Nova Zelândia de bicicleta, parte 2 – Ilha Norte. Um país de belas paisagens, rios cristalinos, fauna e flora peculiares e o playground das camper vans e motor homes. (For other languages, please use the internet or browser translator)

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Chegamos a ilha norte Neo Zealandesa vindos de ferry boat, da cidade de Picton desembarcando em Wellington, a capital do país. A ilha norte foi outra surpresa para nós, ela tem um estilo diferente da sua irmã ao sul, o clima, a infra-estrutura e até o jeito das pessoas.

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Neste segundo trecho na Nova Zelândia percorremos cerca de 800 km, indo de Wellington a Auckland, nosso destino final neste país. Como já havíamos reservado um vôo para os Estados Unidos da América para o final de Março, não poderíamos circular muito pela ilha Norte, pois correríamos o risco de perder o vôo. Então optamos por um caminho mais curto, passando um pouco pela costa oeste e depois seguindo pelo centro do continente e visitando as partes que mais gostaríamos nesta ilha, o Parque Nacional Tongariro e a região vulcânica em Rotorua.

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Chegamos em Wellington, desembarcamos do ferry boat e começamos nossa pedalada de uns 10 km até a casa dos nossos anfitriões (warmshowers). No perfil deles estava escrito que eles adoravam montanhas e em alguns comentários estava escrito que havia uma subidona até a casa deles. Dito e feito, os primeiros 5 km foram tranquilos, os 4 km posteriores foi subindo bastante e o último km foi aquele que até para empurrar o pé escorrega de tão inclinado. A vantagem é que a vista da cidade era bonita lá de cima. Muitas vezes durante a viagem isto acontecido conosco, no finalzinho do dia tem aquela subida agressiva.

Anfitriões aventureiros.
Na cidade de Wellington fomos hospedados pelos queridos Andy e Eileen, que contactamos através do warmshowers.org . Eles viajaram de bicicleta por 3 anos, atravessandl muitos lugares em comum com nossa viagem. Eles eram super animados, ativos e apaixonados por bikepacking. Eles prepararam uma cama super confortável pra nós. Ficamos 3 noites em Wellington e pudemos descansar, conversar bastante e comer muito (adoramos hehehe). Conversamos bastante sobre viagens de bicicleta, Nova Zelândia e coisas da vida. Muito obrigado pessoal, desejamos a vocês muitas viagens divertidas.

A cidade de Wellington tem um perfil mais cosmopolita e moderno que Christchurch. Gostamos bastante de passear pela área central e costeira, cheia de barzinhos, museus interessantes, parques, artes de rua, detalhes e paisagens bonitas na porção beira mar. Com uma população de cerca de 400 mil habitantes, a cidade está situada ao lado de um porto natural, em colinas pendulantes e verdes. A região é sujeita a terremotos, bastante frequentes, e que quase causaram a destruição da cidade nos anos de 1848 e 1855. Há poucas áreas planas, por isto a maioria da população da cidade vive nas colinas ao redor, em áreas de risco devido às atividades sísmicas.
A cidade é um importante centro financeiro e comercial na Nova Zelândia. Também é um importante polo cultural do país, abrigando o museu Te Papa (“nosso lugar”, em língua maori), o balé, a orquestra sinfônica, e a produção cinematográfica neozelandesas.

A lula gigante e o incrível museu Te Papa, Wellington, Nova Zelândia. O Museu Te Papa foi o que mais gostamos no país. Apresenta uma enorme quantidade de informações, muitas delas colocadas de maneira interativa. A parte que mais gostamos foi sobre a natureza e o bicho que nos deixou mais impressionados foi a Lula Gigante. Neste museu esta o maior exemplar inteiro em exposição no mundo, é lindo! A Nova Zelândia investe bastante em cultura e o acesso à ela é incentivado e muitas vezea gratuíto, como a entrada neste museu por exemplo. Há algumas exposições específicas que são pagas, mas a maior parte do museu pode ser visitada gratuitamente. Aprendemos muito sobre a natureza, história, cultura, geografia, vulcões, peculiaridades e tudo mais que esta relacionado ao país.

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Nossa saída da cidade de Wellington foi mais tranquila que o esperado. A cidade tem várias ciclovias que se conectam e que continuam pelas estradas até se afastarem da cidade. De olho no GPS, fomos por estas ciclovias e saímos da cidade sem ter que disputar lugar com os carros em nenhum momento. Nosso próximo destino no mapa era o Parque Nacional de Tongariro. Levamos alguns dias para chegar lá, mas guiamos nosso trajeto por ele.

Qual foi uma das coisas que mais gostamos na Nova Zelândia?? Os banheiros públicos, hehehehe, afinal estes lugares muitas vezes são verdadeiros oásis para os cicloviajantes. Pelo país todo, que esta cada vez mais preparado para o grande influxo de turistas, é possível encontrar banheiros públicos e alguns deles super tecnológicos e “chiques” como este, logo depois da cidade de Wellington, sentido Noroeste.

No final de tarde, depois de uns 60km , completamos 27000 km pedalados  na nossa viagem e chegamos a uma área de camping em uma região pouco povoada ao norte de Wellington, Battle Hill DOC Campsite. O lugar era cheio de natureza ao redor, do jeito que gostamos. Por conta do começo da pandemia do novo Corona Vírus em outros países, o número de turistas havia diminuído e os campings estavam mais tranquilos. Gostamos bastante dos campings do DOC ou que sigam o mesmo estilo, são em meio a natureza, normalmente com alguma trilha associada e um rio para nadar ou pegar água. Neste dia haviam inclusive várias enguias em um córrego de águas cristalinas que passava por lá. O preço foi de 13 nzd por pessoa, com banheiros e água potável.

Costa Oeste da ilha Norte, Nova Zelândia. Antes de seguirmos para o centro da ilha norte, no sentido do Parque Nacional Tongariro, percorremos um trecho pela costa oeste. O relevo da ilha norte também é bem montanhoso e depois de uma longa subida avistamos novamente o mar bem azul lá embaixo, depois desta foto veio uma descida deliciosa de mais de 15 km.

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Nossos “restaurantes”
A Nova Zelândia foi um país caro para nosso orçamenro apertado, então não comemos nenhuma vez em restaurantes no país, com exceção quando alguém nos convidou.
Então, nossos “restaurantes” do dia a dia eram os supermercados, hehehe.
Existem 3 mais populares: Pak’n Save, New World e Countdown, sendo o primeiro o mais barato.

Waikawa DOC Freedom Campground (Manakau, NZ). Vimos pelo GPS que haveria um lugar de Freedom Camping depois de uns 50 km e fomos até ele, chegando lá haviam banheiros e um rio de águas cristalinas. Tomamos aquele banho gelado de rio, colocamos nossa barraca o mais afastado possível das campervans (por ser um lugar gratuíto havia cerca de 20 veículos a noite) e cozinhamos cogumelos que compramos na cidade próxima (Manakau). Acho que foi o país onde mais comemos cogumelos durante a viagem, são nutritivos e o preço é razoável.

Hospitalidade.
Na pequena cidade de Foxton fomos recebidos pelo hospitaleiro e bem humorado casal Norton e Ute (warmshowers.org), além dos seus filhos que dá vontade de abraçar toda hora de tão lindinhos. Ele (kiwi) e ela (alemã) já realizaram viagens juntos e agora estão planejando uma viagem de bicicleta com as crianças, demos várias ideias de lugares legais para eles.. claro ☺. Acampamos no jardim da frente da casa e eles ainda prepararam um delicioso jantar para todos nós. Esta interação toda com as pessoas do país é muito legal, aprendemos muito com isso. Muito obrigado pela acolhida.

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No sentido ao vilarejo de Marton, onde já havíamos combinado uma hospedagem solidária através do aplicativo warmshowers.org, passamos por estradas mais rurais e eu parei para apreciar alguns aviões que voavam baixo (o aeroporto ficava do outro lado da pista). A Flavinha me deixou alí sozinho apreciando os aviões e ela ficou bem longe com medo que algum avião pudesse cair em cima da gente, hehehe… só ela mesmo…

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“Quem não tem cão caça com gato”. A Flavinha perdeu a luva de ciclismo dela quando saímos de Wellington. Como as luvas de ciclismo estavam muito caras nas lojas, fomos em uma loja de materiais de construção e compramos uma de jardinagem para ela mesmo, não foi o ideal, mas quebrou um galho.

A pequena fazenda.
Na cidade de Marton tivemos uma hospedagem solidária através do aplicativo warmshowers.org.
Quando chegamos na entrada da propriedade, uma pequena fazenda na periferia da cidadezinha, fomos surpreendidos na chegada com uma bandeira do Brasil pregada na porteira, colocada para sabermos que estávamos no lugar certo.
Entramos e esperamos o simpático casal Neil e Lorraine chegarem. Foram momentos muito bons com eles. Eles tinham vacas, cabras, bodes, galinhas e uns porcões enormes e o mais legal é que todos tinham nomes. Ajudamos a alimentar os animais e fomos alimentados também hehehe, eles fizeram um jantar super gostoso. Ficamos duas noites e foi super divertido, ele ainda nos deu boas dicas de caminhos, que seguimos até o Parque Nacional Tongariro. Sentimos saudades deles e do Hank, um cachorro muito bonzinho que eles tinham. Muito obrigado Neil e Lorraine pelo acolhimento, dicas e cama quentinha.

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Seguimos a dica do nosso anfitrião na cidade de Marton e cobtinuamos por pequenas estradas que nos levariam a Turakina Valley Road, uma estrada remota e rural que não seria fácil percorrer, porém teria mais aventuras, bonitas paisagens e seria uma boa opção para escapar das estradas mais movimentadas. Pouco antes de entrarmos nesta rota mais remota, fizemos uma paradinha para almoço em um ponto de ônibus.

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Um presente na estrada.
Estávamos pedalando tranquilos por uma pequena estrada rural (Aldworth road) quando fomos parados pela Shona, esta simpátic kiwi ficou curiosa em ver nossa bicicleta e por coincidência conhecia nosso anfitrião na cidade anterior. Ela foi super simpática e vendo que não utilizávamos os coletes refletivos, tratou de dar um para a Flávia, além disso ela percebeu que a Fla estava usando as luvas de jardinagem e também a presenteou com um par de luvas de ciclismo. Foi tudo muito inesperado e adoramos os presentes e tê-la conhecido. Obrigado Shona por ter cruzado nosso caminho 😊.

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Olhem que super camuflagem deste “bicho pau”.

A escolinha.
Uma coisa legal que descobrimos na Nova Zelândia foram as áreas de domínio público que tem alguma escolinha nelas, pois conseguimos acampar nestes locais, com a permissão do diretor(a) claro. Mas normalmente estas áreas de domínio ficam afastadas das cidades e as escolinhas neo-zelandesas também não costumam deixar turistas acampar ao lado, porém as coisas mudam quando estes lugares são mais remotos e longe de pontos turísticos. Foi uma boa termos pegado uma estrada bem remota chamada Turakina Valley Road. Depois uns 50 km pedalando chegamos a uma escolinha chamada Otiwhiti, conversamos com o diretor que nos permitiu acampar ao lado e usar os banheiros, água e algumas mesas na escolinha. Até a piscina ele disse que poderíamos utilizar. O lugar a noite ficava um silêncio total e foi bem tranquilo acampar alí.

Turakina Valley Road.  Esta estrada tortuosa segue margeando o vale do rio Turakina, na porção central da ilha norte Neo Zelandesa, no sentido do Parque Nacional Tongariro. Com cerca de 100 km, esta estrada fica em uma área remota e rural, cheia de beleza e tranquila para pedalar, porém fizemos ela no sentido de sul a norte e foi subida praticamente o tempo todo. A primeira metade da estrada é asfaltada, mas o restante é estrada de terra e por vezes com pedras soltas e foi mais um trecho desafiador para nós em uma tandem carregada, mas valeu a pena, cruzamos belas paisagens, vilarejos minúsculos, vimos cachoeiras e acampamos em lugares muito tranquilos.

Esta foi a segunda escolinha onde acampamos na remota Turakina Valley Road. Chegamos a tarde, depois de uns 35 km morro acima em um trecho difícil e cansativo e no final das aulas deste dia. A criançada deu um “hello” para nós e fomos falar com a diretora. Muito educada e simpática, ela disse que poderíamos acampar em uma grande área gramasa anexa a escola (área de domínio público) e teríamos acesso a água, banheiros e cozinha de um salão que pertencia a escola. Perfeito! Nos despedimos da diretora no final da tarde e foi um dos lugares mais tranquilos que acampamos no país. Antes do sol se por pudemos ouvir e observar vários pássaros que passaram por alí. A noite foi silenciosa e com um céu super estrelado, adoramos.

“Montanha a vista!!” O final da estrada Turakina Valley estava chegando e depois de várias subidas pudemos avistar o que estávamos buscando há alguns dias, as belas montanhas do Parque Nacional Tongariro. Paramos a bicicleta e tiramos uma foto com o belo e imponente Monte Ruapehu ao fundo.
O Monte Ruapehu é um vulcão ativo, o maior vulcão ativo da Nova Zelândia, com seu ponto mais alto a 2797 metros ( Pico Tahurangi ). Sua última erupção foi em 2007.

Hospitalidade Maori.
A estrada Turakina Valley terminou em uma rodovia que nos levaria até a cidade de Okahune, em uma área chamada Tangiwai. Mas estávamos cansados, o vento contra estava forte, ainda faltavam 20 km e nossa água estava acabando. Encontramos um ponto de ônibus para nos refugiarmos dos vento e comermos algo. Pensamos na possibilidade de acamparmos por alí, mas sem água seria difícil. Neste momento passou uma caminhonete vermelha e eu acenei, ela parou. Havia um senhor dirigindo e eu pedi água, ele disse “Entre aí” enquanto uma cachorra enorme e assutadora latia sem parar no bagageiro, eu entrei meio ressabiado e ele me levou até um fazenda para pegar água enquanto a Flávia ficou alí esperando. Eu aproveitei e perguntei se havia um lugar onde poderíamos acampar uma noite. Foi então que começamos a conhecer a hospitalidade Maori. Resumo da história, terminamos o dia na casa de uma simpática e hospitaleira família Maori. Sr Victor e Sra Kim viviam alí com sua filha e sobrinha. O Sr Victor nos levou para tomarmos banho de cachoeira (geladíssima hehehe), prepararam um jantar super delicioso e dormimos em uma cama bem quentinha com vista para a bela montanha Ruapehu. Tudo de maneira muito simples, espontânea e aconchegante. Adoramos este contato e acolhimento que tivemos de uma família Maori, foi muito bom conhecer este lado da cultural do país. Ahhh e a cachorra assutadora, a “Lady”, ficou nossa amiga.

No dia seguinte nos despedimos da família Maori em Tangiwai e pegamos uma carona de 20 km com o sr Victor, que nos deixou em na cidade de Okahune. A nossa dúvida seria ficar por ali ou seguir mais uns 50 km até o próximo camping, pois o vento estava muito forte e havia uma chuva forte a caminho. Como estávamos com aquela preguicinha boa e começou a chover, pedalamos apenas uns 5 km até o camping, que ficava ao lado da cidade de Okahune.

O furto.
Assim como a maioria dos DOC Campings, ficava em meio a natureza, do jeito que gostamos. O valor era de 8 NZD por pessoa e como lemos um review do aplicativo para não pagar na “caixinha da honestidade” pois haviam furtos, fomos até o i-Site na cidade e pagamos lá adiantado. Dito e feito, lá pelas 8 horas da noite vimos um carro se aproximando, desceram dois caras, ficaram um pouco ao lado da caixinha de pagamentos e saíram. Quando fomos lá ver haviam apenas alguns envelopes dos pagamentos vazios e rasgados no chão, com um arame eles pescavam os pagamentos de dentro da caixinha, que malandros. No outro dia pela manhã passamos na oficina de turismo da cidade e contamos o que aconteceu.

Continuamos rumo ao Parque Nacional Tongariro, cada vez mais perto, já no pé das cadeias de montanhas e vulcões. As paisagens foram ficando cada vez mais lindas e a natureza mais exuberante. Esta foi outra região que consideramos muito bonita para pedalar no país.

Mount Ngauruhoe (Māori: Ngāuruhoe) é um vulcão ativo na Nova Zelândia. É a abertura mais jovem do complexo vulcânico de Tongariro, no planalto central da ilha norte, e entrou em erupção há cerca de 2.500 anos. Embora muitas vezes considerado como uma montanha separada, geologicamente é um cone secundário do Monte Tongariro. Ngauruhoe entrou em erupção 45 vezes no século 20, mais recentemente em 1977. Fumarolas existem dentro da cratera interna e na borda da cratera oriental, externa. Alpinistas que sofrem de asma podem ser afetados pelos fortes gases sulfurosos emitidos pela cratera.

Mangahuia DOC Camping.
Bem próximo ao Parque Nacional Tongariro encontramos mais um daqueles DOC campings com una natureza linda ao redor e um riozinho de água cristalina e geladíssima. Gostamos deste camping pois a área para barracas ficava separada dos carros, deixando tudo mais tranquilo a noite.

O banho de rio mais gelado até hoje.
No Camping Mangahuia nós tomamos o banho mais gelado da viagem até agora. Quando eu mergulhei eu sentia pinicar toda a minha pele e musculatura, mesmo ensolarado a água estava quase a 0 Celsius, achei que iria congelar a bola do meu olho hahahaha…

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Paradinha para picnic rumo a cidade de Turangi. Em Turangi conseguimos uma hospedagem solidária através do aplicativo warmshowers.org e decidimos eleger esta cidade como nossa base para explorarmos o Parque Nacional Tongariro.

Hospitalidade kiwi.
Chegamos a cidade de Turangi, localizada bem próximo ao Parque Nacional Tongariro, na face norte. Fomos hospedados pelo hospitaleiro Sr. Kerry, através do aplicativo warmshowers.org . Ele estava trabalhando no momento em que chegamos, mas deixou a casa aberta e um quarto todo arrumado já nos esperando. Ele foi nosso anfitrião vai tímido até hoje, hehehe, mas depois de tanto falarmos na orelha dele, ele foi se soltando. Sempre muito gentil e educado nos deixou muito a vontade e nos levou para conhecermos um lugar vulcânico com águas termais. Ficamos 3 noites, o suficiente para fazermos a trilha do Tongariro.
Como conseguimos a hospedagem solidária, decidimos pegar o shuttle para visitar o parque Nacional, a opção mais prática a partir da cidade de Turangi.

Lamas termais vulcânicas borbulhando nas proximidades da cidade de Turangi. Toda a porção central da ilha norte neo zelandesa é muito ativa do ponto de vista vulcânico, principalmente desde a região do Parque Nacional Tongariro até a cidade de Rotorua. Muitas vezes pedalando nesta região sentíamos o cheiro de enxofre nas estradas e algumas cidades.

Um dos lugares mais bonitos que já visitamos.
O Parque Nacional Tongariro nos deixou de queixo caído de tanta beleza. Não são cobradas entradas para os parques nacionais no país, o que pagamos foi para chegar até lá, com um shuttle que cobrou 50 nzd por pessoa para nos deixar na entrada e nos pegar na saída da trilha.
Fizemos a trilha Tongariro Crossing, com 19,2 km de comprimento, longos trechos de subidas e descidas íngrimes em meio a paisagens muito lindas. Chegamos as 6 e meia da manhã, com a maior neblina, mas tivemos sorte e o dia ficou lindo e ensolarado. Levamos cerca de 7 horas e meia para fazer todo o percurso, com paradas para comer e usar os banheiros (há toda uma infra estrutura de banheiros pela trilha, evitando “sujeiras” pelo caminho). Chegamos bem cansados no final, mas muito felizes por termos visto tantas belezas naturais. Passamos por vulcões ainda ativos, lagoas vulcânicas cor esmeralda, paisagens cobertas por uma vegetação alpina toda particular e paisagens formadas por lava solidificada. Consideramos este o lugar mais bonito que visitamos na Nova Zelândia. No dia seguinte a caminhada parecíamos dois velhinhos com dificuldade para andar, ainda bem que ficamos mais um dia parados em Turangi.

“A trilha”
Tongariro Alpine Crossing foi uma trilha que deixou a gente com as pernas cansadas e estarrecidos com tanta beleza, valeu muito a pena.
Com cerca de 19 km, a maior parte da caminhada é através de terreno vulcânico bruto. Os três vulcões da região são todos altamente ativos e o terreno reflete isso. Fluxos de lava solidificados, tephra solto e bombas de lava vulcânicas solidificadas são abundantes. Grandes quantidades de minerais são trazidas à superfície e são altamente visíveis nas cores de rochas e cordilheiras. Fumarolas ativas abundam em várias seções da caminhada, emitindo constantemente vapor e gás de dióxido de enxofre no ar e depositando manchas amarelas de enxofre nas bordas. Os lagos e piscinas na caminhada são profundamente coloridos pelos minerais vulcânicos dissolvidos neles. Algumas áreas apresentam grandes fontes que emitem água quase fervente e torrentes de vapor. O terreno sob os pés durante a maior parte da caminhada é uma nova rocha vulcânica pontiaguda ou uma tefra solta e variável, principalmente cinzas e lapilli. Em algumas áreas da cratera, as cinzas mais finas se tornam úmidas e compactadas.

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Depois de visitarmos o tão esperado Parque Nacional Tongariro, continuamos sentido norte, mirando a cidade de Mount Manganui, onde havia uma amiga da Flavinha nos esperando. Por este caminho continuamos passando por lugares bonitos. Neste dia seguimos sentido Taupo e aproveitamos para fazer uma paradinha para picnic em frente ao belo Lake Taupo.

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A presença e influência cultural Maori são maiores na ilha norte. Em relação a ilha sul, vimos na norte muito mais pessoas com traços físicos Maori, assim como artesanatos e esculturas em madeira como este portal na foto. Gostamos muito de conhecer esta cultura e tradição, que recentemente esta ressurgindo e sendo mais preservada pelo país.

“Escondidos”
Quando chegamos a cidade de Taupo percebemos uma quantidade enorme de turistas e a cidade estava super lotada. Logo ficamos sabendo que chegamos às vésperas de uma competição de Iron Man. Bom, seguimos nossos planos e fomos até uma área de Freedom Camping que havia por alí, Reid’s Farms. O lugar era bem grande e ficava próximo a um rio, mas a parte gramada já estava cheia de camper vans e motor homes e sabíamos que durante a noite ficaria mais cheio de gente devido ao evento na cidade. Avistamos um morro com uma mata fechada e nos embrenhamos por uma pequena trilha. Era uma trilha estreita e escondida, sem chances de algum carro ir por alí. Retiramos as bagagens da bicicleta e fomos subindo tudo separadamente, mos embrenhando no meio do mato. Chegamos em um plato e uma clareira no meio da florestinha, em uma parte alta, perfeito para acampar com tranquilidade. Apesar da grande movimentação no camping, como estávamos escondidos no meio do mato em uma parte alta, o barulho praticamente não chegava em nossa barraca. Tivemos uma noite tranquila.

Seguidos pelos animais. Uma coisa legal que aconteceu várias vezes na Nova Zelândia foi sermos seguidos por cavalos e vacas do outro lado da cerca. As vezes rebanhos inteiros corriam nos acompanhando. Neste dia a caminho de Rotorua fomos seguidos por dois cavalos muito bonitos, eu até tentei uma comunicação com eles fazendo uns barulhos.

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Águas termais.
Na região entre Taupo e Rotorua há um dos maiores sítios de águas termais do mundo, com diversas áreas por toda região, com aquele cheirinho característico de enxofre pelas estradas. A maior parte deste lugares são privados e é cobrada entrada para visitar, mas há opções gratuítas também. Seguindo por uma pequena estrada ( Broadlands road) , encontramos um lugar gratuito chamado Butchers Pool, trata-se de uma piscina de águas termais localizada próxima a um pequeno vilarejo chamado Reporoa. Havia uma área gramada e banheiro no local, até pensamos em acampar por alí, mas como ainda estava cedo decidimos curtir um pouco a piscina e depois seguirmos um pouco mais adiante. A água tem uma coloração meio azulado, um cheiro forte de enxofre e a temperatura girava em torno de 40 C. Havia uma placa recomendando não mergulhar a cabeça sob o risco de contrair Meningite Amebiana. Ficamos cerca de 1 hora por alí e entrar nesta piscina termal dá uma sensação relaxante.

Lake Okaro Reserve, Waimangu, New Zealand.
Depois de um longo dia de pedal, chegamos em uma área de reserva ao redor do Lago Okaro, onde era permitido acampar. Encontramos um lugar bem tranquilo próximo ao lago. O lago tem águas cristalinas e de temperatura agradavel, pois é aquecido por fontes termais vulcânicas. Pouco tempo depois que nós chegamos chegaram mais 3 ciclo turistas, 1 casal de Australianos e 1 rapaz Francês. Conversamos com eles antes de jantarmos e logo a noite caiu. No outro dia pela manhã tomamos café com o francês, um rapaz muito simpático e engraçado. Esta área de camping ficava fora da estrada principal e foi muito bom continuar por esta pequena estrada que seguia em meio a uma reserva natural no caminho para Rotorua.

“The Houlton family”
Na cidade de Rotorua fomos recebidos pelo hospitaleiro Jim e seus dois filhos pequeninos e muito amáveis. Contactamos ele através do aplicativo warmshowers.org e ele deixou a gente acampar no quintal e usar as facilidades da casa. Aliás, que grama perfeita para uma barraquinha no quintal. As crianças eram bem ativas e a Flavinha brincou bastante com elas. A esposa dele estava fazendo uma prova de aventura em outra cidade enquanto ficamos por lá. No dia de irmos embora o Jim esqueceu de deixar a chave da casa e algumas de nossas coisas estavam lá dentro carregando. Conseguimos ligar pra ele, mas o mais difícil foi segurar a vontade de fazer aquele xixi e número 2 matinais enquanto ele não chegava para abrir a casa pra nós. Acho que não seria muito legal a gente fazer em um cantinho do jardim hehehehe…

“Cheirinho de enxofre”. Rotorua é uma linda cidade localizada em uma área vulcanicamente ativa na ilha norte neo-zelandesa. Por toda esta região sentíamos o cheiro de enxofre no ar, proveniente dos gases sulfurosos que vem das atividades vulcânicas locais, porém a cidade de Rotorua foi a cidade onde mais sentíamos este cheiro, quase por todas as partes. A vantagem é que podíamos soltar um peidinho maroto sem ninguém desconfiar hehehehe… A cidade tem muitas áreas onde é possível ver os vapores e sentir o cheiro dos gases vulcânicos emanando do solo, assim como diversas fonter termais.

Rotorua, New Zealand. Gostamos da cidade de Rotorua, é bonita, com uma bela paisagem ao redor e ciclovias por todos os lados. Aproveitamos as ciclovias de cidade e nos deslocamos de bicicleta para todos os lados. Fomos nos parque com águas termais, tomamos sol e fizemos picnic, visitamos também um parque que adoramos, chamado Redwoods. É um parque com sequoias gigantescas e am algumas delas há uma trilha que pode ser feita pela copa das árvores. Há também diversas trilhas de bicicletas neste parque e fizemos algumas delas.
Em várias áreas da cidade há geysers soltando vapores com cheiro de enxofre. Foi legal observar alguns deles.

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De Rotorua até Mount Manganui decidimos seguir pela State Highway 33 e para nossa felicidade havia uma ciclovia que percorria todo este caminho e nem precisamos pegar a rodovia. A ciclovia era totalmente separada da rodovia principal, passando por áreas tranquilas e algumas estátuas Maoris bem bonitas. Pedalamos cerca de 80 km neste dia, mas apesar a longa distância, a tranquilidade de seguir o tempo todo por uma ciclovia foi muito bom.

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Um presente e um abraço.
No caminho entre Rotorua e Mount Manganui nós paramos no supermercado. Após as compras havia uma simpática e falante senhora ao lado de nossa bicicleta. Ela estava super curiosa e contamos sobre nossa viagem para ela. Ela ficou super contente em saber que estávamos percorrendo seu país de bicicleta. Nos deu de presente dois coraçõezinhos feitos de lã, tricotados por ela. Adoramos e agradecemos bastante. A cultura do “abraçar” não é comum entre os Kiwis (Pakeha )como é na America Latina, então não sabíamos se poderíamos dar um abraço nela ou não, mas com ela foi bem diferente. Ela tinha origem Maori e nos deu um abraço bem apertado de boa viagem, que foi o presente que mais gostamos. Nos despedimos e continuamos nosso dia cheios de boas energias depois deste abração gostoso.

Amizade das antigas.
Na cidade de Mount Manganui fomos recebidos por um simpático e hospitaleiro casal de brasileiros. A Karina e o Alan são amigos da Flavinha desde a época de colégio e depois de tantos anos eles se reencontraram na Nova Zelândia. Fomos recebidos com muita hospitalidade e carinho. Ficamos por 3 dias na cidade, que é pequena, e cercada por belas praias. Deixamos a bicicleta na garagem e fizemos todos os passeios a pé. Nossos amigos trabalhavam bastante durante o dia e mesmo assim quando voltavam a noite ainda estavam cheios de energia e então preparávamos comidas juntos, bebíamos cervejinhas, conversávamos bastante e dávamos boas risadas. A Flavinha pôde reviver várias histórias antigas com sua amiga e foi muito legal.

Lugares parecidos pelo mundo.
Em uma viagem muito longa, mesmo estando sempre em movimento, por mais paradoxal que possa parecer, as novidades vão ficando menos constantes. A primeira foto foi tirada no começo de 2020 na Nova Zelândia, em cima do Monte Manganui, com vista para a cidade de Mount Manganui abaixo e este lindo visual de duas praias lado a lado. A segunda foto foi tirada cerca de 2 anos e meio antes, no final de 2017 quando ainda estávamos atravessando o sul do Brazil, em cima do Morro do Macaco, com vista para a cidade de Bombinhas abaixo e também um lindo visual de duas praias lado a lado.
Até o chápeu e a camiseta azul são parecidas hehehe… Para chegar no topo do Mount Manganui fizemos uma trilha de cerca de 1,5 km e quando chegamos lá em cima lembramos na hora do começo de nossa viagem e da cidade de Bombinhas no sul do Brasil. Não nos surpreendemos tanto com o visual pois já havíamos visto algo parecido antes. E isto com o tempo foi acontecendo outras vezes durante a viagem, mas nem sempre temos fotos. Mas desta vez até as fotos ficaram muito parecidas. Dois países com belas paisagens, a Nova Zelândia e o Brasil.

A bela Mount Manganui, com suas lindas praias de mar azulado.

Nossa saída da região de Tauranga foi bem tranquila, mesmo passando por dentro da região urbana, seguimos por ciclovias, em alguns trechos totalmente separadas das vias de veículos motorizados, e rapidamente entramos na estrada que nos levaria a cidade de Katikati.

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Entrando na pequena cidade de Katikati, tivemos que esperar alguns minutos enquanto um caminhão descarregava uma casa antes de seguirmos por esta rua. Não é todo dia que a gente vê a verdadeira “entrega em casa”.

Hospitalidade de cicloviajantes.
Na cidade de Katikati fomos recebidos pela simpática e hospitaleira Diane. Ela e seu marido Ian fazem parte da comunidade warmshowers.org e nos receberam na casa de fazenda deles. Chegamos em um momento em que a Sra Diane não estava lá, mas ela deixou um bilhetinho super fofo de boas vindas para nós, colado na janela do nosso quarto.
Eles já receberam centenas de cicloviajantes na casa deles, entre eles outro casal de brasileiros, o Felippe e a Mariana da cicloviagem @pedaispelomundo , que também nos acolheram na Nova Zelândia. Ficamos apenas uma noite na companhia da Sra Diane, mas pudemos conversar bastante e conhecer um pouco mais sobre eles.
A comunidade warmshowers.org nos ajudou muito na Nova Zelândia.

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Eu acho que estes boots estão no mesmo lugar há um bom tempo. ( Katikati, New Zealand).

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Plantação de Kiwis.
Nossos anfitriões na cidade de Katikati eram proprietários de uma fazenda de Kiwis. Fomos conhecer a plantação e pudemos aprender um pouco mais sobre o cultivo destas frutas. Ficamos curiosos ao ver estas marcas no tronco. Diane, nossa anfitriã pelo warmshowers.org, nos explicou que todo ano eles retiram um fatia circular da casca das árvores e assim elas crescem mais fortes e dão frutas mais suculentas. As produções agrícolas no país tem todo um background de pesquisas científicas e estudos, tudo muito interessante.

Waihi beach, New Zealand.
Seguimos a dica de nossa anfitriã na cidade de Katikati e seguindo sentido Paeroa fizemos um desvio e passamos pela região litorânea de Waihi (Waihi beach). O desvio valeu muito a pena, a praia é linda e tranquila. Aproveitamos uma mesa de picnic que havia de frente para o mar e fizemos nosso almoço apreciando uma bela paisagem.

Saindo da cidade de Waihi sentido Paeroa entramos em mais uma trilha de bicicletas muito legal na Nova Zelândia. A Hauraki Rail Trail é uma trilha apenas para bicicletas e caminhantes que passa por uma zona rural muito bonita, margeando rios e fazendas, com áreas de picnic no caminho, pontos históricos e um túnel antigo por onde passavam os trens no passado. Adoramos.

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Amigos dos cicloviajantes. Na pequena cidade de Paeora, onde surgiu o refrigerante neo-zelandês L&P, fomos hospedados pelo hospitaleiro Robin. Ele trabalhou em navios e viajou por muitos anos em sua vida para muitos países pelo mundo, com várias histórias pra contar. Além disso ele curtia esportes e nos deus uma aula sobre Rugby, Futebol Americano e críquete, mas mesmo assim ainda não entendemos muito o funcionamento destes jogos, hehehehe… Ele não é cicloviajante, mas gosta de viajar, interagir com pessoas, ouvir histórias e hospedando ciclo turistas é uma boa alternativa para isso. Ele se inscreveu no warmshowers.org e já ajudou vários cicloviajantes. Ele falou que é como “viajar sem sair de casa”.

Kaiaua Freedom Campsite.
No pequeno vilarejo praiano de Kaiaua, na região da Baía de Thames (Firth of Thames), costa norte da ilha norte, passamos nossa última noite acampando na Nova Zelândia. De frente para o mar havia uma área de camping gratuito que aceitava barracas. Conseguimos um lugar com uma vista para o mar. A pandemia pelo Covid-19 já se alastrava pelo mundo, levando a uma queda importante no turismo e consequentemente no número de turistas. Apesar da localização privilegiada deste camping, além de ser gratuito, estava vazio para a alta temporada. Por um lado foi bom pois adoramos acampar em lugares tranquilos, por outro foi ruim pois já começavamos a nos preocupar com esta pandemia que se alastrava, com a saúde de nossos familiares e amigos e o futuro da nossa viagem. O turismo dentro do país naquela data (14/03/2020) ainda seguia sem restrições, mas já haviam sinais de que o país começaria a se fechar para se proteger. No outro dia pedalamos pela última vez no país, sentido Auckland, ponto final planejado nestas belas terras neo-zelandesas.

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Torea-Pango ( Wharekawa, Nova Zelândia). Na região litorânea próxima ao vilarejo de Wharekawa, vimos bandos destes pássaros de bicos longos e bem alaranjados, principalmente nas praias. Eles são chamados de “Catadores de Ostra”. Sua dieta consiste em uma variedade de moluscos, crustáceos, vermes, pequenos invertebrados e, às vezes, pequenos peixes. Os moluscos são principalmente bivalves e são abertos pelos pássaros usando o bico para quebrar e torcer. Depois de fortes chuvas, eles chegam ao interior em busca de minhocas.

Nosso último dia de pedal na Nova Zelândia. O caminho entre o vilarejo de Kaiaua e Auckland foi nosso último trecho pedalado pelo país, dia 15/03/2020. Auckland foi nosso ponto final do país pois já havíamos reservado um vôo a partir dalí para os Estados Unidos. Foi um dia ensolarado com belas paisagens de praia e montanhas. As estradas eram pequenas e tranquilas até chegarmos próximos a região metropolitana de Auckland, quando o movimento aumentou bastante. No meio do caminho nos sentamos em um banquinho e almoçamos olhando mais uma bela praia e pensando sobre nossa viagem cruzando mais um país super interessante, com muita gratidão por tudo isto. Ainda estávamos bem tranquilos, pois a pandemia pelo Covid-19 ainda não havia alterado nossa viagem, mas tudo isto mudaria rapidamente.

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Encontros na estrada. A partir do momento que saímos da região costeira e seguimos sentido a porção sul de Auckland, pegamos uma subida e encontramos dois viajantes, um de bicicleta, Belga, e um caminhante, Brasileiro. Ambos muito divertidos, bem humorados e felizes em suas viagens e experiências na Nova Zelândia. O brasileiro conversamos um pouco mais e descobrimos que ele se chama Vitor e estava fazendo sua viagem em busca de um pássaro todo especial, o Fuselo, que é uma ave migratória que fica voando por muitos dias sem parar. Ele nos contou que este jeito migratório e livre desta ave é inspirador e deu nome a sua viagem: @voafuselo . Depois fomos pesquisar melhor sobre este pássaro pois ficamos muito curiosos e achamos muito interessante. Sempre aprendemos algo novo com as pessoas que cruzam nossos caminhos. Como diriam os experientes cicloviajantes brasileiros Olinto e Rafaela ( @olintoerafaela ) : “Cada pessoa é um universo a parte”.

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“O resgate”. Havíamos combinado de ficar na casa de um casal de amigos, Felipe e Marina, na cidade de Auckland. Mas cerca de 40 km antes de chegarmos no local combinado, nosso pneu reserva que compramos usado em Wanaka, abriu de tão gasto que estava e explodiu. Eu fiz um remendo com fitas adesivas que durou mais uns 20 km e então o pneu rasgou novamente. E assim terminou nosso último dia de pedal na Nova Zelândia, com um pneu rasgado para manter a tradição… Ligamos para nosso amigo, que tem uma Van bem grande e veio nos resgatar na estrada. Desmontamos a bike e ele chegando foi a maior festa, por revê-lo e pelo resgate .

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A casa dos nossos amigos ficava em Glenfield, na porção norte de Auckland e chegar lá pedalando seria muito dificil, pois as principais vias são pontes como esta, por onde é proibido pedalar ou caminhar e por ferry-boats. Ainda bem que fomos resgatados de Van pelo nosso amigo. Há previsões de obras futuras para colocação de ciclovias nestas pontes.

Amigos de quarentena.
O combinado seria ficarmos 5 dias na casa dos amigos Felipe e Marina, na região de Glenfield, Auckland, até pegarmos um vôo no dia 20 de Março de 2020 para os EUA, onde continuaríamos nossa viagem, mas a pandemia do novo Coronavirus alterou nossos planos subitamente. De repente os Estados Unidos entrou em Lockdown e poucos dias depois a Nova Zelândia também. De cinco dias a nossa estadia passou para 45 dias confinados com nossos amigos na casa deles. Vôos cancelados e visto extendido, a única saída era treinar a paciencia e nos acostumarmos a uma vida slow motion por um bom tempo. Foi assim que passamos 45 dias juntos de nossos amigos, praticamente 24 horas por dia. Nossos amigos de quarentena, nossos “salvadores da pátria” em tempos de pandemia. Fizemos muitas fogueiras, jogamos Catan, baralho, fizemos muitas comidas, conversamos muito, bebemos cervejinhas e vinhos, contamos nossas histórias de vida e nos ajudamos mutuamente a enfrentar este isolamento. Temos muita gratidão pelo acolhimento em um momento tão maluco no mundo todo. Obrigado amigos!

O Haka!! Desde que chegamos na Nova Zelândia queríamos ver o famoso “Haka”, o grito de guerra do povo Maori.
Chegamos em Auckland 2 dias antes do fechamento dos museus e por sorte conseguimos ir ao Museu de Auckland e ver uma apresentação cultural Maori com músicas e o tão esperado Haka!!!! Kiaora Aotearoa.

Ócio criativo.
Em mais de dois anos e meio de viagem, em movimento constante e gastando muitas energias, nunca havíamos ficado tanto tempo parados, foi como entrar em uma nova vida paralela… em câmera lenta.
Nossos amigos moram em uma casa com um quintal cheio de natureza, que a Flavinha fez jardinagens e onde fizemos fogueiras. Além disso havia uma garagem cheia de ferramentas e madeiras que usei para fazer várias coisas: uma placa para o jardim, um tabuleiro de gamão, um jogo de dominó, um chinelo de madeira, um estilingue, etc… Tudo isso ajudou a passar o tempo e evitar a loucura hehehe…

40 anos!
Pois é, meu aniversário de 40 não poderia ter sido mais exótico. Comemorar aniversário em meio a uma crise mundial devido a uma pandemia que acomete muitas pessoas no mundo tanto não era muito empolgante. Mas mesmo assim, entre amigos, todos de quarentena, decidimos fazer uma festa com bebidas, comilança, musicas e todo mundo vestido o mais brega possível. Confesso que passamos boas horas divertidas. Não foi como eu havia planejado, mas em uma longa viagem e até mesmo nas nossas vidas… o que sai como planejado não é mesmo?

Os tempos de pandemia foram se extendendo por mais tempo do que o esperado e os dias foram ficando longos, monótonas e cheios de ansiedade sobre o futuro de nossa viagem e a situação de muitas pessoas que amamos no Brasil. Muitas vezes não temos o controle da situação em nossa viagem e os planos normalmente não saem como o planejado, mas pela primeira vez estávamos sem um rumo certo, tudo muito confuso e incerto.

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Acabamos mudando nossos planos mais uma vez, mas vamos deixar este assunto para um Post especial sobre a Pandemia pelo Covid-19.

KiaOra Aotearoa…

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