Bangkok e posteriormente sul sentido Malasia, deixando o país de ferry-boat na região de Satun (Tammalang Pier ), sentido a ilha de Langkawi na Malasia.

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Logo após nosso retorno para a Tailândia, as estradas melhoraram em relação ao Camboja, assim como toda a infra-estrutura em geral. Paramos em um pequeno restaurante a beira da estrada e enquanto olhava a nossa bicicleta estacionada acabei fazendos várias contas de peso em relação a ela. Muitas vezes me pego olhando admirado para nosso “cavalo de aço” e penso: “Ela esta aguentando bem o tranco, hehehe” e tiro uma foto. O total de bagagem com comida são cerca de 60kg + 10 kilos de água. O peso dela é de cerca de 25 kg. Meu peso em conjunto com a Flavinha dá uns 130 kg. O peso total do conjunto bike e bagagens é de 95 kg, o peso total conosco em cima vai para 225 kg. Por isso em uma tandem o segredo é ter rodas fortes, bem montadas e peças robustas.
Olhando assim parece uma locomotiva, com peso demais. Mas somos duas pessoas, “bi-motor” hehehe. Se dividir o valor total por 2, é como se cada um de nós viajasse com uma bicicleta e bagagens pesando 42,5 kg cada um. Uma bicicleta de cicloviagem normalmente pesa ao redor de 15 kg. E muitos cicloviajantes de longa duração que conhecemos levam bagagem, comida e água ao redor de 30 kg (alguns menos, outros bem mais, é apenas uma média). Ou seja, apesar da aparência assustadoramente pesada e volumosa, não estamos fora da média.

Quando dizemos que acampar selvagem no Sudeste Asiático é um pouco complicado, não estamos nos referindo apenas ao clima úmido e quente, áreas minadas e com explosivos não detonados (Laos e Camboja), matas fechadas ou lugares alagadiços, mas também a vida selvagem e por vezes venenosa que habita estas terras tropicais, com exceção das praias claro. O maior vilão de todos e que faz mais vítimas é sem dúvidas o pernilongo pelas doenças que transmite (dengue, malária, febre amarela e encefalite japonesa), mas nada que um repelente e mosquiteira não ajude a evitar, mas ao lado das estradas vimos muitas cobras, lacraias e escorpiões, se na estrada já vimos muitos, ficamos imaginando mato adentro tentando encontrar um lugar para acampar, a picada destes bichos deve doer um bocado e preferimos evitar.
Nossos acampamentos na Tailândia se resumem a praias ou templos budistas, quando conseguimos, senão buscamos hospedagens de baixo custo fora das áreas turísticas, que são bem disponíveis. Como escolhemos o sudeste asiático para tirarmos umas férias dos acampamentos, confesso que estávamos gostando de acampar pouco neste período.

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O trecho entre a fronteira com o Camboja e Bangkok não tem muitos lugares de beleza natural e é uma zona bem urbanizada, predominantemente em estradas de tamanho médio. Neste dia por sorte vi algumas casinhas a beira de um lago e chegando lá vimos que um simpático casal as alugava. Por cerca de 9 USD passamos o final de tarde e uma noite nesta aconchegante casinha de madeira a beira de uma lagoa. Como ficava longe da estrada principal, a noite o único barulho era dos sapinhos, grilos e umas lagartixas escandalosas que tem por aqui. No dia seguinte já havíamos conseguido uma hospedagem solidária (warmshowers) na cidade de Phanom Sarakham.

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Chegamos a cidade de Phanom Sarakham um pouco antes do combinado com nosso anfitrião (warmshowers.org) e decidimos fazer uma paradinha para passar um tempo da maneira que mais gostamos, comendo é claro hehehe. Depois da comilança os dois jovens responsáveis pelo restaurante tiraram uma foto conosco pois acharam tudo muito exótico. Esta é uma cidade pequena e não turística, então dois turistas não asiáticos vestindo chapeus vietnamitas e roupas coloridas em cima de uma bicicleta tandem cheia de tralhas penduradas não é muito habitual por alí.

Fomos então amistosamente recebidos pelo Chad e Nikki em sua casa. O contactamos através do aplicativo warmshowers.org e desde o início ele foi muito hospitaleiro. Ele é norte americano e professor de inglês e a Nikki é tailandesa e da aulas de Tai para extrangeiros. Foi mais uma inesquecível experiência de hospitalidade que tivemos. Com eles pudemos conversar bastante sobre nossa viagem e saber sobre a rotina deles e cultura tailandesa. Muito obrigado Chad e Nikki pela hospitalidade e boa conversa.

Antes de irmos embora da cidade de Phanom Sarakham tivemos a oportunidade de contar sobre nossa viagem para alunos de uma escola na cidade. Como sempre, foi uma experiência divertida para nós e eles. Nosso anfitrião na cidade, o norte americano Chad (warmshowers.org) é professor de inglês nesta escola e nos convidou para conversarmos com uma de suas turmas de alunos. No final selecionamos alguns vídeos do nosso canal do YouTube e a parte que eles mais gostaram foi quando caímos da bicicleta, hehehe.

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Assim como em várias cidades grandes pelas quais passamos durante a viagem, sempre rola um stress para entrar e sair delas pedalando. Bangkok é enorme e com tráfego intenso, mas apesar de tudo foi menos tenso do que esperávamos, com um pouco de paciência fomos passando entre os carros e caminhões engarrafados até chegarmos no nosso destino, que ficava em uma região central da cidade.

Os queridos Alessio e Mahyar.
Bangkok nos esperava com mais um daqueles incríveis encontros que temos durante a viagem. Conhecemos o italiano divertido e animado Alessio em um pequeno vilarejo no meio da Pamir Highway no Tajiquistão, conversamos bastante e trocamos nossos contatos. Quando estávamos próximos a Bangkok enviamos uma mensagem a ele, que nos convidou para ficarmos no apartamento dele e de seu companheiro, Mahyar. Aceitamos o convite e depois de enfrentar o trânsito estressante das grandes cidades chegamos em frente ao endereço que colocamos no GPS. Para nossa surpresa o lugar era luxuosíssimo, pelo menos para nossos padrões, e chegamos todos suados e sujos depois de mais de 70 km pedalados. Ficamos sem graça no começo na hora de entrar no prédio, só o elevador era maior que muitos lugares que já ficamos durante a viagem hehehehe. Eles deixaram a chave na portaria para nós e chegaram a noite depois do trabalho. Ficamos 4 dias hospedados no apartamento dos queridos e divertidos Alessio e Mahyar. Conversamos bastante, demos muitas risadas e comemos muiiiito hehehe, coisas que obviamente não caberiam em nosso orçamento apertado. Adoramos, principalmente os momentos que estávamos com eles. No último dia lá, fiz uma charge dos dois e deixei como uma lembrança e agradecimento por tanta hospitalidade conosco. Grazie mille Alessio , خیلی ممنون مهیار. Esperámos revê-los 😊.

Bangkok.
Com um população de cerca de 8 milhões de pessoas, a capital tailandesa é uma cidade moderna e muito viva, durante as 24 horas. Deixamos a bicicleta na garagem dos nossos anfitriões e fomos explorar a cidade a pé e utilizando transporte público, ela tem um trânsito intenso e aproveitamos para descansar um pouco nossos bumbuns do selim. Apesar de ser uma cidade conhecidamente cara, é possível manter as economias abdicando de alguns lugares mais turísticos e fazendo coisas grátis e foi isso que fizemos e foi bem divertido mesmo assim. Visitamos templos, china towns, feiras de finais de semana e parques. Comemos a deliciosa e econômica comida de rua que a Tailândia oferece e também preparávamos algumas refeições no apartamento de nossos amigos. Apesar de não ser uma cidade muito “bike-friendly ” achamos que vale a pena ser visitada em uma ciclo viagem, bastando deixar a bicicleta guardada em algum lugar e conhecendo a pé ou com transporte público os lugares interessantes que esta vívida cidade oferece.

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Uma foto que representa muito a Tailândia pra nós. Os tuk-tuk estão presentes em todo o sudeste asiático, mas a maior quantidade que vimos foi na Tailândia, principalmente em Bangkok.
O 7-Eleven é o mercado e conveniência que literalmente se encontra em todas as esquinas pelo país, impressionante, hehehehe. Os postos de gasolina pelas estradas muitas vezes contam com eles também. O preço é bom e quase todos os dias compramos alguma coisa neste mercado.

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Sair pedalando de Bangkok foi um pouco demorado e cansativo. Coloquei no GPS a opção de seguir apenas por pequenas vias, então tinha que prestar atenção o tempo todo enquanto nos embrenhávamos por ruas pequeninas e tortuosas, mas no final valeu a pena evitar as vias maiores com tráfego intenso. Quando conseguimos deixar a região metropolitana depois de cerca de 30 quilômetros, fizemos uma parada para relaxar e comermos alguma coisa. Meu braço e ombros estavam doendo, a bicicleta tem a frente pesada e a tensão das grandes cidades só pioram as coisas.

Depois que passamos pela cidade de Samut Sakhon começamos a buscar um lugar para dormir e aí resolvemos tentar novamente em um templo em um vilarejo por onde passamos. Não sei o que acontece, mas diferentemente de outros relatos que lemos de outros cicloviajantes, costumamos ter algumas respostas negativas quando perguntamos. Paramos em um templo e fomos perguntar a uma monja, ela disse que não poderíamos acampar por alí e nos indicou um homestay que ficava atrás do templo. No sudeste asiático estamos levando a viagem da seguinte forma, obviamente tentando economizar, mas se no final do dia já cansados temos uma resposta negativa em templos ou em algum lugar onde perguntamos se podemos acampar ou também não conseguimos nenhuma hospedagem solidária (warmshowers ou couchsurfing) , logo procuramos uma hospedagem de baixo custo e não ficamos rodando pra lá e pra cá buscando onde dormir de graça, o que nos deixaria mais cansados ainda. Como temos esta opção por estes lados onde as hospedagens tem preços melhores, estamos fazendo assim e o “stress” do “onde passar a noite” diminuiu muito, deixando a viagem mais leve. Neste dia demos a volta no templo e fomos ao homestay, bem tranquilo e confortável, e por cerca de 15 dólares passamos a noite, um pouco mais caro do que costumamos pagar para dormir, mas nem sempre encontramos os mais baratinhos.

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Por um longo trecho depois de Bangkok seguimos por rodovias movimentadas. Elas tem bom acostamento, mas não gostamos de pedalar em vias movimentadas. O litoral próximo a capital é cheio de mangezais e não tem muitas estradas menores costeiras, elas começam um pouco mais ao sul.

O mercado nos trilhos.
No vilarejo de Samut Songkhram dormimos uma noite para conhecermos uma das pitorescas atrações, o mercado sobre o trilho dos trens. A feira é longa e se estende pela lateral dos trilhos do trem. Quando este chega ou sai da estação começa a apitar e é aquela correria dos feirantes desmontando tudo rapidamente enquanto o trem passa espremido no meio das barraquinhas. Ficamos em um cafofinho que custou 10 USD, sem percevejos hehehe…

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Mais ao sul da região de Bangkok, no nosso caso seguimos um bom trecho pela costa leste, fomos surpreendidos com a presença de diversas ciclovias que acompanham estradas menores costeiras. A Tailândia é predominantemente plana, os motoristas normalmente são tranquilos e sempre há onde comprar comida por todos os lados. Gostamos de viajar de bicicleta por aqui. Neste trecho ainda não havíamos chegado na área mais praiana, que virá um pouquinho mais a frente, já estávamos ansiosos pelas praias.

Próximo a Samut Songkhram há um outro ponto interessante no vilarejo de Amphawa, um mercado flutuante. Desviamos um pouquinho nossa rota até lá pela manhã para espiar. O mercado ainda estava abrindo as portas, ou melhor, “abrindo os barcos” quando chegamos. Mas foi legal parar por ali alguns minutos para conhecer.

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Sapatos pra fora.
Desde a Turquia seguimos atravessando países com o mesmo costume, deixar sapatos para fora de casa antes de entrar. No sudeste asiático este costume se estende a restaurantes e lojas. Já nos acostumamos e acho que é um hábito que vamos levar conosco para o Brasil.

Na região de Petchaburi não haviam ainda praias na região costeira, mas seguindo pelas estradas menores cruzamos manguezais e muitos quilômetros de “fazendas de sal”. A população local coleta o sal que evapora em grandes áreas planas. Esses pontos alagadiços antes da evaporação atraem muitos pássaros.

Já era final de tarde e passávamos em frente a um pequeno vilarejo na costa leste tailandesa chamado Pak Thale. Ao longe eu vi um navio!Isso mesmo…seria uma miragem devido ao sol forte e umidade?? Chegando próximo percebemos que se tratava de um templo budista bem diferente. Decidimos fazer nossa tentativa do dia em pedir para acampar por alí, o lugar era bem tranquilo e bonito. Perguntei para um dos monges e para nossa felicidade a resposta desta vez foi positiva.
Armamos acampamento longe do “navio”, em um gramadinho próximo a um dos banheiros e lá passamos uma noite bem tranquila, as vezes acordados por uns pássaros barulhentos que haviam por lá. De manhã um dos monges trouxe umas guloseimas para saborearmos de café da manhã antes de seguirmos viagem.

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De Pak Thale continuamos sentido Cha-Am, uma cidade praiana mais turística, principalmente frequentada por tailandeses. No caminho ainda cruzamos mais algumas “fazendas de sal” antes de finalmente chegar as tão esperadas praias do país.

Finalmente pudemos exibir nosso belo bronzeado de ciclo viajantes nas praias tailandesas. Chegamos na cidade de Cha-Am, fomos pra praia e já demos um mergulho. Estávamos com muita vontade de praias nesse calorzão que faz na Tailândia. Gostamos da cidade de Cha-Am, deixamos a “minhoca” estacionada em um homestay que fez um preço camarada por um quarto com ventilador (9 usd por noite) e decidimos ficar duas noites por là. A cidade é turística, mas é um turismo mais local, com preços mais amigáveis. As praias são bonitas, o tempo estava ensolarado e ela é uma daquelas cidades praianas com um estilo mais relaxado, pelo menos na época que passamos por lá. Durante nossa viagem de bicicleta, com o passar do tempo temos apreciado cada vez mais os lugares menos turísticos e fugido um pouco, quando possível, dos mais badalados. Esta praia foi perfeita para descansarmos e relaxarmos.

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Ônibus tailandeses.
Centenas de espelhos retrovisores, caixas de som por todos os lados, luzes coloridas e pintura psicodélicas… mistura tudo isso e pronto, bem vindos aos ônibus de turismo tailandeses. São bem diferentes, hehehehe…

No sentido a Kui Buri , além dos exóticos ônibus tailandeses, encontramos mais uma ciclovia, bem cuidada, com banheiros e separada da rodovia.

Ao fundo as montanhas que marcam o Parque Nacional Khao Sam Roi, que era nossa opção de acampamento no dia. Chegamos lá depois de 80 quilômetros pedalados e já as 16:30, com a intensão de acamparmos na praia de Sam Phraya, mas havia uma cansela antes dela e quando paramos um dos guarda parques nos informou que deveríamos pagar cerca de 7 USD por pessoa para entramos no parque e só então podermos usar a praia e mais 1 USD cada um para acampar ali, ou seja, um total de 16 USD para acamparmos por ali. O lugar era bonito, porém a noite já caia e nem iríamos visitar mais nada no parque e achamos o preço alto comparado a outras opções de alojamentos na Tailândia. Tentei pagar apenas para acamparmos, mas não deu certo. Bom, demos meia volta e continuamos por mais 15 km até o próximo vilarejo onde encontraríamos uma hospedagem. No final do tia tudo deu certo e encontramos uma mini casinha no vilarejo de Pak Mueang que fez o preço de 10 USD por noite.

Khao Ta Mong Lai Forest Park.
Encontramos outro parque no GPS e passamos por lá para conferir, o lugar era bonito e seria cobrada uma taxa de cerca de 4 USD por pessoa para acampar ali, com acesso a ducha e banheiros. O preço pareceu bom, mas deveríamos seguir uma trilha para acampar e não poderíamos levar a bicicleta, além disso a Flavinha não se sentiu bem com alguns homens que estavam por ali e pediu para irmos para outro lugar. Nós temos seguido muito nossos sentidos durante a viagem e desta vez não foi diferente. Ficamos um pouco por ali para conhecermos e depois seguimos em frente para procurarmos outro lugar para dormirmos.

Seguimos por mais alguns quilômetros e no vilarejo de Prachuap Khiri Khan encontramos uma hospedagem e pudemos desfrutar de uma bela praia.

As vias menores na Tailândia são ornamentadas com coqueiros, bananeiras, seringueiras e diversas vegetações tropicais. Neste dia seguimos sentido ao vilarejo litorâneo de Ban Krut, na costa leste do país. O clima no Sudeste Asiático é quente, a umidade é alta e a soma dos dois fatores faz com que o suor se acumule nas roupas e evapore rapidamente, deixando a camada de sais sobre elas depois de alguns quilômetros pedalados. Completamos antes no final do dia, logo antes de nossa chegada ao vilarejo de Ban Krut, 24 mil quilômetros totais pedalados em nossa viagem.

Banho de mar ardido!
Chegamos no vilarejo de Ban Krut com aquela vontade de dar um mergulho no mar , estava um calorzão. Encostamos a bike e fomas dar aquele mergulho, mas não sabíamos que estávamos rodeados de águas vivas na costa leste da Tailândia, algo que vem aumentando e fugindo ao controle das autoridades. Na praia em que entramos não havia sinalização nenhuma, então nem nos atentamos. Poucos minutos dentro d’água e começamos a sentir nossa pele “queimando” em vários lugares, saímos rapidamente e percebemos que havia uma agua viva grandona nadando nas proximidades e havia outra morta na areia. Ambas com mais de 30 centímetros de diâmetro. Sorte que foram queimaduras pequenas e pudemos curtir a praia um pouquinho mais fora do mar mesmo.

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Tentei contato com um Warmshowers no vilarejo praiano de Ban Krut, mas não obtive resposta. De qualquer forma seguimos o endereço que constava no site e decidimos ir até lá tentar, só que erramos o endereço e coincidentemente acabamos em um camping que ficava ao lado. O preço cobrado foi de 5 USD para os dois, com toaletes, duchas, luz elétrica e wi-fi. Como estava previsto chuva para a manhã seguinte, decidimos nem montar a barraca, colocamos a mosquiteira e montamos um quarto na cabaninha. Como o warmshowers não respondeu, decidimos ficar por alí mesmo e foi uma noite bem tranquila.

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Nas estradas menores da Tailândia, não são comuns grandes postos de gasolina, mas sim bombas de combustíveis que aceitam dinheiro e cartões,  não utilizamos para recarregar a garrafinha de gasolina do nosso fogareiro. Fazíamos isso nos postos maiores porque não sabíamos manusear estas bombas.

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Bang Saphan Yai, Thailand.Parada para almoço. Lunch break.

No GPS vimos que haveria um longe trecho de praia inabitado, convidativo para acampar selvagem. Chegando lá o acesso não era tão fácil a praia, o que gostamos, evitando carros e motos a noite. A praia era longa mas estava um pouco suja por conta de algumas tempestades nos dias anteriores, mas o que mais chamou atenção foram as enormes águas-vivas encalhadas na praia e algumas ainda nadando próximo a arrebentação. Nem ousamos nadar nesta praia, fomos apenas até a beiradinha e nos lavamos. Antes da noite cair e da chuva chegar montamos acampamento e passamos uma noite apenas com o barulho do mar.

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Não é muito comum pegar neblina na Tailândia, ainda mais em baixas altitudes, mas as vezes acontece e na manhã em que saímos de nosso acampamento na praia, pegamos neblina pela manhã. (Ban Nam Pu, Scenic route, Thailand).

Depois de um dia com algumas chuvaradas, chegou o final de tarde e ainda não sabíamos onde dormir, paramos em um mercadinho para a Flavinha comprar água e do outro lado da rua, de frente para o mar eu vi 3 cabaninhas fechadas. Fui até o restaurante ao lado perguntar sobre elas. A dona do restaurante disse que as cabaninhas eram dela mas estavam fechadas e me indicou um super resort em frente. Expliquei que viajamos de forma econômica e perguntei se poderíamos acampar em frente as cabaninhas, já que não estavam em funcionamento. Ela pensou e então foi comigo até lá, limpou um dos banheiros, abriu uma cabaninha, deixou ela limpinha e arrumadinha e perguntou se poderíamos pagar cerca de 6 USD por noite. O lugar era simples e aconchegante, de frente para uma praia tranquila e bonita, com umas mesinhas perfeitas para cozinharmos a noite, o preço nos pareceu bem justo, ainda mais depois de toda a limpeza que fizeram ali para nós. Aceitamos e foi um dos lugares que mais gostamos de dormir. Era um vilarejo pequeno, silencioso, a praia era limpa e cheia de conchinhas e o por e nascer do sol lindos. (Bo Mao Beach)

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No outro dia o amanhecer foi maravilhoso. Solzinho, praia bonita, mesinha pra sentar, foi o pneu que levei mais tempo pra remendar hehehehe… Acho que daria pra ficar o dia inteiro lá remendando pneu.

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Nas estradas menores da Tailândia passamos em meio a várias plantações de Palma para extração do óleo. Fica tudo muito bonito, ainda mais com as samambaias crescendo nos troncos das árvores. Mas ao mesmo tempo que passamos admirados pela beleza, também nos perguntamos quanto de mata nativa foi cortada para plantação de tantas palmas e isto vale também para os extensos seringais e quais impactos isso tem na fauna e flora nativas.

Na região costeira da Tailândia, muitas vezes aquela área mais bacana para acampar em frente ao mar fica em alguma propriedade privada, principalmente onde esta algum Resort ou Bangalos, então decidimos perguntar se poderíamos acampar alí… por que não? Como estamos perguntando em um lugar que vive sa hospedagem de pessoas não chegamos pedindo para acampar de graça. Perguntamos se é possível acampar por alí e quanto eles cobrariam para nós podermos passar 1 noite e utilizarmos 1 dos banheiros. Nem sempre dá certo, mas já tivemos respostas positivas como neste dia, na região de Chumphon. Pagamos cerca de 2 dólares por pessoa, montamos a barraca próximos da praia e pudemos utilizar um dos banheiros com toalete e ducha. Gostamos dessa nova opção também.

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Seguimos sentido a região de Sawi e procuramos estradas menores. Mesmo as estradas de terra na Tailândia estão em boas condições e são mais frescas e com mais natureza ao redor.

Lagartos monitores.
No sul da Tailândia e a Malásia vimos muitos desses lagartões, algumas vezes atravessando a pista e aí parávamos a bicicleta para apreciar esse gingado charmoso… hehe…
Varanidae é uma família de grandes lagartos na sua maioria carnívoros, que contém apenas o género Varanus. Os varanídeos recebem o nome popular de varano ou lagarto-monitor. O grupo inclui o maior lagarto vivo atualmente: o dragão-de-komodo. Os varanos são lagartos de grandes dimensões, carnívoros ou frugívoros  e extremamente agressivos.

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Roupas desintegrando.
Em uma longa viagem de bicicleta usamos muitas vezes a mesma roupa por meses, embaixo do sol, chuva, frio, calor e vento. Com isso tudo, chega uma hora que elas começam a desintegrar, por mais que a gente tente costurar, não adianta mais. Flavinha adora esta blusa azul, mas acho que esta na hora de uma nova.

Na região de Sawi passamos por pequenas estradas costeiras e vimos um restaurante fechado de frente para o mar. O local pertencia ao hotel em frente, perguntamos se poderíamos acampar por alí e os donos do hotel fizeram a proposta de 2usd por pessoa e poderíamos utilizar os banheiros do hotel. Aceitamos, o lugar era muito tranquilo e seguro a noite, com um belo por e nascer do sol para apreciar, nosso banho de mar desta vez foi sem queimaduras de águas vivas.

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Pegamos estradas menores no sentido a cidade de Tha Chana, algumas vezes beirando o mar, apesar do calor intenso, enquanto pedalávamos era possível se refrescar um pouco com a brisa. As estradas menores tem movimento pequeno de carros.

Na cidade se Tha Chana fomos hospedadas pela alegre e hospitaleira Pattira, que vive com sua mãe, que carinhosamente chamamos de “mama”. Fizemos contato com ela através do warmshowers.org e passamos 3 noites lá. Preparamos comidas juntos, fomos conhecer um templo budista muito especial em meio a natureza, comemos comidas locais e conversamos bastante sobre a Tailândia e viajar de bicicleta. A Patty se animou e decidiu pedalar conosco por alguns dias. Nossas experiências de hospedagens pelo warmshowers.org sempre foram boas e ricas em aprendizado, as relações humanas são o que mais nos marcam durante a viagem e são o alicerce de todas as nossas memórias. Muito obrigado pela hospitalidade Patty e Mama, kap khun kaaaaaaaaaaaa…

A natureza é o templo.
Idealizado pelo monge budista e filósofo Buddadhasa, este temple utiliza o chão da floresta como seu assoalho, as árvores como paredes e as copas destas como telhado. Um templo que na nossa opinião condiz muito mais com a essência budista do que todos os outros templos que vimos, alguns deles extravagantes, por todo o sudeste asiático. Fomos levados neste lugar pela nossa anfitriã na cidade de Tha Chana, ela vai sempre lá com sua mãe para meditarem.
Este monge viveu bastante e durante toda sua vida se dedicou a escrever livros relacionados ao budismo, natureza e a vida. Viveu de maneira simples e autêntica. Encontramos e adquirimos um livro escrito por ele que se chama “No religion”, o nome nos chamou muita atenção, ainda mais escrito por um monge reverenciado no país. O conteúdo faz muito sentido e condiz com o título.

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A culinária tailandesa é saborosa, rica em ingredientes e variedades. Só a pimenta que é exagerada para nosso paladar. Uma das coisas mais importante que aprendemos a falar em tailandês foi “mai ped”, que significa “sem pimenta” ou quase sem. Na cidade de Tha Chana, esta senhora da foto preparou o melhor “Pad Thai” (tipo uma sopa com noodles) de toda nossa viagem.

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Flavinha completou 31 primaveras no dia em que partimos de Tha Chana. Esta foi uma lembrança feita pela nossa anfitriã Pattira, no café da manhã. Muito carinhosa.

E assim saímos da cidade de Tha Chana, acompanhados da Patty, nossa anfitriã do warmshowers.org, que passou a ser também nossa companheira de viagens por alguns dias.

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Na cidade de Sura Thani, depois de cerca de 70 km, ficamos na antiga casa da família da Patty, que estava fechada ha um bom tempo. Mas depois de uma limpeza geral ela estava prontinha para uma noite tranquila.

O templo da hospitalidade.
Era final de tarde e nós 3 (Thiago, Flávia e Pattira) chegamos em um templo budista próximo ao vilarejo de Khao Phanom. Entramos e vimos que haviam muitas pessoas por ali. Eu entrei para perguntar a alguém se haveria a possibilidade de acampar por alí. Em um salão haviam algumas pessoas e me indicaram uma simpática moça que falava inglês. Ela disse que iria me levar para falar com o monge, neste momento eu olhei melhor ao redor e vi flores e um caixão, ela e seus familiares estavam velando seu irmão que havia falecido de uma enfermidade crônica, fiquei sem graça por estar ali, me vi em meio a um velório, como que invadindo um momento tão particular, mesmo que tenha sido sem a intenção. Mas os familiares e a moça agiam naturalmente e me levaram ao monge. Ele era muito simpático e hospitaleiro, nos ofereceu uma casinha incrível, confortável para passarmos a noite. É de costume oferecer comida nos velórios budistas e nos convidaram para participarmos do jantar e café da manhã com eles. Apesar de nos sentirmos um pouco tímidos com aquela situação, a fome falou mais alto e participamos com eles das refeições. Eles nos pareceram ter uma maneira tranquila de encarar a morte e o ambiente de certa maneira nos pareceu leve. No dia seguinte depois do café da manhã nos despedimos de todos e subimos na bicicleta, pensando muito pelo camimho em todo o acontecido na noite anterior, experiências que nos fazem refletir muito, em um momento tão duro para aquelas pessoas, fomos tão bem acolhidos por elas.

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No dia seguinte continuamos por estradas de terra rurais em meio a plantações de palmeiras para extração de óleo de palma, próximos já a região de Krabi. A grande vantagem destas estradas é a sombra, além do visual.

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No vilarejo de Nuea Khlong terminamos o dia dormindo em um pequeno hotel. Tentamos um templo budista sem sucesso, desta vez não foram muito hospitaleiros, como nosso plano B no sudeste asiático eram as acomodações de baixo custo, não nos estressamos e pedalamos mais um pouco até encontrar esta hospedagem. Nesta noite nos despedimos na nossa companheira de viagem, a Patty, que decidiu voltar para Tha Chana pois recebeu noticias de que seu cachorro não estava bem.

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As chuvas no sudeste asiático quando vêm com força são verdadeiras tempestades, não pegamos muitas chuvas durante a viagem, mas normalmente quando elas vinham procurávamos um lugar coberto e esperávamos ela passar. No caminho para Ko Lanta pegamos muita chuva.

Na ilha de Ko Lanta tivemos a sorte de contactar a Taunjai e seu marido, únicos warmshowers por ali e eles mesmo não estando por lá, conseguiram uma mini casinha para nós, onde passamos 3 dias muito aconchegantes nesta ilha cheia de belas praias e natureza. As mais belas praias estão nas ilhas Tailandesas, e Ko Lanta não foi diferente, lá vimos as praias mais bonitas das nossas andanças pela Tailândia. Sabemos que há praias mais bonitas em outras ilhas mais paradisíacas do país, porém com acesso mais díficil e principalmente, muito mais turísticas e caras. Como queríamos um período de calmaria e tranquilidade no sudeste asiático, evitamos os lugares mais badalados, mesmo sendo eles os mais bonitos. A ilha de Ko Lanta é um pouco diferente das outras mais famosas. O acesso é rapido, barato e fácil por um ferry tradicional, há todos os tipos de hospedagem, inclusive solidária, a ilha esta cheia de praias muito bonitas e nos locomovemos tranquilamente de bicicleta por lá.

Ko Lanta (em tailandês: อำเภอเกาะลันตา) é um distrito da província de Krabi, no sul da Tailândia. É um dos 8 distritos que compõem a província. Sua população, de acordo com dados de 2012, era de 32 424 habitantes, e sua área territorial é de 339,843 km². O distrito abriga o Parque Nacional de Mu Ko Lanta, estabelecido em 1990 e com 134 km².

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A Flavia aproveitou os dias em Ko Lanta para dar um banho na “Finha”, que já estava encardida coitada, hehehe…

No dia de nossa saída da ilha de Ko Lanta decidimos fazer um caminho alternativo e cruzarmos a ilha pelo meio. As estradas eram de terra e algumas vezes bem íngrimes, várias vezes empurramos a bicicleta. Mas valeu a pena, atravessamos plantações de seringueiras e muitas áreas de exuberante mata nativa, cheias de vida animal.

No trecho entre Ko Lanta e Trang passamos uma noite em um hotel baratinho na companhia de nossa bicicleta e pegamos chuva de novo pelos caminhos, mas se não é tempestade forte, não paramos. Diferente dos países de clima frio, no sudeste asiático com o calorzão que faz, quando a chuva vem dá aquela refrescada boa no corpo.

Na cidade de Trang fomos hospedados pelo Mr Kim, que faz parte da comunidade warmshowers.org e já hospedou muita gente. Ele é um animado norte americano que vive na Tailândia. Lá aconteu mais um encontro muito legal, conhecemos outro casal de cicloviajantes, a Larissa (brasileira) e o Pierre (francês), que saíram da Grécia ha meses atrás. Foram momentos divertidos por lá. Cozinhamos panquecas francesas juntos, demos um passeio na cidade e a Flavinha preparou coxinhas para o Sr Kim e ele adorou. Foi interessante conversar com ele e entender um pouco como é a vida de um estrangeiro por lá e sua visão sobre as peculiaridades do país.

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Encontros.
Pierre e Larissa são um casal de cicloviajantes. Ele é Francês e ela Brasileira. Viviam na cidade de Estrasburgo antes de começarem a viagem. Foi ótimo conhecê-los e ter a oportunidade de passar vários momentos juntos e depois reencontrá-los na cidade de Kuala Lumpur, Malasia. Eles eram animados, divertidos e empolgados. Nas conversas descobrimos muitas coisas em comum e foi muito bom dividir este tempo com eles.
O blog deles: curiouscycling.home.blog/

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Um dia antes de sairmos da cidade de Trang no sul da Tailândia, fui limpar a bicicleta e percebi uma rachadura na pintura do garfo. Arranquei a tinta para ver melhor como estava abaixo dela e foi então que pela terceira vez nesta viagem tomei o mesmo susto, uma rachadura no metal (nas vezes anteriores foi uma rachadura no quadro e em um garfo anterior a este). Nossa bicicleta é de aço chromoly, o que facilita muito nos consertos, em praticamente qualquer lugar encontramos alguém com uma máquina de soldar. Na saída da cidade havia um lugar que fazia portões e mostrando nosso problema, um rapaz que trabalhava por lá em cerca de 15 minutos resolveu nosso problema com uma soldagem que ficou bem robusta, com o custo de 3 dólares. O resultado estético não ficou tão bom, mas o garfo já estava pronto para mais 25 mil quilômetros pelo mundo, assim esperamos…
E ainda ganhei uma cervejinha enquanto esperava hehehe…

Depois de Trang fomos por estradas menores, passando pequenos vilarejos e já eram 5 horas da tarde (no sudeste asiático escurece cedo) quando avistei em meio a uma plantação se seringueiras uma cabaninha de palha. Nas proximidades havia um mercadinho, fui até lá e por meio de gestos expliquei que gostaríamos de dormir na cabaninha, mesmo porque havia previsão de chuva. O dono da propriedade foi chamado e disse que poderíamos dormir lá sem problemas.
Flavinha deu um trato na cabaninha, colocamos nossos isolantes e a mosquiteira e montamos um mini lar por uma noite.

A cidade de Satun foi nossa última parada antes de sairmos da Tailândia e tivemos a sorte de sermos hospedados por uma família muito bacana, eles fazem parte da comunidade warmshowers.org . O Pot, sua esposa e 2 filhos foram muito hospitaleiros. Conhecemos mais como é a vida de uma família típica tailandesa e eles nos levaram em um restaurante com comidas muito gostosas, para fecharmos a última noite em território tailandês fazendo o que mais gostamos, comer… hehehe

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No dia seguinte pela manhã, resolvi substituir um dos raios traseiros que havia quebrado, porém eu não tinha uma das ferramentas para retirar o cassete. O jeito foi improvisar, peguei um pedaço de cabo de vassoura, arame e um pedaço de corrente velha e funcionou. De Satun até o Ferry que tomamos para deixar a Tailândia e entrar na Malasia foram cerca de 15 km por estradas tranquilas.

Nos despedimos da Tailândia depois de mais de 1 mês cruzando boa parte do país. Temos saudades de muitos momentos nos quais viajamos de bicicleta por lá. O povo alegre, boa comida, belas praias e clima tropical deixou saudades. Sawadee kaaaaa!!

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<- Primeira parte do trecho pela Tailândia.

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