America Austral, a incrível Tierra del Fuego, PARTE 2 – Ushuaia, Argentina / America Austral, the incredible Tierra del Fuego, CHAPTER 2 – Ushuaia, Argentina.

Depois de cruzar o Paso Bellavista, fronteira entre o Chile e Argentina na Terra do Fogo, entramos na última etapa das nossas andanças pelo extremo sul das Américas. After crossing Paso Bellavista, the border between Chile and Argentina in Tierra del Fuego, we entered the last stage of our wanderings in the extreme south of the Americas.

Entre a fronteira e a próxima cidade, Rio Grande, faltavam cerca de 85 km, então dividimos o trajeto em 2 dias. Dormimos na estrada B ao lado de um pequeno rio e uma ponte, numa parte rebaixada da pista, o único lugar onde conseguíamos escapar um pouco do vento que estava muito forte. Between the border and the next city, Rio Grande, it was about 85 km, so we divided the route in two days. We slept on the B road next to a small river and a bridge, in a recessed part of the lane, the only place where we could escape some of the very strong wind.

Durante a colocação da barraca veio uma forte rajada de vento que a arrastou até uma cerca ao lado e para nossa infelicidade rasgou um pedaço do teto dela e algumas nuvens de chuva se aproximavam. Paramos tudo, sentamos em cima da barraca desarmada para ela não voar mais, pegamos nosso kit costura e eu costurei com calma o rasgo. Feito isso armamos a barraca e passamos cola tipo silicone dos dois lados da costura para impermeabilizá-la. Caiu uma chuva forte a noite e não entrou nada de água pelo rasgo costurado. Deu tudo certo. During the placement of the tent came a strong gust of wind that dragged it to a fence next door and to our unhappiness ripped a piece of its roof and a few clouds of rain were approaching. We stopped everything, sat on top of the unarmed tent so it did not fly any more, we took our sewing kit and I calmly sewed the trait. Once we’ve done that, we set up the tent and put silicone-like glue on both sides of the seam to waterproof it. A heavy rain fell at night and no water got through the seam. Everything worked okay.

No outro dia pela manhã acordamos com o sol aquecendo nossa barraca, fizemos nosso café da manhã e partimos rumo a cidade de Rio Grande, onde já tínhamos um lugar onde queríamos acampar, em “La Casa Azul de Graciela”, uma espécie de camping famoso entre os cicloviajantes que passam por lá. The next morning we woke up with the sun warming our tent, made our breakfast and headed for the city of Rio Grande, where we already had a place where we wanted to camp, in “La Casa Azul de Graciela”, a kind of famous camping among the cyclists traveling there.

 

Até chegar na rota costeira 3 o vento ajudou bastante, mas depois que entramos na Ruta 3 e tivemos que seguir sentido norte por 4 quilômetros até chegar na cidade de Rio Grande, pegamos muito vento de frente e foi demorado vencer o trecho que faltava. No meio do caminho encontramos descendo para o sul, o amigo ciclo viajante francês Samuel Jautzy, do canal “Roca Bicicleta “. Havíamos conhecido ele durante nosso Natal na cidade de El Bolson na Argentina (link para o Post) e ficamos felizes em revê-lo. Until arriving at coastal route 3 the wind helped a lot, but after we entered Route 3 and had to follow north for 4 kilometers until arriving in the city of Rio Grande, we took a lot of front wind and it was harf to win that stretch. In the middle of the way we found descending towards the south, the friend French cycle traveler Samuel Jautzy, of the channel “Roca Bicicleta“. We had met him during our Christmas in the city of El Bolson in Argentina (link to the Post) and we were happy to see him again.

A cidade de Rio Grande é bem movimentada, com várias facilidade e muito vento frio. Chegamos então em “La Casa Azul de Graciela”, que se trata de uma casa muito aconchegante com uma área de camping no quintal, muito frequentada por cicloviajantes de todas as partes. Assinando o livro de visitas da casa nos deparamos com assinaturas e mensagens de outros ciclo turistas brasileiros que conhecemos. The city of Rio Grande is very busy, with very strong cold wind. We then arrived at “La Casa Azul de Graciela”, which is a very cozy house with a camping area in the backyard, very frequented by cyclists from all over the world. Signing the guest book of the house we came across signatures and messages of other Brazilians we know.

 

A responsável se chama Graciela, uma senhora natural da Terra do Fogo, super simpática e comunicativa. É impressionante como seu bom humor e hospitalidade são cativantes, fazendo todos se sentirem a vontade no ambiente. Ficamos alguns dias lá e conhecemos muitos outros viajantes, com quem trocamos informações, conversas e saborosas refeições. The person in charge is called Graciela, a lady from Tierra del Fuego, super friendly and communicative. It is amazing how her good mood and hospitality are captivating, making everyone feel at home there. We spent a few days there and met many other travelers, with whom we exchanged information, conversations and tasty meals.

Seguindo a dica de outros ciclo turistas, saindo de Rio Grande, seguimos para o sul por uma rota alternativa a Ruta 3, as rotas F e H, que são estradas rurais com mais vegetação ao redor protegendo dos ventos e uma bela lagoa pelo caminho. Following the hint of other cycle tourists, leaving Rio Grande, we head south on an alternative route to Route 3, routes F and H, which are rural roads with more vegetation around sheltering from the winds and a beautiful lagoon by the way.

Na Ruta F paramos primeiro em uma área descampada e gramada ao lado da estrada, com algumas árvores ao redor. A noite foi tranquila e pela manhã fomos acordados com o barulho de muitos cavalos passando ao lado da barraca. Eram gauchos indo para a “Fiesta del Ovejero” que estava acontecendo nesta época em uma das fazendas que estava neste caminho. On Route F we first stopped in an open grassy area at the side of the road, with some trees around. The night was quiet, and in the morning we were awakened by the noise of many horses passing by the tent. They were gauchos going to the “Fiesta del Ovejero” that was happening in this time in one of the farms that was in this way.

 

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Continuando pela Ruta F, com pouco movimento de veículos, avistamos uma mata ao lado da pista e ao lado em uma área mais plana uma árvore convidativa com sua sombrinha. Acampamos neste local. Alguns guanacos que moravam aí perto ficaram um pouco irritados com nossa presença e começaram a emitir um som característico deles que parecem uma “risada estridente”, mas depois se acostumaram conosco e pararam. A noite fomos presenteados com um belo céu estrelado. Continuing along Route F, with little movement of vehicles, we saw a forest next to the lane and next to a flatter area an inviting tree with its shade. We camped at this place. Some guanacos who lived nearby were a little irritated by our presence and began to emit a characteristic sound that sounds like a “raucous laugh”, but then they got used to us and stopped. At night we were presented with a beautiful starry sky.

Entrando na Ruta H, nossa meta foi chegar até o Lago Yehuin, ponto de parada já conhecido de muitos cicloviajantes também. Era um domingo e haviam muitas pessoas locais fazendo picnic ao redor do lago. Logo na entrada há um hotel abandonado, mas achamos meio sinistro e acampamos em um ponto mais escondido entre as árvores, onde carros não conseguiriam chegar. Entering Route H, our goal was to get to Lake Yehuin, the stopping point already known by many bicycle travelers as well. It was a Sunday and there were lots of local people picnicking around the lake. At the entrance there was an abandoned hotel, but we found it rather sinister and we camped at a point more hidden among the trees, where cars could not reach.

 

O local era tão bonito e o contato com a natureza tão intenso que decidimos ficar por duas noites aí. A água da lagoa era cristalina e a utilizamos para beber e cozinhar. Em uma das noites escutamos uns grunhidos ao lado da barraca e quando saímos era uma família de raposinhas que sentiu o cheirinho do nosso jantar. The place was so beautiful and the contact with nature so intense that we decided to stay for two nights there. The water in the lagoon was crystal clear and we used it for drinking and cooking. On one of the evenings we heard grunts by the side of the tent and when we went out there was a family of little foxes that smelled our dinner.

Depois da Ruta H voltamos a Ruta 3 sentido sul até chegar a cidade de Tolhuin, que não apresenta muitos atrativas, mas conta com uma padaria famosa por receber cicloviajantes a décadas, a “Panaderia La Union”. After Ruta H we return to Ruta 3 southwards until reaching the town of Tolhuin, which does not have many attractions, but it has a famous bakery thay hosts bicycle tourists for decades, the “Panaderia La Union”.

Encostamos a bicicleta na entrada da padaria e entrei. No caixa me apresentei e perguntei se els recebiam viajantes de bicicleta por alí. Eles nos pediram para aguardar um pouquinho que já nos levariam ao local. Aproveitamos para tomar um café e comer uma “factura”, um doce delicioso. A padaria é bonita, cheia de guloseimas e muito movimentada. Passado um tempinho fomos levados ao deposito da padaria, que conta com um quarto e banheiro com ducha quente. We put the bike in the entrance of the bakery and entered. At the balcony I introduced myself and asked if they received bike travelers there. They asked us to wait a little bit and they would take us to the place. We took the opportunity to have a coffee and eat a “factura”, a delicious sweet. The bakery is beautiful, full of goodies and very busy. After a while we were taken to the bakery warehouse, which has a bedroom and bathroom with a hot shower.

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“La Casa de La Amistad” como é chamado o quarto, conta com uma beliche, uma cama de solteiro e um armário. O quarto tem as paredes todas decoradas com enfeites e recados deixados por cicloviajantes do mundo inteiro que já passaram por ali. Tudo muito pitoresco e interessante. “La Casa de La Amistad” as it is called the bedroom, has a bunk bed, a single bed and a closet. The room has the walls all decorated with decorations and scraps left by cyclists from around the world who have passed there. Everything very picturesque and interesting.

Nossa estadia por lá foi bem tranquila e conhecemos além de outros cicloviajantes, o dono da padaria, Sr. Emilio, que nos contou um pouco de sua história também. Our stay there was very quiet and we met in addition other bicycle tourists and the owner of the bakery, Mr. Emilio, who told us a bit of his history as well.

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Ainda com tempo de sobra para nosso vôo que sairia de Ushuaia, pedalamos somente cerca de 10km depois de Tolhuin e paramos em uma área de camping livre as márgens da Laguna del Indio. O lugar era tranquilo e passamos um final de tarde e noite aconchegante por lá, com muita natureza ao redor. Still with plenty of time for our flight from Ushuaia, we pedaled only about 10km after Tolhuin and stopped at a free camping area on the shores of the Laguna del Indio. The place was quiet and we spent a late afternoon and cozy evening there, with lots of nature around.

Havia chegado o dia da nossa última parada antes do “Fin del Mundo”, o Lago Escondido e suas cabanas abandonadas, famosas entre os viajantes que passavam por ali também. Com comida suficiente estávamos preparados para passar 2 ou 3 dias por lá antes da última pernada até o Ushuaia. O caminho até lá foi tranquilo e chegamos no final da tarde. The day had come for our last stop before the “Fin del Mundo”, the Escondido Lake and its abandoned huts, famous among travelers passing by as well. With enough food we were prepared to spend 2 or 3 days there before the last stride to Ushuaia. The way to get there was quiet and we arrived late in the afternoon.

 

Seguimos as placas para a Hosteria Petrel e chegamos ao local das Cabanas. A de número 8 é a mais conservada e um “lar” dos cicloviajantes que passam por alí. Chegando lá já estavam 5 cicloviajantes, da França e Espanha. O lugar é lindo a beira de um lago de águas cristalinas com montanhas nevadas decorando o fundo. Ficamos 2 dias ali desfrutando de toda aquela natureza e companhia de pessoas bacanas. No segundo dia todos que estavam na cabana se foram e no final da tarde chegou um simpático casal de escoceses, com quem dividimos mais uma noite. We followed the signs to Hosteria Petrel and arrived at the huts. The one of number 8 is the most conserved and a “home” of the cyclists there. There were already 5 bicycle tourists there when we arrived, from France and Spain. The place is beautiful on the edge of a crystal clear lake with snowy mountains decorating the background. We spent two days there enjoying all that nature and company of nice people. On the second day everyone in the hut was gone and in the late afternoon a nice couple of Scots arrived, with whom we shared another night.

No dia seguintes esperamos uma chuva que caia pela manhã acalmar e partimos. Fomos pela antiga Ruta 3, de rípio, ao invés de voltarmos a rodovia asfaltada direto. O trecho era lindo, mas muito duro. A estrada era precária e com trechos de inclinação de até 40%, era como empurrar a bicicleta contra uma parede. Levamos 1 hora e meio para chegarmos ao topo (3 km), que se chama Paso Garibaldi. The following day we waited for a rain that was falling in the morning to calm down and we left. We took the old Route 3, dirt road, instead of going back to the direct asphalt road. The stretch was beautiful, but very hard. The road was precarious and with slopes up to 40%, it was like pushing the bike against a wall. We took an hour and a half to get to the top (3 km), which is called Paso Garibaldi.

Depois deste trecho os outros foram mais tranquilos até o Ushuaia. After this stretch the rest were more flat until Ushuaia.

Quando chegamos ao portal do Ushuaia a emoção tomou conta de nós. Depois de 7 meses pedalando, passando dias de frio, sede, cansaço, fome, calor e dores musculares chegamos ao “Fin del Mundo”, sonho de muitos viajantes e chegar alí de bicicleta não é nada fácil. A sensação era de alegria, vitória e alívio. Limpamos as lágrimas, nos abraçamos, tiramos fotos e nos despedimos de um casal de colômbianos que chegaram lá na mesma hora que nós. Casal este que havíamos conhecido na Carretera Austral no Chile, na cidade de Coyhaique (link do Post). When we arrived at the portal of Ushuaia the emotion took over us. After 7 months of cycling, passing days of cold, thirst, fatigue, hunger, heat and muscular pain, we arrive at the “Fin del Mundo”, dream of many travelers and getting there by bike is not easy. The sensation was of joy, victory, and relief. We wiped out our tears, hugged each other, took photos, and said goodbye to a couple of colombians who arrived there at the same time as us. This couple we had met on the Carretera Austral in Chile, in the city of Coyhaique (Post link).

Entramos em Ushuaia com o GPS nos direcionando para o endereço do “warmshowers” que nos hospedaria por alguns dias lá. O Christian nos recebeu com muita hospitalidade e um grande sorriso no rosto, logo nos sentimos em casa com o humor cativante dele. Acampamos no quintal pois ele já estava recebendo outras viajantes através do CouchSurfing. Ele é um viajante também e já havia ido até o Alaska e voltado ao Ushuaia de Kombi, bicicleta e caronas, ele era uma figura e cheio de histórias engraçadas, tivemos sortes em sermos acolhidos por ele. We entered Ushuaia with the GPS directing us to the address of the “warmshowers” that we would stay for a few days there. Christian welcomed us with a lot of hospitality and a big smile on his face, we soon felt at home with his captivating humor. We camped in the yard because he was already hosting other travelers through CouchSurfing. He is a traveler too and had already gone to Alaska and returned to Ushuaia by Kombi, bicycle and hitchhiking, he was nice and full of funny stories, we were lucky to be hosted by him.

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Ushuaia é uma cidade bem estruturada, com museus e passeios interessantes para fazer. Fomos ao Museu do Fim do Mundo e Museu da Penitenciária, fizemos um tour pelo canal de Beagle até a ilha dos leões marinhos e acampamos no Parque Nacional La Pataia com o nosso anfitrião e outra couchsurfer, a Rossana, do canal do youtube “Gipsy Journey“. Foi tudo muito bacana. Ushuaia is a well-structured city with interesting museums and tours to do. We went to the Museum of the End of the World and Penitentiary Museum, we toured the Beagle Channel to the island of the sea lions and camped in the National Park La Pataia with our host and another couchsurfer, Rossana, of the youtube channel “Gipsy Journey “. It was all so cool.

Para nos despedirmos deste cantinho especial do mundo, cozinhamos uma Centolla grandona para compartilhar com nosso anfitrião e fomos a um pub bem legal , bar Dublin, junto com outros cicloviajantes que estavam por lá. Neste pub teve uma briga cinematográfica entre alguns clientes, o que no final das contas deu uma esvaziada no lugar, que estava super lotado, e até conseguimos uma mesa, hehehe. To say goodbye to this special little corner of the world, we cooked a big crab to share with our host and we went to a really cool pub, Dublin bar, along with other cycle tourists that were there. At this pub there was a movie fight between some customers, which in the end emptied the place, that was super crowded, and we finally got a table, lol.

E assim nos despedimos com saudades do “Fin del Mundo”. Vivemos intensamente desde que saímos da porta de casa, em Jales no interior de São Paulo, até chegarmos no Ushuaia, depois de mais de 6 mil quilômetros pedalados. Valeu muito a pena, aprendemos muito, vimos e sentimos muitas coisas e somos muito gratos a tantas pessoas incríveis que conhecemos e que nos ajudaram, muitas vezes nos acolhendo em suas casas sem nunca ter nos visto antes. And so we ended the stretch for the “End of the World”. We have lived intensely since we left the door of our house, in Jales town at São Paulo state, until we arrive in Ushuaia, after more than 6 thousand kilometers cycled. It was well worth it, we learned a lot, saw and felt many things and are very grateful to so many incredible people that we met and those who helped us, often welcoming us into their homes without ever having seen us before.

Agora já viajando pelo Marrocos enquanto escrevo este post, sei que ainda vem muita coisa interessante por aí neste mundo. Now I’m traveling in Morocco as i write this post, I know there’s still a lot of interesting stuff out there in the world to come to our way.

“A vida é como um livro, quem não viaja lê apenas a primeira página” (Santo Agostinho). “Life is like a book, those who do not travel read only the first page” (St. Augustine).

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